Atentados induzem aumento de sintomas fóbicos

 

Brasília, 16 (Agência Brasil - ABr) - O medo de avião, de lugares fechados, do público é um problema que, quando desenvolvido em patamares fóbicos, tende a agravar-se em períodos como o atual, depois dos atentados terroristas contra os Estados Unidos. Para quem já sente medo excessivo de catástrofes, acidentes ou outros acontecimentos em que o perigo é iminente, a ansiedade gerada pela situação tende a exacerbar os sentimentos.

Segundo o psiquiatra e professor da Universidade de Brasília, Eduardo de Sá, situações como os ataques promovidos por Osama Bin Laden não aumentam o número de pessoas com fobia, classificada como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). "O que aumenta é a intensidade dos sintomas", afirma. Isso quer dizer que as características de ansiedade que acompanham o medo - da sensação de tensão, taquicardia, sudorese ao formigamento, náusea, sensação de pressão no peito e dificuldade para respirar - ficam mais fortes.

O médico dá como exemplo as pessoas que sofrem de agorafobia (medo de situações e de ir a locais dos quais não se possa escapar com rapidez se for preciso, como shows e engarrafamentos. "Como ficou este indivíduo depois daquele acidente? Claro que muito mais atento aos lugares que freqüenta, muito mais criterioso e, sem dúvida, muito mais ansioso".

Segundo o médico, os reflexos da insegurança do cidadão norte-americano podem ser observados na economia e nos consultórios. "Por que as ações da American Airlines (empresa dona da aeronave acidentada no último dia 12, dois meses após os atentados) caíram? Não precisa nem ser agorafóbico para ter medo de viajar", lembra Eduardo. No caso do aumento da procura por médicos, o psiquiatra diz que a intensificação da fobia leva mais pessoas a pedir ajuda, e conseqüentemente, o problema passa a ser mais diagnosticado.

De acordo com Sá, apesar do medo excessivo ser um dos distúrbios evidenciados depois de acontecimentos de grande implicação, existem outros problemas recorrentes. "Em pessoas que sobrevivem a acidentes, é comum o transtorno de estresse pós-traumático. É muito provável que vários deles tenham desenvolvido a perturbação, além da agorafobia", avalia.

No transtorno, que não chega a ser um medo irracional como a fobia, o indivíduo revivencia constantemente a tragédia, evitando tudo o que a lembre. "Por último, há um estado de tensão/excitabilidade, caracterizado por dificuldade para dormir, para concentrar-se, irritabiliade, etc", informa.

As fobias podem ser superadas com tratamento psiquiátrico, cuja duração média é de seis meses a dois anos. Se o doente não procura um especialista, o medo excessivo pode se agravar, permanecer estável, e "menos provavelmente" - 11% num estudo de acompanhamento durante cinco anos - desaparecer, diz Eduardo. O descuido com a mente deixa o corpo aberto a outros problemas, como s depressão, abuso de drogas e álcool. "É a forma que essas pessoas encontram para aliviar a tensão causada pelo acontecimento", diz o médico. (Fabiana Vasconcelos)

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