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Pista de dinossauro
do período cretáceo, datada de 140 milhões de anos, encontrada em Sousa (PB), no Parque
Vale dos Dinossauros |
Brasília, 19 (Agência Brasil - ABr) - O fóssil é a
única forma de se comprovar a existência de algum animal em outras eras já que, por
definição, é o resto ou vestígio de seres orgânicos que deixaram suas impressões nas
rochas da crosta terrestre. Assim, em locais onde há rochas sedimentares com a mesma
idade dos dinossauros é possível encontrar fósseis desses répteis.
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| Conífera com 100 milhões de anos encontrada em Crato (CE).É a
espécie de vegetal mais comum no tempo dos dinossauros |
Para auxiliar o posicionamento temporal das rochas e
fósseis, pode ser feita uma datação baseada na análise do pólen ou de
esporos(estruturas reprodutivas de fungos) fossilizados.
O Brasil, por apresentar grandes bacias sedimentares, é considerado um
país de razoável patrimônio fóssil. Há sítios paleontológicos de norte a sul,
alguns descobertos há quase cem anos e outros mais recentes. O paleontógo Ismar de Souza
Carvalho, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriu,
entre os anos de 91 e 92 nas praias ao norte da ilha de São Luís e na Praia da Baronesa,
perto de Alcântara, Maranhão, pegadas de dinossauros.
É também no Maranhão que se localiza a maior ocorrência aflorante
de fósseis de dinossauros no Brasil, a "Laje do Coringa", que fica na costa
oeste da Ilha do Cajual, na baía de São Marcos, perto de São Luís. Ela foi descoberta
em 1994 pelo geólogo Francisco José Corrêa Martins, da UFRJ e Ministério do Exército,
através da análise de imagens de satélite e fotografias aéreas. O trabalho de Corrêa
Martins resultou em um mapa geológico detalhado da região, que vem sendo utilizado por
outros pesquisadores.
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| Crânio de um crocodilo que viveu no tempo dos dinossauros, encontrado
em Itapecu-Mirim (MA) |
No Acre, há registro de fósseis de um crocodilo
gigante. Em São Paulo, há várias localidades como Monte Alto, Marília, Presidente
Prudente e Álvares Machado. São sítios registrados na bacia do Paraná. Bem perto
desses municípios, está o sítio de Peirópolis (MG), cidade a 25 Km de Uberaba, no
Triângulo Mineiro. Lá, há um museu temático exclusivo de dinossauros, cuja atividade
agrega o trabalho de quase 300 moradores.
A história da cidade é tão interessante quanto o próprio museu. Há
mais de 20 anos, a atividade econômica que imperava era a exploração de calcáreo. As
pedreiras traziam grande prejuízo ambiental, como a poluição da água e a densa
quantidade de poeira em suspensão. A população tentou, por várias vezes, sem sucesso,
a paralisação da pedreira. Eles se juntaram, unidos numa associação de moradores, a
uma organização não-governamental ambiental e propuseram à prefeitura que se fosse
encontrado um fóssil (já se tinha notícia da descoberta de ossadas), a pedreira
encerraria suas atividades. Foi preciso, no entanto, que um juiz, no início da década de
80, embargasse a atividade.
A prefeitura investiu na construção do museu e no treinamento de
funcionários. A atividade cresceu de tal forma que está ligada à cooperativas de doces
e guloseimas, envolvendo 300 empregos diretos e indiretos. "O retorno financeiro da
visitação é maior", registra Ismar de Souza Carvalho. É de Peirópolis a única
ocorrência de ovos de dinossauros fossilizados, de terópodes. O paleontólogo lista
ainda Monte Alto, em São Paulo, cidade de 10 mil habitantes que também tem um museu
temático. "O museu tem uma visitação de duas mil pessoas por mês e um trabalho
educativo muito interessante".
Especialista em Cretáceo, Ismar Carvalho considera os depósitos
fossilíferos de Crato, no Ceará, extremamente ricos em fósseis desse período. "Os
melhores afloramentos do cretáceo provavelmente estejam no Cariri", postula. Há em
Santana do Cariri um dos mais modernos museus de fósseis, segundo sua avaliação. São
750 peças de fósseis de dinossauros, pterossauros, insetos, flores, plantas e aranhas. A
concepção é de Maria Elisa Costa, filha do arquiteto Lúcio Costa, e de Marcelo Suzuki.
Outro sítio destacado pelo pesquisador é o de Mata, no Rio Grande do
Sul, município próximo a Santa Maria. Ali, está um dos maiores depósitos de floresta
petrificada, que durante uma época esteve comprometido devido à atividade intensa de
mineradoras na região. No local, um padre, hoje com quase 90 anos de idade, o italiano
Daniel Cargnin, foi o responsável pela preservação dos fósseis. "Ele brigou com
todo mundo até que as mineradoras foram saindo e ainda conseguiu que se preservasse uma
grande área", conta Ismar.
Há bons depósitos de coprólitos, que são fezes fósseis, em
Uberaba, Monte Alto e Marília. Esse material é uma boa fonte de pesquisa sobre os
hábitos alimentares dos animais a que pertenceram e, conseqüentemente, dão pistas sobre
a cadeia alimentar (ou seja, que organismo servia de alimento para outro).
Ainda no Nordeste, Ismar destaca o imenso sítio paleontológico, que
engloba as bacias de Sousa, Uiraúna, Brejo-da-Freira, Pombal (PB), e Cedro e Araripe
(CE). É a maior ocorrência de pegadas de dinossauros, com milhares de pegadas já
mapeadas, embora nem todas descritas. Em Sousa, foi fundado em julho de 1998 o Parque Vale
dos Dinossauros que, desde então, já recebeu 45 mil pessoas, segundo seu coordenador,
Robson de Araújo Marques.
Há um museu no parque, com material educativo e algumas réplicas de
dinossauros. O público visita as pegadas em passarelas suspensas, construídas para que
ninguém pise na área fossilizada. "Recebemos visitas até de estrangeiros",
conta Robson de Araújo.
É na Ilha do Cajual, onde fica a Laje do Coringa, no entanto, onde
está a maior concentração de fósseis de dinossauros por metro quadrado. "Há
tantos fósseis que quase não existe rocha, é quase tudo camada de areia e ossos",
conta Ismar Carvalho. A superfície de exposição é de, no máximo quatro quilômetros,
segundo avaliação do paleontólogo, no entanto, os pesquisadores têm retirado toneladas
de fósseis.
Santana do Cariri, Sousa, Monte Alto, Peirópolis. Cidades pequenas,
fora do centro detentor de conhecimento. Ismar vê com entusiasmo essa característica
positiva da evolução da paleontologia no Brasil. "É uma ação peculiar essa a de
descentralizar a detenção do conhecimento, que sai dos grandes centros urbanos e vai
para o interior", observa.
Devido à importância científica das jazidas fossilíferas, há um
grupo de pesquisadores preocupados com sua preservação. Há cerca de dois anos, formaram
a Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (Sigep), que deve
encaminhar ainda este ano uma lista com os sítios nacionais que poderiam se candidatar ao
título de patrimônio mundial, dado pela Unesco (agência da ONU para educação,
ciência e cultura).
Segundo Diógenes de Almeida Campos, que preside a comissão, ainda
este ano será publicado um livro com 70 sítios. A obra trará fotos, métodos usados
para preservação, descrição suscinta do sítio e o que representa na história da
evolução da Terra, além de quais critérios são adotados para que seja caracterizado
como sítio geológico.
O objetivo, com o livro, é chamar atenção das autoridades
para a importância da preservação dos sítios. "Conservá-los
é fundamental devido ao interesse científico e até mesmo turístico.
Afinal, muitos se tornam ponto de visitação e é preciso que
as pessoas saibam fazer o turismo científico com cuidado",
observa Diógenes Campos. Até hoje, o título de Patrimônio Mundial
só foi dado ao Pantanal, enquanto ecossistema de áreas inundadas
e as Cataratas do Iguaçu, devido seu valor ambiental. (Lana
Cristina/Fotos: Divulgação)