
Deputado entrega na próxima semana parecer
sobre transgênicos à Comissão Especial
Brasília, 9 (Agência Brasil - ABr) - O relator da Comissão Especial
sobre Alimentos Geneticamente Modificados, deputado Confúcio Moura (PMDB/RO), apresenta,
na próxima semana, parecer sobre os 19 projetos de lei sobre transgênicos que tramitam
na Câmara dos Deputados.
O deputado vai sugerir a criação da Agência Nacional de
Biotecnologia (Anabio), que será responsável pela implementação de políticas na área
de organismos geneticamente modificados (OGMs) e também de genoma e bioprospecção.
Moura acredita que, centralizadas em uma agência, as ações relativas
a transgênicos seriam mais eficazes. Segundo Moura, a falta de clareza sobre
legislação, atribuições e competências provoca a sobreposição de leis tratando do
mesmo assunto. "Para quase todos os projetos de lei sobre transgênicos que tramitam
na Câmara dos Deputados, já há legislação específica", comenta.
Atualmente, pela Lei de Biossegurança, compete à Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança (CTNBio) a emissão de pareceres técnicos sobre qualquer
liberação de transgênicos, além de atribuições relacionadas à biossegurança. A
fiscalização e o monitoramento das atividades com transgênicos compete aos órgãos
fiscalizadores dos ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente.
Rotulagem, moratória e comercialização são alguns dos itens
abordados no relatório de Moura, que levou em conta o direito à informação, garantido
a cada consumidor. Baseado nisso, o deputado propõe a rotulagem nos produtos que
contenham organismos geneticamente modificados. "A discussão sobre o índice mínimo
para rotulagem obrigatória ficará a cargo dos ministérios", informou. Em julho
deste ano, o governo publicou o Decreto 3.871, suspenso pelo Ministério Público Federal,
que fixava em 4% o percentual de alimentos transgênicos que tornaria a rotulagem
obrigatória.
Segundo o deputado, é urgente a definição sobre os organismos
geneticamente modificados no país. "A indecisão está induzindo ao contrabando de
soja transgênica, especialmente da Argentina", comentou. Dados da Associação
Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem) revelam que 30% da soja plantada nos
estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul é Roundap Ready, da Monsanto, modificada
para tornar-se resistente a herbicidas, liberada para plantio na Argentina. "Muitos
agricultores já me disseram que visam ao lucro e adotarão a tecnologia que lhes for mais
rentável", disse o deputado.
Em contrapartida, outros grupos como a Federação de Agricultores do
Paraná, com medo de perder o mercado conquistado na Europa, optaram pela soja
convencional, já que o consumidor europeu não aceita o produto transgênico. "A
liberação do cultivo de organismos geneticamente modificados não implica que toda a
produção brasileira seja desse tipo", argumentou.
A expectativa do deputado é de que seu parecer seja votado pela
comissão antes do recesso parlamentar, previsto inicialmente para 1º de dezembro. A
votação no plenário da Câmara só deve ocorrer no próximo ano. Para o deputado,
enquanto isso, "todas as idéias e sugestões sobre o assunto serão
bem-vindas". (Hebert França) |