
Fisioterapeuta cria tecnologia para aumentar
volume de chuva
Brasília, 14 (Agência Brasil - ABr) - Uma tecnologia desenvolvida
pelo cientista austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) e estudada no Brasil pelo pesquisador
independente Paulo Eduardo Caetano de Mello pode aumentar o índice pluviométrico nas
regiões semi-áridas. A diferença para as técnicas de tratamento de solos secos já
existentes é a elevação da umidade sem uso da irrigação, método que foi utilizado
por Israel para cultivar tomate no deserto, mas pouco aplicável em terras brasileiras.
Apenas 2% das áreas em situação idêntica oferecem condições para a rega artificial.
O "cloudbusting" consiste na utilização de tubos de metal
fixados no chão capazes de remover a energia negativa estagnada encontrada na atmosfera
que reduz a quantidade de água no ar. Mediante processos de atração, o material, que
precisa estar conectado a uma fonte de água corrente, seja natural ou artificial, suga a
energia dór (deadly orgone), estabilizadora da seca.
De acordo com Mello, que é fisioterapeuta e professor de ergonomia, a
umidade pode crescer de acordo com o objetivo dos que utilizam a técnica. "O aumento
do índice pluviométrico dependerá do tempo de exposição do aparelho, do ângulo em
que está posicionado e da quantidade de tubos utilizados", explica. Os resultados
iniciais surgem entre dois e dez dias depois das primeiras aplicações.
A eliminação periódica da energia estagnada favorece a presença de
água na atmosfera, fator para que a vegetação comece a brotar. Com o surgimento de
árvores, a chuva retorna. Mello diz que a técnica pode ser empregada de forma preventiva
para encurtar o período de secas previsíveis e para a programação da agricultura.
Apesar de não causar nenhum tipo de dano ao meio ambiente, a
aparelhagem necessária para o uso do cloudbusting pode acarretar problemas de saúde,
como infartos, se o operador não usar os equipamentos de segurança, compostos de luvas e
botas grossas e roupas espessas de lã. Além disso, a pessoa deve tomar banhos em
intervalos de 15 minutos a uma hora. "O aparelho gera um campo energético que
contamina a pessoa", explica. Segundo Mello, a possibilidade de problemas é
inexistente se as recomendações forem seguidas.
Os custos para a instalação de uma base de operação giram em torno
de R$ 24 mil. Os primeiros testes no Brasil foram feitos em Nova Olinda, no Ceará, em
1993. "Este trabalho nos deu base técnico-científica para que a continuação das
atividades", diz Mello. Os resultados satisfatórios fizeram com que o método
voltasse a ser empregado, desta vez nas cidades de Crato (CE), Goiânia (GO) e Brasília
(DF). Em Goiás, a umidade dobrou na área estudada, e em Brasília, a utilização dos
aparelhos de forma preventiva permitiu que a chuva viesse pouco após incêndios nas
áreas de reserva ambiental.
A técnica do "cloudbusting" foi desenvolvida por Wilhlem
Reich, discípulo de Freud, que, além da psicanálise, estendeu seus estudos para a
Física. Em 1954, o médico levou os experimentos para o estado de Arizona, nos Estados
Unidos, ocasião em que induziu o esverdeamento de uma área equivalente a 1/3 de Minas
Gerais. Desde então, a tecnologia foi utilizada contra os agentes causadores da chuva
ácida, na Alemanha, e seca, no deserto da Namíbia, localizado no sudoeste da África.
Para o professor, a tecnologia, que rejuvenesce o ambiente, vem
acrescida da oportunidade de revisão dos danos que o homem tem causado à natureza.
"Ainda temos tempo para combater a seca porque ainda não chegamos à fase de
deserto", afirma. Por uma questão filosófica de crença no bem estar social, a
tecnologia está a disposição de quem queira usá-la. "Reich criou uma tecnologia
para a humanidade, por isso ele não a patenteou", argumenta.
Mello apresentou na 3ª feira), na Comissão de Fiscalização e
Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados, um projeto de combate aos processos de seca e
desertificação com o uso do cloudbusting. Ele propôs a instalação de bases em Irecê
(BA) e Cabeceiras (PB), município com o menor índice pluviométrico do país, durante
seis anos. A tecnologia seria aplicada continuamente durante o primeiro, terceiro e quinto
anos. Nos demais períodos, os aparelhos deixariam de funcionar para que os técnicos
analisassem os efeitos progressivos do uso.
Hoje, a Embrapa Semi-Árido e a Comissão Setorial Extraordinária de
Convívio com a Seca e a Exclusão Social, presidida pelo ministro do Desenvolvimento
Agrário, Raul Jungmann, são alguns dos órgãos que têm investido no estudo de
técnicas e políticas governamentais para o desenvolvimento das regiões secas do
Nordeste e Minas Gerais. Seus representantes estiveram na CFFC discutindo a questão com o
cientista. (Fabiana Vasconcelos) |