
Fobias específicas chegam a atingir 10% da
população
Brasília, 16 (Agência Brasil - ABr) - O medo é um mecanismo natural
do organismo, destinado a protegê-lo, à medida que "avisa" sobre perigo
iminente. Quando o sentimento ultrapassa os limites de reação a uma ameaça real, no
entanto, torna-se uma fobia, classificada como doença pela Organização Mundial de
Saúde. Segundo o psiquiatra Eduardo de Sá, a fobia é um temor irracional que interfere
na atividade diária, implicando evitação de situações e gerando ansiedade, e está
ligada a associações inadequadas de ameaça a acontecimentos que não possuem a
dimensão de perigo atribuída pelo indivíduo.
As principais fobias são a agorafobia - receio de não poder deixar um
local rapidamente, passar mal e não ser socorrido - as específicas - medo de barata,
avião, carro, altura - e as sociais. As fobias específicas afetam entre 5% e 10% da
população, das sociais, de 2% a 3%.
Eduardo diz que o indivíduo que sofre da fobia social receia passar
vergonha em público. "Eles têm medo de conversar, de comer e até de assinar
cheques na presença de outros", exemplifica. De acordo com estatísticas, essas
pessoas casam-se menos, não crescem profissionalmente na proporção de sua capacidade,
tendem a se suicidar mais, têm poucos amigos e usam mais álcool e drogas.
Segundo o psiquiatra, a possibilidade de que alguém desenvolva uma
fobia depende da genealogia. "Sabemos que pessoas que têm história familiar de
fobias têm três vezes mais chances de apresentar fobia social," explica o médico,
acrescentando que a tendência nas mulheres é mais forte do que nos homens. Para
desencadear a doença, basta uma situação de perturbação. "O
divórcio/separação é considerado um dos principais fatores estressantes", afirma.
As causas dos distúrbios vão do desequilíbrio dos neurotransmissores
a estímulos e reforços externos do medo. O psiquiatra explica que todas as emoções
provocam no cérebro reações químicas envolvendo neurotransmissores como a dopamina,
serotonina e adrenalina.
Para a teoria psicanalítica, que gira em torno da sexualidade e de sua
repressão pela sociedade, as fobias surgem pelo deslocamento, por culpa ou medo, da
energia de Eros. A teoria comportamental centra-se no desenvolvimento da ansiedade em uma
situação que, normalmente, não oferece razões para apreensão. O aparecimento do
problema leva em conta a vulnerabilidade individual, fatores psicológicos, ambiente e
aprendizado.
O tratamento da fobia se baseia na terapia cognitivo-comportamental,
aliada a remédios, como antidepressivos e tranqüilizantes. "Os medicamentos têm
bons efeitos sobre as fobias sociais", diz Eduardo de Sá. O tratamento permite que a
doença saia do círculo vicioso de evitação de situações, que perpetuam o medo,
ajudando o indivíduo a reorganizar seus temores em níveis reais. (Fabiana Vasconcelos) |