Filtros cerâmicos são mais eficientes para barrar poluição gerada pela queima de pneus

 

Brasília, 14 (Agência Brasil - ABr) - Resultado de pesquisa do Laboratório de Análise Térmica do Departamento de Metalurgia e de Materiais da Escola Politécnica (Poli), da USP, propõe método mais eficiente e menos agressivo ao meio ambiente para a queima de pneus.

Alternativa mais usual para descarte de pneus, a combustão para geração de energia produz denso volume de material que não se degrada totalmente em curto espaço de tempo permanecendo em suspensão sobre a forma de fuligem e fumaça. Método estudado por Jefferson Caponero, doutorando da Poli, realiza a queima quase completa do resíduo, ao mesmo tempo em que reduz a emissão de poluentes gerando mais energia.

Esse aproveitamento perfeito da energia do pneu é possível pela pirólise - processo em que ocorre a degradação térmica do material com a ausência de oxigênio - combinado com um filtro de carbonato de silício instalado dentro dos fornos.

Por pirólise consegue-se extrair óleo, carvão e gás para serem utilizados como combustível. Não é novidade o emprego desse processo para esses fins. Entretanto, os métodos até então desenvolvidos não conseguiram tornar esses subprodutos competitivos no mercado em comparação aos combustíveis fósseis novos. "Muitas pessoas trabalham com pneus, mas a utilização de filtro cerâmico com variações de temperatura na emissão de poluentes durante o processo de combustão é única no mundo", garante Caponero.

Com os filtros, Caponero chegou a diminuir em 99% a quantidade de fuligem e fumaça. O filtro retém as partículas que poderiam ficar soltas no ambiente em forma de fumaça. As partículas podem, então, ser queimadas e gerar mais energia. "Não se consegue tal resultado com filtros normais, pois queimam a altas temperaturas", afirma o pesquisador.

Caponero utilizou um sistema em dois estágios para aumentar a eficiência da queima dos pneus. Assim, os resíduos em forma de fuligem gerados no primeiro estágio podem ser quase que totalmente queimados no segundo. O índice de aproveitamento é muito alto e a emissão de poluentes torna-se muito baixa. Esta foi uma das preocupações do pesquisador, que passou um período em Boston, nos EUA, para complementar suas experiências. Lá, ele concluiu que a queima pode ser a mais completa possível. É isso que evita danos ambientais. A poluição, quando se queimam pneus, é resultado dos resíduos do processo, que levam muito tempo para se degradar no meio ambiente.

Segundo Caponero, o processo "poderá substituir combustíveis fósseis, que são um problema para o Brasil, país pobre nessa área. Petróleo e carvão mineral são combustíveis fósseis, substituíveis pela queima de pneus com vantagem". A comparação do pneu com o carvão pode demonstrar a viabilidade do projeto. Para o pesquisador, o carvão é caro. "Seu preço unitário é baixo mas, pelo uso em grande quantidade, sai quase tão caro quanto a energia elétrica". Como o pneu velho é normalmente visto como lixo, o seu valor é baixo. "Se conseguirmos um processo de queima do pneu que se equipare em emissões ao carvão, ele ganha mercado", deduz. O método também resulta em gás, óleo e carvão. Estes elementos aumentam as possibilidade energéticas do processo, pois podem servir como combustível para diversos tipos de indústrias.

O estudo ainda está em andamento. Será concluído no início do próximo ano. Mas boa parte dos resultados já podem ser conferidos com o próprio pesquisador, que já atende interessados. (Hebert França com informações da Agência USP)

Para saber mais sobre a reciclagem de pneus: www.radiobras.gov.br/abrn/c&t/1999/materia_030999_2.htm www.radiobras.gov.br/abrn/c&t/1999/materia_200899_1.htm www.radiobras.gov.br/abrn/c&t/1999/materia_200899_3.htm www.radiobras.gov.br/abrn/c&t/1999/materia_200899_2.htm

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