
Falta de manutenção contribui para
desperdício de combustível
Brasília, 21 (Agência Brasil - ABr) - Dentre todos os meios de
transporte, o fluvial, caracterizado pela movimentação a baixa velocidade de cargas
volumosas de pouco valor agregado, tem sido o mais indicado para trajetos com distância
superior a 1.200 km pelo fato de consumir menos combustível. Um conjunto de barcaças,
por exemplo, consome menos da metade do combustível usado por um comboio ferroviário, em
condições semelhantes de carga e distância.
A utilização das hidrovias para o escoamento da produção industrial
e agrícola e movimentação de passageiros em longas distâncias representaria, desse
modo, grande economia de combustível, em particular do óleo diesel, empregado no
deslocamento rodoviário. Na maioria das vezes, o diesel dos caminhões e ônibus é
desperdiçado pela não regulagem dos motores e pela direção dispendiosa.
Em busca do uso racional de combustível, a Confederação Nacional do
Transporte (CNT) em parceria com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobrás criaram,
em 1997, o Projeto Economizar. No programa, técnicos do Instituto de Desenvolvimento,
Assistência Técnica e Qualidade em Transporte (Idaq) e da Petrobrás fazem visitas
periódicas gratuitas às empresas de transporte rodoviário para orientação de
motoristas e operadores de bombas de combustível sobre o uso e conservação do óleo
diesel, que representa cerca de 50% da produção de derivados de petróleo no país, de
acordo com a CNT.
Como conseqüência da redução do consumo do diesel, o Economizar
conseguiu abaixar custos operacionais do setor e, até mesmo, controlar os níveis de
emissão de fumaça. Hoje, 16 estados e o Distrito Federal já implantaram o projeto por
meio do Idaq, entidade da CNT.
Primeiro estado a implantar o projeto, o Espírito Santo (ES) se
destaca no cenário nacional com os resultados obtidos, entre os quais a conquista do
Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Combustível, concedido pela CNT, por
empresas capixabas integradas à Federação das Empresas de Transportes Rodoviários dos
Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro (Fetransportes). No final de 2000, o índice
de veículos incluídos no padrão adequado foi de 79,3%. De acordo com João Carlos
Fernandes, coordenador do Economizar no ES, o uso racional do diesel ajudou a diminuir a
poluição causada por fumaça. "O crescimento do número de veículos que emitem
fumaça dentro do padrão recomendado pelos técnicos promove uma melhoria significativa
na qualidade do ar", comemora.
Para a Federação das Empresas de Transportes Rodoviários dos Estados
do Ceará, Piauí e Maranhão (Cepimar), a meta é reduzir, em um prazo de dois a cinco
anos, cerca de 13% do consumo específico de óleo diesel. "Nosso objetivo é cada
vez mais conscientizar os empresários do setor dos transportes para a importância da
redução dos custos por meio da economia de combustível", avalia o engenheiro
mecânico Altair Bezerra, coordenador do projeto na Cepimar.
Nesse âmbito, palestras educativas são ministradas nos três estados
para os profissionais envolvidos no setor. Nos encontros, eles são orientados como
dirigir com economia e sem desperdício, a desligar o motor em paradas acima de dois
minutos, não esticar a marcha e calibrar os pneus semanalmente. A fumaça é outro
tópico freqüente, já que todo ônibus e caminhão têm de liberar fumaça, cuja cor
ideal é o cinza claro. "A partir do momento que a fumaça assume outra coloração,
como preta, azul ou branca, o motor está desregulado", ensina Bezerra. "Só
corrigindo os veículos, podemos combater o desperdício de combustível e óleo
lubrificante, peças-chave do sistema rodoviário", completa. (Julia Segatto) |