
Procedimentos padronizados no atacado evitam
perda no varejo
Brasília, 21 (Agência Brasil - ABr) - No varejo estão concentradas
as maiores perdas de alimentos, segundo o engenheiro agrônomo da Companhia de Entrepostos
e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) Gabriel Bitencourt. Alguns dos fatores
envolvidos nas perdas são de resolução simples. Um exemplo é a altura das pilhas de
frutas e verduras feitas nas bancadas dos supermercados, que, se reduzidas, evitam a queda
das unidades e seu conseqüente ferimento. Outro, mais complexo, mas solucionável com a
classificação e a padronização, é a mistura de diversos produtos da mesma espécie em
um único lote.
Quando um empregado abre uma caixa para reabastecer as bancas de batata
que estão à disposição do consumidor, por exemplo, joga no mesmo monte tubérculos
pequenos, grandes, machucados e íntegros. Como a qualidade das batatas não é similar
entre si, o manejo na pilha aumenta para que os compradores escolham os melhores
exemplares. E quanto maior a manipulação, mais alta é a possibilidade dos produtos
sofrerem injúrias mecânicas, e mais elevadas são as perdas.
O problema seria evitado se na caixa usada pelo funcionário houvesse
produtos homogêneos, o que tem sido buscado por meio de uma ação operacionalizada pela
Ceagesp desde 1997, dentro do Programa de Melhoria dos Padrões Comerciais e Embalagens de
Hortifrutigranjeiros, cujo desenvolvimento foi feito em conjunto com a Secretaria de
Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
Equipes de trabalho criadas dentro do programa estudam em que grupo,
classe e tipo encaixar diversidades de frutas, verduras e legumes. "As normas de
qualidade, padronização e classificação são nada mais que a caracterização
mensurável do produto, sempre baseada em parâmetros que podem ser medidos", afirma
Bitencourt. O grupo define a variedade do produto (laranja lima X laranja pêra); a
classe, o tamanho (mesmo comprimento, no caso de cenouras, ou diâmetro, no caso de
tomates), e o tipo, a quantidade de defeitos (leves, graves).
O engenheiro exemplifica com o caso do pêssego. Os grandes e com a
pele de cor igual podem ser distribuídos para um supermercado de luxo, enquanto os
grandes, mas manchados, que não tem o mesmo apelo visual, são mais apropriadas às
indústrias de compotas. "Classificando, você direciona cada produto para o seu
nicho mais adequado", assinala.
Outro caso é dado pelo pimentão. Segundo Bitencourt, 30% deles nascem
tortos. Como o preço do produto na venda direta para o consumidor cai por conta do
formato assimétrico, é vantajoso comercializar esse vegetal para a cozinha de um
restaurante chinês que o usará em pedaços para preparar um frango xadrez (prato da
culinária chinesa), enquanto o vegetal em perfeitas condições atende melhor o varejo.
Até o momento existem normas para alface, berinjela, cenoura,
couve-flor, pimentão, tomate, banana Cavendish, goiaba, laranja, limão, pêssego,
nectarina, tangerinas, uva fina, uva rústica, maracujá azedo, cebola e kiwi, de acordo
com Bitencourt. Há ainda grupos de trabalho, que surgem de acordo com a participação
dos grupos expressivos de produção, trabalhando sobre a abobrinha, pepino, quiabo e
morango.
O engenheiro conta que o programa resultou da conclusão de que
"os dois principais gargalos para o desenvolvimento do setor hortifrutícola são a
falta de normas e padronização, e as embalagens inadequadas que temos e as terríveis
conseqüências logísticas do seu uso". A caracterização dos produtos facilita
ainda a compra e venda por telefone, leilões, bolsas de mercadorias e internet.
"Em comum, todos esses métodos modernos de se comercializar
exigem a caracterização do produto sem a sua presença física, confiabilidade,
transparência e a possibilidade de arbitragem", requisitos que são satisfeitos pela
adoção das normas construídas pelo programa. (Fabiana Vasconcelos) |