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Janeiro

 

- Microbiologista do Instituto de Ciências Biomédicas, da Universidade de São Paulo (USP), conclui que as argamassas existentes no mercado são vulneráveis à contaminação por fungos. O mais encontrado no material testado foi o Cladosporium. Além do prejuízo econômico, devido a reformas que se fazem necessárias quando há biodeterioração, Márcia Shirakawa registrou riscos à saúde, pois o fungo provoca alergias respiratórias. A solução, segundo ela, seria estabelecer uma política de certificação de qualidade desses materiais.

- Equipe de cientistas do Instituto Oceanográfico, da USP, encontra animais invertebrados acima do tamanho médio, nas águas frias da Antártida, na base brasileira de pesquisas. Eles descobriram que animais como a estrela-do-mar desenvolvem um metabolismo baixo e constante para enfrentar a escassez de alimento, o frio e ausência de luz na região. Por isso, a fauna na Antártida apresenta características parecidas com a das profundezas do oceano, quase sempre superdesenvolvida.

- Para aproveitar o alumínio e o plástico (polietileno) das embalagens cartonadas longa vida, o empresário Luiz Antônio Mathias, proprietário da Mercoplas, desenvolveu um equipamento para reciclar o material. O projeto demorou quatro anos para sua conclusão e, ao final, a Tetra Pak - única fabricante de longa no país - comprou a patente. O plástico resultante da separação pode ser usado para fazer vassouras, vasos, baldes, banquetas e outros produtos.

- A geóloga Mirian Chieko Shinzato, do Instituto de Geociências da USP, testa misturas para produção de blocos de alvenaria (tijolos) mais resistentes. Os primeiros obtidos como parte de sua pesquisa, que buscava avaliar o impacto ambiental da lavagem do rejeito de alumínio tratado pela indústria terciária de reciclagem do material, apresentaram resistência mecânica limitada. Ela, no entanto, acha que o aproveitamento da escória em tijolos é viável e uma boa solução para o rejeito que polui o ambiente aquático - lagoas próximas ao local de estocagem da escória, rios e lençóis d'água subterrâneos.

- Comitê de Ética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, analisa pedido para teste, em ratos, da técnica de remoção parcial do fígado com uso do laser. O coordenador da pesquisa, Orlando de Castro e Silva Júnior, conta que o laser acelera a regeneração do órgão até três vezes mais que o normal. A técnica pode ser uma alternativa para pessoas com cirrose e tumor cirrótico. Só após o experimento em roedores é que haverá teste com humanos. Enquanto isso, a equipe da FMRP estuda por quê e como o laser acelera a regeneração, qual a potência adequada e o melhor espectro de luz.

- Loção para acabar com a calvície, definitivamente. É o que assegura ter conseguido a bióloga Marlyn Casadei, de Guarulhos (SP). Para aumentar a renda familiar, ela passou a vender pastas e cremes à base de vegetais produzidos em casa. Desse trabalho sugiram pedidos de produtos para combater a calvície, que resultaram numa mistura à base de extrato de enxofre. Ela garante que são necessárias duas aplicações semanais para que nasça cabelo, fato que comprovou em voluntários.

- Faculdade de Engenharia de Alimentos (Fea), da Unicamp, cria o Laboratório de Aroma, para realizar pesquisas que levam à obtenção de aromas por meio de microorganismos. O objetivo é conseguir aromas de frutas e queijos usando os fungos Aspergillos e Neoroporas. Testes verificaram que a aceitação das pessoas aos novos aromas - adicionados a massas, iogurtes, biscoitos – foi boa.

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Fevereiro

- Animais que constam da lista de ameaçados de extinção, do Ibama, são pesquisados por cientistas da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da USP, para a realização de inseminação artificial. A ema começou a ser estudada em outubro e, neste mês, as pesquisas apresentaram os primeiros resultados. A inseminação artificial das aves visa a preservação da espécie e também a utilização da técnica para pecuária alternativa. Os técnicos estudam ainda a possibilidade de inseminação com o sêmen da onça e da jaguatirica.

- Equipe de pesquisadores da USP apresenta à Financiadora de Projetos (Finep) resultados dos estudos com a telha produzida a partir de escória de alto forno e fibras vegetais, para conseguir a continuidade do financiamento do projeto. Paralelamente, eles finalizam testes de durabilidade do material, que espera-se seja de até vinte anos. Foram usadas fibras de coco, sisal, celulose e eucalipto como componentes da telha.

- A Coopersucar anuncia que produzirá em escala comercial, a partir de junho, o plástico biodegradável, obtido a partir da cana-de-açúcar. As primeiras remessas destinam-se a duas empresas alemãs que atuam na área da saúde e de embalagens. A cooperativa investiu US$ 5 milhões nas pesquisas sobre o uso do PHB (polihidroxibutirato), a partir de um processamento biotecnológico, na produção do plástico. Se jogado no lixo, onde é farta a presença de microorganismos, o PHB desaparece em seis meses.

- Pesquisas com pacientes soropositivos comprovam que há regressão de um tipo de câncer associado à Aids, o sarcoma de Kaposi, em 83% dos casos. Utilizado originalmente no tratamento quimioterápico de tumores dos testículos, em linfomas e leucemias, o Etoposide foi o remédio que provocou essa redução. Os testes ocorreram no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. A organização não-governamental Fundação SOAD entrou com pedido de aprovação de patente para outra formulação da droga, já que nos testes ela é prescrita por via oral, em forma de comprimido, três vezes ao dia. Nos tratamentos de câncer, ela é originalmente aplicada uma única vez ao mês, numa dose maciça e intravenosa.

- O neurologista, Esper Abrão Cavalheiro, da Escola Paulista de Medicina (EPM), da USP, ganha o prêmio de Ciências Médicas Básicas da Academia de Ciências do Terceiro Mundo (Third World Academy Sciences), entidade que reúne cientistas de 76 países. O prêmio resulta de pesquisas realizadas na área de neurociências, sobre o desenvolvimento da epilepsia.

- A Embrapa lança Alvorada, uma variedade de cenoura com 35% a mais de vitamina "A", desenvolvida na sua unidade de pesquisas de hortaliças, em Brasília. A cultivar tem coloração mais viva para se tornar mais atraente ao consumidor, é mais resistente à doenças de folha e requer o mesmo método de plantio da cenoura convencional.

- Para dar continuidade ao Programa Genoma, iniciado com o seqüenciamento do código genético da bactéria Xylella fastidiosa - que ataca os citros, principalmente os pomares de laranja - pesquisadores da rede paulista Onsa (Organização para Sequenciamento e Análises de Nucleotídeos) anunciam que fazerão o sequenciamento do código genético humano a partir de tecidos cancerígenos.

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Março

- Começa a instalação dos primeiros radares para controle e segurança das rotas aéreas do Sivam, o Sistema de Vigilância da Amazônia. Utilizando tecnologia de ponta, os radares podem ser deslocados porque são mais leves, exigindo apenas um avião do tipo Hércules para seu transporte. Antes, outros radares móveis existentes no país precisavam de várias aeronaves C-130, de grande porte, para serem transportados. A vigilância será reforçada com radares planares dotados de capacidade autônoma de controle para detecção de rotas a altitudes inferiores a 10 mil pés. Com isso, será possível confirmar a existência de uma pista clandestina ou um garimpo irregular, por exemplo.

- O Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT), órgão ligado ao Ibama, acerta parcerias com empresas privadas para a utilização do óleo de espécies da Amazônia, como a andiroba, a copaíba, a castanha do pará, o cupuaçu e o murumuru, para produção de comésticos. A primeira empresa envolvida é a Cognis, de São Paulo.

- Pesquisadores do Laboratório de Produtos Florestais (LPF), do Ibama, testam o plástico como aglutinante na confecção de aglomerados do tipo eucatex. Batizado de madeira-plástico, o produto apresentou boa resistência nos testes, que avaliaram ainda o índice de deformação, tração de colagem. Composta de resíduos de madeira e polietileno de baixa densidade, a madeira plástico pode ser obtida também de outras substâncias descartadas pelo setor produtivo, como a fibra do coco, babaçu, bagaço de cana-de-açúcar e palha de arroz.

- Professores e alunos dos institutos de Química e Biologia, da Unicamp, estudam o efeito antibiótico de substâncias produzidas por fungos que entram em contato com a resina da flor de Clúsia, processada por abelhas das espécies Trigona e Euglossa. A idéia é obter compostos para a indústria farmacêutica. O Brasil possui 1/5 das 25 mil espécies de abelhas catalogadas no mundo. A mais numerosas são da família indígena sem ferrão: jataí, uruçu, irapuá, tiúba, jandaíra, borá e mandaçaia.

- O Ministério do Meio Ambiente apresenta no Canadá, em reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica, proposta para um programa internacional para a proteção de polinizadores agrícolas. No Brasil, a agricultura baseada em agentes polinizadores é insipiente, mas em países europeus representa boa fatia do mercado agrícola. Além de contribuir na distribuição de sementes, os polinizadores melhoram a qualidade dos frutos. A iniciativa brasileira é analisada como um forma de aproximação do setor econômico com as políticas conservacionistas.

- A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) cria o Núcleo de Estudos da Água, com objetivo de reunir todo conhecimento produzido na universidade em torno do assunto e colocá-lo à disposição da comunidade. A intenção é tambéma de estimular a criação dos comitês de bacia, junto a representações da sociedade civil. Ou seja, a discussão entre membros da sociedade sobre como usar a água.

- Pesquisadores da Embrapa Cerrados, em Brasília, estudam a quinoa, um pseudo-cereal utilizado como fonte alimentar até a descoberta das Américas, como opção à monocultura da soja. Já se sabe pelas pesquisas que a quinoa pode ser plantada em qualquer época do ano no Cerrado, sendo que o fim do ciclo deve coincidir com o momento de escassez da chuva.

- A engenheira de alimentos Luciana Chagas Caperuto, da Unicamp, desenvolve macarrão isento de glúten a partir de mistura de milho e quinoa. É mais uma opção de consumo para os celíacos, ou seja, pessoas alérgicas a alimentos à base de glúten. Misto de leguminosa e cereal, a quinoa possui alto teor de proteína, além de minerais em quantidades recomendadas pelos nutricionistas.

- Hospital ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especializado em anomalias da face, atende gratuitamente portadores de lábio leporino, também conhecido como fenda ou fissura labial. A correção do problema é feita com várias cirurgias ao longo da vida, sendo que a primeira pode ocorrer ainda no recém-nascido. O paciente precisa ainda de tratamento complementar nas áreas de odontologia, ortodontia, fonoaudiologia e psicologia.

- Entulho de obra é reaproveitado em Belo Horizonte em operações tapa-buraco, na pavimentação de calçadas e jardins públicos, na contenção de encostas e também na produção de blocos para construção (tijolos). Para isso, a prefeitura instalou unidades descentralizadas de coleta e reciclagem de entulho. Os carroceiros da cidade colaboram levando os restos de construção para as unidades. As atividades integram um projeto de gestão desses resíduos, cuja massa chega a ser o dobro do lixo orgânico produzido nas cozinhas do país.

- Na Europa e nos Estados Unidos, entulho é negócio lucrativo, pois depois de reciclado é incorporado em obras de pavimentação ou em agregados para fazer cimento. Já no Brasil, os resíduos dos canteiros de obras têm destinação certa: os lixões. Baseados nessa realidade, um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica (Poli), da USP, criou o projeto Reciclar para Construir, visando montar uma base de dados e propor metodologia para a reciclagem ambientalmente segura de resíduos da construção civil. O grupo se engajou ainda numa atividade extra-classe que consiste em apresentar propostas de gestão dos resíduos de obras para o Programa Brasileiro de Reciclagem, lançado em 99 pelo governo e atualmente paralisado.

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Abril

- Empresa mineira utiliza tecnologia de coloração da superfície do aço desenvolvida pela Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec). As cores obtidas com a técnica são permanentes e não sofrem ação dos raios ultravioleta do sol, como ocorre com tintas e vernizes. O aço colorido pode ser empregado nos setores de construção e decoração.

- A maior e mais completa coleção de insetos do bioma Cerrados está em Brasília, na unidade Cerrados, da Embrapa. São mais de 50 mil exemplares de insetos classificados em 12 ordens, 160 famílias e mais de 11 mil espécies. Tudo disponível para consulta a pesquisadores e estudantes. A Embrapa pesquisa os insetos para aplicá-los no controle biológico de pragas e também porque, em algumas situações, eles se tornam pragas.

- Além de devolver aos índios Pataxó, de Porto Seguro (BA), a araruta - tubérculo com o qual se faz farinha e mingau – os pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura introduzem, nas aldeias, espécies melhoradas de mandioca, banana e abacaxi. Eles ensinam ainda técnicas de plantio e repassam tecnologias para melhor manejo e uso do solo. Na área ocupada pelas quinze aldeias Pataxó há muita mata e, nas áreas desmatadas para cultivo, foram empregadas técnicas rudimentares, transmitidas pelos antepassados indígenas. Isso empobreceu o solo, o que exige a introdução de espécies com melhoramento genético.

- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvis) publica resolução que disciplina a produção de medicamentos fitoterápicos. Os remédios à base de plantas não podem ter em sua composição nenhum princípio ativo sintético. O procedimento de registro é mais simples para aqueles produtos à base de plantas para as quais se tenha estudos e literatura que comprovem seu uso e eficácia ao longo de pelo menos trinta anos. Há uma lista de treze plantas incluídas nesse conceito. Para o registro dos não-tradicionais é preciso apresentar testes clínicos e toxicológicos que comprovem sua segurança e eficácia.

- Pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unifesp) comprovam a eficácia da espinheira-santa (maytenus ilicifolia) na prevenção da úlcera, em testes com ratos. Para isso, eles desenvolveram o processo para obtenção de extrato seco à base da erva e começam, neste mês, a fazer testes também com humanos. A idéia é obter o registro de patente do medicamento fitoterápico.

- Petrópolis é um caso raro na topografia, conclui o doutorando em geografia física, da USP, Antônio Soares da Silva, depois de findos os trabalhos de campo de sua tese. O solo perde a umidade natural em 70%, no período da seca. A declividade é de 40%, muito acentuada, segundo o geógrafo e o extrato rochoso está a apenas 1,5 metro de profundidade. Tudo isso torna a cidade muito mais vulnerável a enchentes catastróficas, como a que ocorreu em 94. Silva recomenda a prevenção para amenizar o problema, o que se traduz em ocupação ordenada e melhor uso da terra.

- Três importantes biomas nacionais são escolhidos para um levantamento aprofundado até 2010. São eles: Mata Atlântica, Cerrados e Amazônia. Eles fazem parte de um mega-projeto de estudos ecológicos e ambientais, financiado pelo CNPq, chamado de Programa Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (Peld). O programa inclui também o estudo de banhados - pantanais sub-tropicais, estuários e águas costeiras do Sul do país e ecossistemas florestais manejados. É uma iniciativa pioneira de conhecer a biodiversidade brasileira como um todo, de uma maneira mais detalhada.

- Pesquisadores da Embrapa Pantanal confirmam, em 98, após dez anos de contagens anuais, que a população de jacarés na região é da ordem de milhões. Ou seja, a conclusão é que o jacaré não está em extinção. Os estudos sobre o animal, entre outros registros feitos no Pantanal, é incluído no Peld, aumentando a área de estudos de campo. O sistema hidrológico será outro ponto a ser investigado.

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Maio

- Sementes de iodo-125 são fabricadas por cientistas do Institutos de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), dentro de uma nova tecnologia para o tratamento do câncer de próstata. Umas das vantagens é dispensar o uso da radioterapia convencional. As sementes são introjetadas no organismo, dentro de cápsulas de titânio, diretamente na próstata, por agulhas especiais. O implante é permanente. A semente age sobre o núcleo da célula cancerígena, devido a radiação emitida pelo iodo-125. As pesquisas para se chegar as sementes custaram R$ 120 mil e levaram um ano e meio para apresentar resultados.

- Problemas de mordida são duas vezes mais freqüentes na Segunda dentição, é o que demonstra uma amostra probabilística de um universo de 985 crianças, em São Paulo. A conclusão é do odontólogo sanitarista Paulo Frazão, que alerta: esses problemas, que acabam nos consultórios ortodônticos, podem ser evitados ainda na primeira infância, com medidas preventivas. Amamentar a criança pelo menos até os seis primeiros meses de vida, cuidado com doenças respiratórias e introdução da alimentação dura e seca na idade certa são os conselhos do especialista.

- Equipe de neurologistas de Brasília realiza pela primeira vez, na cidade, implante de marcapasso para reduzir os incômodos do Mal de Parkinson em um paciente que apresentava a doença no seu nível máximo - os tremores e a rigidez muscular atingiam tal ponto que o impediam de desenvolver atividades do cotidiano, como abotoar uma camisa. O aparelho é controlado por um computador, ligado a uma antena que envia dados por telemetria e custa R$ 22 mil. Com a tecnologia, a reversão da doença é de até 68%.

- Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da USP, estão próximos de confirmar o poder cicatrizante do muco do escargot, o parente estrangeiro dos caracóis nacionais. O mais interessante da tecnologia produzida é que não é necessário matar o molusco para a retirada do muco. A equipe fez pedido de patente para produção de uma pomada, formulada com o muco do escargot do gênero Acatina.

- Vacina obtida a partir da clonagem de proteína do carrapato é a tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, para combater o próprio carrapato, um dos maiores problemas da pecuária nacional. As proteínas usadas na formulação da vacina são selecionadas na própria unidade de pesquisa e o seqüenciamento genético é feito na Escola Paulista de Medicina (EPM), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A eficácia da vacina foi comprovada inicialmente em bezerros da raça Nelore, com inibição de até 95% no desenvolvimento de carrapatos.

- Monitoramento da emissão de gases poluentes por meio de uma fonte luz (laser) e um fotodetector é o objetivo de pesquisadores da UFPE e da USP, campus de São Carlos, em estudo sobre a poluição ambiental. Eles desenvolveram o protótipo de um sistema capaz de identificar os gases dipersos na atmosfera, que é testado em Recife, na universidade. Além de gases, o sistema mede índices de particulados em suspensão, como poeira, fuligem e materiais grosseiros.

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Junho

- O astrofísico João Steiner, do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG), da USP, fala da possibilidade de vida em outros planetas, em entrevista exclusiva ao Serviço de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, da Agência Brasil. Para ele, a existência de 100 bilhões de galáxias conhecidas pelo homem e o fato da nossa ter 100 bilhões de estrelas são indícios suficientes para que o homem desconfie da probabilidade da existência de um planeta semelhante ao nosso.

- O engenheiro químico da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Jader Martins, desenvolve produto capaz de limpar águas contaminadas por compostos orgânicos, como óleos, derivados de alcatrão e pesticidas. A partir do aquecimento do mineral chamado vermiculita hidrofóbica, e a conseqüente perda de água, ocorre uma expansão do material. A partir daí, o mineral atrai apenas compostos orgânicos, sendo capaz de absorver quantidade de impurezas igual a até quatro vezes o seu peso.

- Médicos se reúnem para dar prosseguimento ao Programa Nacional de Educação Continuada em Dor e Cuidados Paliativos para Profissionais de Saúde. Eles são da Faculdade de Medicina da USP, da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Fundação Amaral Carvalho (Fac) - que cuida de doentes terminais - e consideram necessária uma outra abordagem no tratamento da dor, nos sistemas público e privado de saúde. O coordenador do programa, João Figueiró, destaca que o eixo principal da discussão é trabalhar por uma mudança na postura dos profissionais de saúde, de forma a garantir personalização no atendimento aos que se queixam de dor crônica, bem como qualidade de vida. Estima-se que 30% dos brasileiros sofram de uma dor persistente e a maioria em conseqüência de doenças crônico-degenerativas.

- A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro aproveita urina de vaca como fungicida e na produção de plantas mais resistentes, chegando a resultados positivos. Segundo os pesquisadores, o material contém substâncias que melhoram a saúde das plantas e ainda combate doenças como a fusariose, que ataca as plantações de abacaxi. Testes comprovam, ainda, que a urina do animal pode evitar outras doenças provocadas por fungos em diversas culturas.

- Planta originária do Oriente, o gergelim pode ser uma alternativa de plantio no semi-árido nordestino. Estudos da Embrapa Algodão, de Campina Grande (PB), buscam a adaptação do gergelim ao clima do Nordeste para substituir o algodão, que tem registrado redução na produtividade nos últimos anos devido à seca, pragas e fatores econômicos. Além disso, investiga-se as potencialidades fitoterápicas e cosméticas do grão.

- Produtos biorracionais à base de aminoácidos para aumentar o potencial produtivo da cultura de frutas e legumes. A novidade tem crescido no mercado agrícola ao longo do ano e tende a se firmar como uma opção para ganhar qualidade, reduzir custos, e o uso de agrotóxicos. Uma empresa privada de Brasília oferece esses produtos, feitos a partir de aminoácidos - que são as partes das proteínas. Os biorracionais funcionam como um fortificante para as plantas, que se tornam, inclusive, mais resistente a pragas. Em Brasília, alguns produtores atingem, lucro de R$ 5 mil por hectare com o plantio de batata tratada com biorracionais.

- Algodão colorido, creme ou marrom. A tecnologia, desenvolvida pela Embrapa, visa evitar o uso de corantes na confecção de produtos a partir do algodão e atender ao mercado consumidor, cada vez mais ávido por produtos ditos naturais. Há plantações-teste em vários municípios da Paraíba e o resultado tem sido fibras com bons índices de qualidade.

- A engenheira química industrial Zelita Faro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), estuda o potencial da abóbora como fonte de vitamina A e sua introdução na dieta de crianças após o desmame. O objetivo é combater a hipovitaminose A, provocada pela suspensão do leite materno. O produto, fruto da pesquisa, é uma mistura láctea feita com abóbora desidratada, leite e açúcar. A abóbora é o quinto vegetal em volume produzido no Nordeste.

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Julho

- Técnica para determinar a presença de substâncias cancerígenas em alimentos industrializados, tais como os embutidos, é desenvolvida na UFRGS. O doutorando em Química, Pedro José Sanches Filho, comprova que a salsicha enlatada, por exemplo, contém nitrosamina, um composto usado como conservante e que, dificilmente, é absorvido pelo organismo. O método desenvolvido por ele é mais barato e tem por base a técnica da separação gasosa, aliada à análise do padrão de fragmentação dos compostos.

- A revista britânica Nature publica, como matéria de capa, o seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, conseguido por pesquisadores brasileiros. Para o bioquímico inglês, Andrew Simpson, diretor, no Brasil, do Instituto Ludwig, da Suíca, o fato é a prova de que o Brasil já é reconhecido como um país cientificamente desenvolvido e que reúne cientistas aptos a dar respostas aos desafios nacionais. A Xylella provoca uma doença nos cítricos, conhecida como Amarelinho, que chega a resultar em perdas de 90%.

- A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detecta a volta da febre amarela no Brasil e classifica o fato como preocupante do ponto de vista sanitário. Doença que pode levar à morte, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (assim como a dengue), a febre amarela é considerada como reemergente devido a interiorização do país, com a abertura de outras fronteiras agrícolas em áreas de ocupação silvestre. A entidade alerta para o fato de que o país deixou de investir em campanhas sanitaristas de prevenção por causa da erradicação do mal e que é preciso, por isso, retomá-las.

- Incluído no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) o Projeto Microgravidade. O objetivo é propiciar a realização de experimentos em ambientes de microgravidade utilizando até mesmo foguetes nacionais. A ausência de gravidade é uma ferramenta cada vez mais estimulada no desenvolvimento de estudos das áreas de biologia, biotecnologia e ciência de materiais. O Pnae é de responsabilidade da Agência Espacial Brasileira (AEB).

- A pesquisa nacional contribui com o seqüenciamento de 279 mil genes do câncer. Os estudos são financiados pela Fapesp e incluídos na base dados internacional do GenBank, mantida pelo Instituto Nacional de Saúde, dos Estados Unidos. O Brasil detem a maior quantidade de informações sobre os tumores de cabeça, pescoço, mama e estômago, todos de grande incidência no país. É o Projeto Genoma Humano do Câncer, em desenvolvimento por vários institutos de pesquisa brasileiros.

- O Brasil se une a um consórcio de cientistas de 19 países que desenvolve projeto para desvendar o fenômeno da radiação cósmica. O convênio com o Projeto Observatório Pierre Auger permite que pesquisadores brasileiros trabalhem nos observatórios de Mendonza, na Argentina, e em Utah, nos Estados Unidos. O fenômeno da radiação ocorre quando partículas de alta energia, oriundas do universo, colidem com os átomos de hidrogênio e nitrogênio, presentes na atmosfera, a uma altitude de 40 quilômetros acima da superfície terrestre. A meta é desvendá-lo em três anos.

- O cálculo do tempo, tão diversificado ao longo da presença humana na Terra, sofre um erro e provoca acréscimo de um dia no ano 4000. Tudo por causa de uma diferença de 2 horas, 43 minutos e 2 segundos entre o calendário gregoriano - adotado no Brasil, por exemplo - e o sistema solar. A solução, segundo Sylvio Ferraz Mello, do Observatório Nacional (ON), seria reduzir uma vez o intervalo entre os anos bissextos, de quatro para dois anos.

- Santanaraptor plácidus é o nome do dinossauro reconstituído por pesquisadores do Museu Nacional da UFRJ. A espécime foi encontrada, na Chapada do Araripe, região de Santana do Cariri, no Ceará, em 1991, e sua reconstituição exposta no Museu Nacional. O fóssil, segundo cálculos, tem 110 milhões de anos. Os estudos indicam que o animal morreu jovem, tinha 1,68 m de comprimento e era parente próximo do grupo que deu origem ao popular e temido Tiranossauro rex.

- Observações do Instituto Astronômico e Geofíciso (IAG), da USP, detectam nuvens de formação marítima na Amazônia. Até então, acreditava-se que as formações na Amazônia eram exclusivamente de nuvens do tipo continental. Com base na constatação, os técnicos afirmam que não haverá mais limitações na previsão do tempo na região tropical. Ou seja, os dados meteorológicos serão mais precisos devido a esse achado.

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Agosto

- A pesquisadora Raquel Valério Florêncio, da USP, desenvolve tijolo que incorpora em sua composição os resíduos da clarificação de óleos, margarinas e manteigas. O resíduos desse processo contém altas concentrações de níquel que, além de poluente, é de fácil combustão. A melhor proporção obtida foi a adição de 1% do lixo industrial à massa de barro.

- Equipe de pesquisadores brasileiros (Unicamp e USP) e norte-americanos comprova que duas espécies de beija-flor da Mata Atlântica apredem a cantar por imitação e não por instinto, em função de um gene ligado ao comportamento. Eles descobriram sete estruturas encefálicas, pela qual o aprendizado em relação ao som seria semelhante ao do homem. Esse mecanismo só era conhecido até então entre dois grupos de aves, os canoros e os curiós.

- Biólogos e oceanógrafos embarcam no faroleiro Graça Aranha para uma expedição marinha de observação de baleias, no Nordeste. Organizada pelo Ibama, a viagem verifica a ocorrência de baleias desde o Rio Grande do Norte até a Bahia. Os resultados do levantamento servem para subsidiar o governo na elaboração de programas e ações de conservação desses animais. Estudos indicam que o número de baleias no mundo foi reduzido a menos de 5% de sua população original.

- Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolvem estudos para aproveitamento do soro resultante da produção de queijos. O material é, invariavelmente, despejado nos rios sem tratamento, mas por ter uma boa concentração de proteína, lactose, gordura, sais minerais e vitaminas, pode ser aproveitado na fabricação de chocolate, iogurte, sorvete, cremes e sobremesas. A cada mil litros de soro, são gerados 143 litros de concentrado para aproveitamento nesses produtos.

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Setembro

- Em teste na UFPE o chá preto como alternativa para a prevenção da cárie. Os exames indicam que há boa concentração de flúor no chá preto. No entanto, o consumo exagerado pode causar uma doença conhecida como fluorose, que é o excesso de flúor nos dentes. Eles adquirem manchas brancas devido ao problema. O objetivo é chegar a uma composição ideal para o combate à cárie, sem o incoveniente da fluorose.

- Duas unidades da Embrapa (Cerrados e Biotecnologia) selecionam quatro espécies nativas do Cerrado para estudos químicos, biológicos e agroeconômicos. O objetivo é saber exatamente qual o potencial fitoterápico dessas plantas. Sãos elas a arnica, a mama-cadela, a faveira e o ginseng brasileiro. O projeto visa também a preservação das espécies medicinais do bioma, que correm risco de extinção com a expansão de fronteiras agrícolas.

- A descoberta de que o caramujo que abriga o parasita transmissor da esquistossomose é resistente a grandes períodos de seca adiciona informações vitais para o controle da doença. Em estudos de sua tese de doutorado, desenvolvida na USP, Fernanda Ohlweiler, descobriu que o caramujo tem capacidade de paralisar suas atividades metabólicas como se hibernasse até que possa voltar às condições de seu habitat natural, que é de água doce.

- Um polímero semelhante ao encontrado em fraldas descartáveis é o produto que começa a ser pesquisado pela Embrapa para reduzir a quantidade de água usada na irrigação. É o stocksorb, que tem grande capacidade de armazenar água, acumulando-a em forma de gel. O material, na avaliação dos pesquisadores, pode ser uma solução para os períodos longos de estiagem.

- Comprovada pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) a presença de insulina em várias espécies vegetais. Até então, acreditava-se que apenas animais vertebrados possuíam a capacidade de produzir insulina. O feijão-de-porco é um dos vegetais capaz de desenvolver essa substância, deficiente no organismos dos diabéticos, cuja função é controlar os níveis de açúcar na corrente sangüínea.

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Outubro

- Professor da Universidade de Brasília (UnB) comprova que as comunidades indígenas do Brasil falam entre 170 a 180 línguas e dialetos, que constam do acervo mundial de línguas. Na época do descobrimento, as línguas indígenas faladas no país eram mais de mil. No entanto, Aryon Dall'Igna Rodrigues, apontado como um dos maiores especialistas dessa área, constata que a segunda língua mais falada no Brasil é o japonês, utilizada por cerca de 500 mil pessoas.

- Sistema de tratamento para cura do tabagismo com o uso de acupuntura, dentre outras medidas, desenvolvido pela secretaria de Saúde do Distrito Federal, apresenta sucesso de mais de 90%. Para comprovar a eficácia do método, no entanto, ainda é preciso adquirir um equipamento que mede o nível de monóxido de carbono. Com essa análise, será possível verificar se o fumante abandonou realmente o vício.

- Pacientes atendidos com queimaduras, no Hospital das Clínicas de São Paulo, são os primeiros a receber o tratamento com o curativo gelatinoso desenvolvido no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), batizado de Hidrogel. Trata-se de uma membrana constituída de 90% de água e 10% de polímeros sintéticos e naturais que, por estas características, mantêm a umidade do local afetado. Além das funções terapêuticas, o curativo impede a invasão de microorganismos, reduz o processo inflamatório da pele, e ainda alivia a dor. Outra vantagem é que o Hidrogel não gruda na pele, o que facilita as trocas.

- Para combater os nematóides, parasitas que atacam culturas como o pêssego, causando prejuízos na produção, os pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) testam a rotação de culturas. A intenção é a de reduzir o uso de pesticidas altamente tóxicos que, para apresentar eficiência, são aplicados em grandes doses. Esse recurso é amplamente difundido no país. Os pesquisadores atingiram bons resultados no controle do parasita mudando o plantio, com o uso do azevém (espécie de gramínea) e o milheto, para depois retornar ao pêssego. Eles apontam como a maior dificuldade para a introdução desse método a falta de conscientização dos agricultores que se negam a praticar a rotação de culturas.

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Novembro

- Pesquisas do Laboratório de Genética Florestal da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP), constata que a melhor opção para reflorestamento é o uso de sementes variadas de uma mesma espécie e não, apenas, das melhores. Ou seja, o que vale é a variabilidade genética da espécie. É que, tal qual ocorre com o homem, o cruzamento "consangüíneo" vegetal também pode gerar indivíduos defeituosos. Por isso, numa mata virgem é preciso que haja exemplares não-parentes para a propagação das árvores.

- Uma combinação de sementes de várias linhagens das leguminosas forrageiras Stylosanthes capitata e S. macrocephala, feita pela Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), resultou numa terceira leguminosa com alto teor de proteína, entre 18% e 22%. As gramíneas, em geral, possuem teor protéico entre 8% e 14%. Batizada de Multilinha Campo Grande, a leguminosa tem a vantagem de ser fixadora de nitrogênio no solo e na planta. O nitrogênio é essencial para a vitalidade de várias culturas e dificilmente se adere por si só às raízes das plantas. Com isso, há economia com a redução da adubação hidrogenada, além do uso de um "adubo verde", que é a própria Multilinha.

- Avaliar os padrões de medição do aparelho alemão diagnodent é o trabalho desenvolvido pela mestranda em endodontia pela UFPE, Adriana Ribeiro. Fabricado pela indústria alemã Kavo, o aparelho diagnostica a cárie ainda em seu estágio inicial, quando a lesão é facilmente confundida com outras. Com um laser diodo, emitido por uma fibra ótica, o diagnodent identifica a área afetada facilmente, ao destacá-la com uma fluorescência maior. Ao final de seu trabalho, Adriana dirá se o aparelho tem padrões fidedignos de medição.

- Eta Carinae, a maior estrela da Via Láctea, intriga os astrônomos até hoje. Para eles, só o fato dela existir é um mistério. Segundo estudos, estrelas sobrevivem quando têm até cem vezes a massa solar. Eta Carinae tem 120 vezes a massa do Sol. A equipe do cientista Augusto Damineli, do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG), da (USP), estuda o astro e tenta entender porque ele sofre apagões periódicos, outro fato que intriga os astrônomos. Eta Carinae deixa de brilhar o equivalente a 60 sóis num só dia. Damineli tenta comprovar, internacionalmente, sua tese de que, na verdade, Eta Carinae são duas estrelas e não apenas uma.

- O Serviço de Ciência e Tecnologia registra que, em 2001, o ministério da Agricultura e Abastecimento inicia o credenciamento das entidades certificadoras de produtos orgânicos. Essas entidades serão avaliadas por um colegiado estadual e, depois, por um colegiado nacional formado por representantes do governo e organizações não-governamentais que atuem na área de agricultura ecológica. Com a certificação, espera-se que a aceitação dos produtos orgânicos no mercado seja maior.

- Um selim de bicicleta diferente, que proporciona muito mais conforto, é o produto que uma empresa ainda incubada na Universidade de Brasília (UnB) pretende colocar no mercado. A Excentric desenvolveu o selim batizado de Sentta, mais estreito, com volume menor e a projeção frontal comuns aos selins. Os projetistas são os irmãos Flávio e Wagner Duarte. A idéia é baseada no conforto, mas também em estudos clínicos que indicam a relação entre o uso intensivo da bicicleta e a impotência sexual, devido à anatomia desconfortável do selim tradicional.

- A botânica Angela Miranda, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), encontra, em Fernando de Noronha, espécie só vista antes há 113 anos pelo botânico inglês H.N. Ridley, que fez ampla catalogação das espécies vegetais da ilha. É a planta herbácea de nome científico Combretum rupicolum, localizada no Morro do Francês. Acredita-se que a planta encontrada seja o único indivíduo da ilha. Ridley foi o primeiro a publicar a lista florística de Noronha e, agora, Angela fará o mesmo, atualizando os nomes científicos das espécies. Suas coletas ainda estão em andamento e ela pretende publicar o trabalho dentro de um ano.

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Dezembro

- Até 2002, a cidade de São Paulo terá três ônibus ecológicos em circulação. É o coletivo movido a hidrogênio, que, em funcionamento, emite vapor d'água. A novidade faz parte do Projeto de Transporte Coletivo Movido a Hidrogênio, coordenado pelo Ministério das Minas e Energia, em parceria com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo. A tecnologia do veículo consiste em transformar energia química diretamente em energia elétrica, sem haver combustão. Para isso, o ônibus tem células a combustível que são como baterias com dois eletrodos (um positivo e outro negativo), com um condutor eletrolítico entre eles.

- Projeto do Centro de Pesquisas da Eletrobrás (Cepel) e do Núcleo de Serviços Tecnológicos da Fundação Escola Politécnica da Universidade da Bahia leva energia elétrica à base de óleo de dendê à Ilha de Pescaria, a 322 km de Salvador. Hoje, um gerador movido a óleo diesel fornece energia durante quatro horas. Com o projeto, o período de fornecimento de energia aumentará, além de ser uma tecnologia ecológica e barata. Foram investidos R$ 90 mil na primeira fase. A principal fonte econômica da ilha é a pesca, até hoje primitiva e quase exclusivamente de subsistência, porque os pescadores não têm como armazenar o peixe.

- Cientistas do Centro Internacional de Pesquisas e Testes de Raios, em Cachoeira Paulista (SP), conseguem reproduzir dois aios artificiais, em meio a uma tempestade natural. É a primeira vez que se consegue tal feito num país localizado nos trópicos, região do Planeta mais acometida por tempestades de verão, o estopim dos relâmpagos. A expectativa é produzir pelo menos outros vinte raios até o final do verão, entre fevereiro e março. O estudo de relâmpagos é feito por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) - ao qual o centro está ligado - há pelo menos vinte anos. O motivo: o relâmpagos é um fenômeno da natureza que acarreta ao país prejuízos de US$ 200 milhões e provoca entre cem e 200 mortes por ano.

- Cientistas brasileiros se dedicam ao estudo medicinal de animais marinhos e suas toxinas. Alguns deles produzem substâncias anticancerígenas e antitumorais. Uma das instituições que investe neste tipo de pesquisa é o Centro de Biologia Marinha (Cebimar), da USP. Não há fármacos produzidos no país à base de toxinas de animais marinhos, embora no mundo inteiro tenham sido registradas, até agora, mais de 200 patentes de produtos do mar, sendo 70% ligados à área de saúde.

A UFRJ oferece, em seu site, na Internet, um serviço inédito no país: os índices de incidência de raios ultravioleta sobre a superfície terrestre. Os raios são monitorados via satélite. A publicação dos dados tem o intuito de colaborar para a prevenção contra o câncer de pele, mal diretamente associado ao excesso de exposição à luz do sol (devido aos raios ultravioleta - UVB).

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