Fundação Banco do Brasil cria banco de tecnologias sociais

 

Brasília, 16 (Agência Brasil - ABr) - O termo tecnologia adquiriu uma acepção que a associa a experimentos complexos unicamente aplicados à atividades industrias e empresariais. Entretanto, há tecnologias simples que podem resultar na melhoria de vida de cada um.

No entanto, fome, miséria, mortalidade infantil, evasão escolar, problemas comuns a comunidades distintas do planeta, poderiam, em muitos casos, ser resolvidos com técnicas simples, de baixo custo e fácil implementação de ações baseadas em tecnologia social. O soro caseiro talvez seja a mais difundida dessas tecnologias. Um copo d'água com uma medida de sal e outra de açúcar é uma das mais eficientes armas para o combate da desidratação infantil.

Com o objetivo de promover e difundir essas técnicas e práticas, a Fundação Banco do Brasil (FBB) montou um Banco de Tecnologias Sociais. Trata-se de uma base de dados em que estão cadastradas 128 iniciativas já aplicadas e com resultados comprovados que proporcionam a melhoria das condições de vida das população atendidas. As tecnologias foram selecionadas através do Prêmio Tecnologia Social 2001, entregue na semana passada.

Entre 523 inscritos, foram premiados, com R$ 50 mil cada, três trabalhos: o Projeto Pescar, desenvolvido no Rio Grande do Sul pela Fundação Projeto Pescar; o Projeto Habitacional Cajuru, da Prefeitura Municipal de Sacramento/MG e o Projeto Sistema PCHS na Aqüicultura, da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba. Além do prêmio para aplicação no próprio projeto, os coordenadores irão a Paris apresentar suas experiências em evento da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O Projeto Habitacional Cajuru tem por finalidade reduzir o déficit habitacional no município de Sacramento (MG). Consiste em mobilizar a para construir, em regime de mutirão, suas casas. Segundo Sérgio Alves de Araújo, coordenador do projeto, já foram

construídas mais de 200 casas com o tijolo ecológico ou modular solo-cimento.

O solo-cimento já é utilizado como material para construção de moradias há séculos. Com a adição do cimento, essa massa fica mais resistente, diminuindo a quantidade de matérial necessário para construir uma casa. O tijolo pode ser produzido por prensagem, dispensando a queima, pela própria comunidade, no local onde será utilizado, reduzindo custos com transporte. Essas características deram ao projeto o prêmio de tecnologia social.

As casas têm sala, cozinha, banheiro e dois quartos, num total de 43 metros quadrados, custam R$ 4 mil e, para financiá-las, o município criou um fundo habitacional. Para Araújo, tão importante quanto o prêmio é a credibilidade adquirida pelo projeto. "Será mais fácil conseguir parceiros", analisa.

O projeto Sistema PCHS (peixe/camarão/halófitas/sal) na Aqüicultura utiliza o rejeito da dessalinização para a criação de tilápia rosa e camarão branco e na produção maracujá, coco e erva de sal ou atriplex (planta australiana rica em proteínas, utilizada na alimentação de caprinos). É uma tecnologia que contribui para gerar alimento, trabalho e renda para a população de Campina Grande, na Paraíba.

A proposta do Projeto Pescar é abrir escolas dentro de empresas, capacitando-as a conduzir e administrar um espaço para educação e qualificação profissional de adolescentes de baixa renda. Até o momento, a fundação conta com uma rede de 38 escolas situadas em cinco estados brasileiros. Esta franquia social foi desenvolvida a partir de uma estratégia de sensibilização de empresários que ajudam gratuitamente a comunidade. Mais de 5,2 mil alunos já foram beneficiados, sendo que 80% deles estão empregados.

Heloisa Helena Silva de Oliveira, presidenta da Fundação Banco do Brasil, define a tecnologia social como "o conhecimento popular inspirando a curiosidade e a pesquisa científica". A FBB pretende editar o prêmio a cada dois anos. (Hebert França)

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