
Embalagens desenvolvidas pela Embrapa reduzem o
desperdício
Brasília, 21 (Agência Brasil - ABr) - Quem já visitou um entreposto
de armazenamento de frutas e verduras, ou presenciou a remoção de mercadorias para a
venda em supermercados e sacolões, provavelmente conhece a "caixa K", um
recipiente de madeira nos quais são transportados produtos agrícolas. Originalmente
empregada para carregar querosene na Segunda Guerra Mundial, a caixa K ainda hoje é usada
para transporte de outros conteúdos.
Para a engenheira agrônoma da Embrapa Hortaliças, em Brasília, Rita
Luengo, são embalagens inadequadas, como os recipientes de madeira, que ajudam a elevar a
perda de hortifrutigranjeiros no trajeto entre o produtor e o consumidor a valores entre
20% e 30%. Em setembro de 1999 a Embrapa lançou uma caixa especial que reduz o
desperdício de tomate e pimentão, e desde então desenvolve outras tantas. "O nosso
projeto cresceu e hoje temos uma família de quatro embalagens (que ainda não estão em
fase comercial) para as 82 espécies de hortaliças e frutas", comemora Rita.
As caixas estudadas pela Embrapa são feitas de plástico, têm cantos
arredondados e dimensões que facilitam a montagem de um palete (prateleira de madeira
sobre a qual se empilham cargas). A de pimentão e tomate tem 50 cm de comprimento, 23 cm
de altura, 30 cm de largura e capacidade de 6,5 Kg. As vantagens trazidas pelo material e
pelo layout são a retornabilidade do produto (a embalagem é utilizável desde a
produção à comercialização), facilidade de higienização e possibilidade de
auto-exposição e a maior conservação do que é carregado. "As perdas são
reduzidas em, pelo menos, 15%", informa Rita.
Nas embalagens de madeira, o número excessivo de camadas que podem ser
feitas com o produto e a superfície áspera da caixa causam o que a pesquisadora chama de
injúria mecânica dos alimentos: eles sofrem cortes, amassados e arranhados. A
conseqüência é o descarte de batata, couve e maçã pelos atacadistas e varejistas, e a
discriminação pelos compradores dos vegetais e frutos colocados à venda.
"Poderíamos ter uma quantidade maior de produtos disponíveis se
evitássemos as perdas", lembra Rita. Outra desvantagem das caixas de madeira é a
possibilidade de contaminação. Como são de difícil higienização, os fragmentos de um
produto estragado continuam no local após o descarregamento, favorecendo a passagem de
microorganismos nocivos ao novo conteúdo.
As novidades trazidas pela Embrapa atendem as exigências que devem
ocorrer na Portaria 127/91, do Ministério da Agricultura, que é a legislação que
regulamenta embalagens de hortaliças e frutas no país. Uma delas é a obrigatoriedade de
que as embalagens sejam paletizáveis, isto é, as medidas externas sejam submúltiplos do
palete padrão brasileiro, que mede 1m x 1,20m, tornando o sistema de carga e descarga
mais eficiente. "Na família desenvolvida pela Embrapa, as embalagens são
intercaixáveis, o que possibilita trabalhar com muitos produtos ao mesmo tempo,
conseguindo uma carga mista e organizada", explica Rita. "Uma caixa de alface,
por exemplo, acomoda duas de tomate" diz ela.
Outra mudança prevista é a higienização das embalagens quando essas
forem retornáveis. A caixa criada pela Embrapa para tomate e pimentão, por exemplo, é
de plástico, o que facilita a sua limpeza. Provavelmente, ainda será necessária a
rotulagem, informando o produto, sua origem e a quantidade transportada. (Fabiana
Vasconcelos) |