
Cenargem inaugura dois laboratórios para
biotecnologia
Brasília, 14 (Agência Brasil) - A Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia (Cenargen), unidade localizada em Brasília, inaugurou hoje dois
laboratórios: o de Genoma Funcional (LGF) e o de Visualização de Pragas (LVP). Segundo
o ministro da Agricultura e Abastecimento, Pratini de Moraes, presente à inauguração,
os equipamentos consolidam a liderança da empresa em área estratégicas para o país: a
biotecnologia e a defesa agropecuária
"Com o LVP, o país passa a cobrar, de produtos importados, o
mesmo rigor sanitário exigido dos brasileiros, quando enviados ao exterior",
comentou o ministro. O laboratório centralizará as informações do Sistema de
Visualização de Pragas Quarentenárias (SVPQ), em fase de implantação pelo
Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária do
Ministério da Agricultura.
Cada ponto de entrada de produtos estrangeiros no país (portos,
aeroportos e postos de fronteira) será dotado de um software, desenvolvido em parceria
com a Universidade de Brasília (UnB) e acessível pela internet, que permitirá a
consulta de imagens e informações sobre pragas que podem vir junto de produtos
importados. Caso o usuário suspeite de algum material, poderá fotografá-lo e enviar as
imagens para o LVP, onde especialistas emitirão, em tempo real, parecer e determinarão
os procedimentos a serem adotados.
Segundo a coordenadora do laboratório, Vera Marinho, o maior
hospedeiro de pragas dentre as importações são as embalagens de madeira, que podem
conter ovos de insetos depositados. Durante a inauguração do LVP, a pesquisadora do
Cenargem Vera Villaboim mostrou um pedaço de madeira extraído de uma embalagem
proveniente da Tailândia, há um ano, da qual emergiram, ontem, dois insetos não
existentes no país, que além de se alimentarem de placas de madeira também destrõem
árvores. Softwares do SVPQ já estão instalados nos portos de Santos (SP) e Paranaguá
(PR) e em Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai.
Com o LGF, a Embrapa pretende dar continuidade e incremento às
pesquisas genômicas da instituição. Como afirma o chefe-geral do Cenargen, Luiz
Antônio Barreto de Castro, "o laboratório facilitará a identificação de genes e
a integração das atividades desenvolvidas no centro". Hoje, a Embrapa está
envolvida em três seqüenciamentos genéticos: o genoma funcional de raízes - que busca
identificar os genes de resistência de determinas plantas à seca; o genoma funcional do
carrapato bovino - objetivando o desenvolvimento de um vacina para neutralizar a praga; e
o genoma do fungo da vassoura de bruxa, que ataca o cacaueiro.
Outro estudo em fase embrionária na Embrapa e que também será
beneficiado pelo LGF é o do genoma da banana. Parte de um consórcio internacional
envolvendo quinze países, caberá à empresa, em parceria com a Universidade Católica de
Brasília, o seqüenciamento estrutural e funcional de parte da espécie CalcutáIV,
originária da Ásia, e base para pesquisas de melhoramento da fruta em todo o mundo.
Segundo Manoel Teixeira Souza Júnior, coordenador do projeto, com o
LGF, os projetos desenvolvidos na Embrapa não precisam se preocupar em captar recursos
para a aquisição de máquinas e equipamentos o que os torna mais econômicos e fáceis
de serem aceitos. No "Projeto Estrutural do Genoma da Musa Acuminata" (banana),
entregue ao CNPq, a Embrapa solicita recursos apenas para os reagentes, mão-de-obra e
bolsistas.
O LGF conta um seqüenciador com capacidade para executar mil seqüências diárias,
além de dispor de informações geradas por cinco seqüenciadores instalados em outras
unidades de empresa e interligados em rede. Também foram adquiridas oito máquinas para
extração e preparação de material, um Micro-Arrey (sistema que permite comparar e
analisar seqüências já feitas), e uma dezena de supercomputadores. O laboratório tem,
ainda, um sistema robótico, similar ao que foi utilizado pela Celera no projeto Genoma
Humano, capaz de executar milhares de replicagens (cópias) por hora. (Hebert França) |