Pesquisador investiga consciência em outros animais

 

Brasília, 23 (Agência Brasil - ABr) - Um preconceito originado na Idade Média e largamente disseminado em desenhos infantis, como Tom e Jerry ou Piu-Piu e Frajola, mostra o gato como mau, agressivo e vingativo. "Preconceitos são difíceis de cair. Talvez a ciência, em conjunto com a mídia, possam alterar isso, com mais divulgação de estudos", opina Carlos C. Alberts, pesquisador da Unesp. Estudos como o dele próprio tentam descobrir se os gatos são capazes de elaborar e premeditar conscientemente respostas a agressões.

Tendência recente investiga a existência da consciência em outros animais além do homem. "Na verdade, a consciência entre outros animais que não o homem foi um grande tabu científico durante a maior parte do século XX", afirma Alberts. "O que pesquisas como a minha tentam fazer é quebrar um tabu, algo que a Ciência não deveria abrigar".

A descoberta da consciência em outros seres pode revolucionar o campo da experimentação animal. Excluído da esfera moral, ao longo da história, por antigos filósofos como Aristóteles, o animal de laboratório deve passar a ter direitos e os cientistas a ter deveres, fiscalizados pela Bioética e pela preocupação da sociedade global com o bem-estar animal.

Para a veterinária Rita Paixão, especialista em Bioética aplicada a animais de laboratório, muitos cientistas concordam que os animais vertebrados têm graus diferenciados de consciência, mas que a existência ou ausência de razão não deve ser o único critério a ser considerado na decisão de empregar animais nos testes laboratoriais. "O que importa à maioria dos pesquisadores é a capacidade de sentir dor e prazer, o que chamamos de sensciência ou nível mínimo de consciência", esclarece a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Segundo Rita, os animais são vistos, hoje, como uma máquina na área de experimentação. "Os alunos de Veterinária e futuros cientistas são ensinados a não ter pena do animal", declara. Esse quadro, para a professora, pode ser mudado com a conscientização dos estudiosos e com a criação de uma legislação do bem-estar animal, que engloba o desenvolvimento de métodos alternativos de experimentação, como as simulações em computador - movimento crescente no mundo inteiro - ou o uso de tecidos de cultura de células obtidos em laboratórios, como já fazem algumas indústrias de cosméticos. (Julia Segatto)

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