Mercado procura profissionais em bioinformática

 

Brasília, 16 (Agência Brasil - ABr) - A era genômica continua produzindo mudanças na pesquisa científica. Entre as novas necessidades geradas está o desenvolvimento de ferramentas de informática específicas à análise das seqüências.

Para que se converta em efetivo benefício para a sociedade, a informação genética, contida nas seqüências de bases de DNA, precisa ser processada, analisada, comparada e armazenada. Combinando conceitos de biologia e informática, a bioinformática, fornece os meios para o desenvolvimento de aplicativos.

Com o conhecimentos dos profissionais em informática na construção de algorítmos computacionais (seqüência de instruções ordenadas de forma lógica para a resolução de uma determinada tarefa ou problema) é possível elaborar ferramentas que ajudem a suprar as necessidades dos biólogos quanto ao estudo de estruturação dos genes.

No Brasil, a maioria das pesquisas com genoma são sustentadas por aplicativos desenvolvidas no exterior, mas de domínio público, adaptadas às realidades nacionais. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) percebendo a necessidade de reversão do quadro selecionou recentemente 28 projetos em bioinformática para financiamento.

"A sinergia entre a biologia e a informática é que propiciará o desenvolvimento de ferramentas específicas à pesquisa genômica no país", diz Georgios Joannis Pappas Júnior, coordenador de um dos projetos em bioinformática selecionados, que integra a Universidade Católica de Brasília (UCB), Universidade de Brasília (UnB) e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen).

Como os demais projetos, o realizado por instituições de Brasília também visa a criar ferramentas para dar suporte às pesquisas genômicas no país e capacitar profissionais. Segundo Pappas Júnior, a bioinformática contribui no genoma gerando softwares específicos à pesquisa, fornecendo profissionais para o suporte operacional e criando algorítmos para a racionalizar o projeto.

Centralizado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o projeto coordenado pela professora Kátia S. Guimarães, "DNA Prospect - Computação para Genoma, Proteoma e Moleculoma", também tem como objetivo principal a formação de recursos humanos na área de bioinformática. "Para isso, pretendemos oferecer cursos de curta duração, promover a visita de pesquisadores estrangeiros e orientar alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado", diz a professora.

Uma das áreas prioritárias dos projetos será a de produção de softwares para armazenagem e monitoramento de dados. Segundo Pappas Júnior, um dos desdobramentos dos projetos será a elaboração de um portal de bioinformática que centralizará os dados das pesquisas genômicas. "Com os projetos, o Brasil estará mais próximo da auto-suficiência em biotecnologia", analisa.

A bioinformática é uma das áreas de maior carência de profissionais no mundo e, em conseqüência, uma das que oferece os melhores salários. O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis/RJ, está montando a primeira turma para o curso de pós-graduação "lato sensu" em bioinformática para o próximo semestre, as inscrições estão abertas. A UCB oferece a disciplina no curso de Mestrado, "stricto sensu", em Biotecnologia Genômica.

Os projetos em bioinformática financiados pelo CNPq têm duração de dois anos. Os recursos variam entre R$ 45 mil e R$ 400 mil e serão liberados ainda este mês. (Hebert França)

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