Congresso apresenta alternativas em energia elétrica

 

Brasília, 9 (Agência Brasil - ABr) - Futuramente, será possível comprar um gerador que não polui o meio ambiente ou um cartão pré-pago de energia elétrica. Essas tecnologias foram apresentadas, esta semana em Brasília, no 1° Congresso de Inovação Tecnológica em Energia Elétrica, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O congresso teve como objetivo apresentar 60 invenções genuinamente brasileiras.

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) apresentou a célula a combustível de polímero condutor iônico, mais conhecida como "protótipo da célula combustível a hidrogênio". Também foi anunciado que, até o final de 2002, será apresentado o primeiro protótipo de célula de etanol - álcool combustível derivado da cana de açúcar - do mundo.

O equipamento da primeira célula combustível a hidrogênio, desenvolvido com tecnologia nacional, tem capacidade para fornecer 1.000 watts (W). Trata-se de uma grande pilha que produz energia elétrica a partir da reação eletroquímica do hidrogênio com o oxigênio. A pilha contém uma caixa de metal, no interior da qual o oxigênio do ar reage com o hidrogênio armazenado no cilindro.

Segundo José Henrique Diniz, gerente de gestão tecnológica e alternativas energéticas da Cemig, na célula a combustível, os dois elementos (oxigênio e hidrogênio) são separados na molécula de água e, depois, novamente agrupados, para liberar energia e calor. "Funciona como uma bateria", explicou.

O projeto foi desenvolvido pela Cemig em parceria com a Clamper, empresa do setor energético. O equipamento deve ser produzido em escala industrial a partir de 2003. Os testes com o protótipo, que tem dimensões de uma geladeira, começam em janeiro do ano que vem. A pesquisa está orçada em R$ 5 milhões e é desenvolvida também pela Unitech - empresa da área de tecnologia da informação - universidades e pesquisadores.

A célula de etanol é um aparelho silencioso e de fácil manutenção, capaz de extrair hidrogênio diretamente do etanol. O sistema pode ser utilizado em residências, pequenas empresas, hospitais e, principalmente, nos locais onde é muito difícil chegar a energia convencional. "Serve também para empresas que operam equipamentos delicados, de alta precisão e que necessitam de energia de alta confiabilidade", explicou Diniz.

"Apesar do hidrogênio ser uma unidade autônoma de produção de energia elétrica, é um gás. Por isso, não é aconselhável armazená-lo em residências", informou Diniz. A opção pelo etanol se dá pelo fato de o gás ser abundante no país. Além disso, custa até dez vezes menos que o hidrogênio puro, o que viabiliza sua produção em escala comercial.

Segundo o presidente da Clamper, Ailton Ricaldoni Lobo, o custo inicial do equipamento depende da potência, e varia entre US$ 4 mil e US$ 10 mil, o kilowatt. A previsão é de que em cinco anos o valor caia para US$ 1 mil, o kilowatt. "De acordo com uma avaliação preliminar, em 2010 o mercado para células de pequeno porte chegará a US$ 10 bilhões no Brasil", afirmou Lobo. Para Diniz, da Cemig, "futuramente, as casas brasileiras, pequenas e médias, terão energia elétrica gerada pelo 'prosaico' álcool como combustível".

Projetos similares estão em desenvolvimento no mundo, utilizando combustíveis como o propano (gás extraído do petróleo), gás natural e metanol (outro álcool, com uma molécula de carbono).

Outra novidade apresentada foi o "smart card" (cartão inteligente), que permite a adoção do sistema pré-pago no setor energético, alternativa mais econômica do que o sistema atual de leitura nas residências. Mensalmente, um leiturista confere o medidor na residência do usuário e fornece as informações ao departamento de processamento de contas, que envia a fatura ao cliente. esse processo custa à concessionário R$ 1,50 por conta emitida.

Com o "smart card", o consumidor poderá adquirir, por exemplo, R$ 50,00 em crédito de energia em qualquer casa lotérica, banco ou supermercado. O abastecimento do cartão será feito em uma máquina específica. O cartão será inserido em um dispositivo adaptado ao medidor de energia, que transmitirá os dados à distribuidora, para dar início ao fornecimento.

Quando o crédito estiver acabando, será exibido um aviso de que o cartão deve ser recarregado. "Com essa iniciativa, o consumidor poderá saber quanto gasta, minuto por minuto", afirmou Henrique José Ternes, superintendente do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec). (Gabriela do Vale)

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