
Sociedade Brasileira de
Urologia condena faloplastia
Brasília, 12 (Agência Brasil ABr) A
ciência ainda não tem resposta para uma das mais antigas obsessões masculinas, o
aumento do pênis. Isso é o que afirmam os cerca de três mil urologistas associados à
Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Para alertar a população sobre os riscos que envolvem as cirurgias e outras técnicas
para aumento peniano, a SBU lançou uma campanha de esclarecimento. Segundo Eric Roger
Wroclawski, presidente da entidade, alguns cirurgiões têm vindo a público divulgar as
cirurgias de faloplastia como sendo algo "fácil, recompensador e isento de
riscos". Todavia, o médico adverte que "até hoje não há nenhum trabalho
científico publicado que comprove isso".
Conforme dados divulgados por Sidney Glina, presidente da Sociedade Internacional para o
Estudo da Sexualidade e Impotência, desde 1966 apenas 118 trabalhos sobre aumento de
pênis foram apresentados em publicações científicas reconhecidas. Desses, 110 versavam
sobre situações patológicas (doenças), cinco sobre problemas decorrentes da
faloplastia e apenas um apresentava resultados positivos, porém não conclusivos.
Essa informação é contestada pelo andrologista Bayard Fischer Santos, presidente da
Sociedade Gaúcha de Andrologia (SGA) e autor do livro "A medida do homem",
lançado há dois anos e já na décima edição. Segundo ele, mais de mil trabalhos
científicos tratando de cirurgia para aumento de pênis já foram publicados.
Realizando mensalmente, em média, quinze cirurgias para aumento do membro, em São Paulo
e Porto Alegre, Santos acredita que os urologistas estão discutindo um assunto que não
dominam. "Está havendo um problema de eixo. Essa é uma cirurgia plástica e só
porque envolve o órgão genital masculino não quer dizer que seja exclusividade de
urologistas. Seria algo como os neurologistas discutirem os implantes de cabelo só porque
são realizados na cabeça", analisa Santos.
A liberdade sobre o próprio corpo é a principal justificativa dos especialistas que
realizam a faloplastia. "O atual estágio da cirurgia plástica possibilita a
auto-aceitação da pessoa com ela mesma, efetuando verdadeiros milagres. Como cinicamente
queremos negar a importância deste fato novo do homem poder decidir as dimensões do seu
falo?", argumenta Santos.
No entanto, afirmam alguns urologistas, o número de pacientes mutilados por cirurgias de
aumento de pênis é considerável. "Regularmente recebo pacientes com seqüelas de
faloplastia que alegam que se soubessem dos riscos não teriam feito a cirurgia",
informa Glina. O caso mais grave tratado pelo médico foi de um paciente que o procurou
após uma cirurgia para aumento do pênis com deformações anatômicas e problemas de
ereção. Mesmo após tratamento, que conseguiu reverter parte dos danos causados pelo
procedimento, o homem se suicidou.
A questão sobre as cirurgias de aumento peniano voltou à tona em novembro último,
quando a Justiça Federal derrubou, em primeira instância, resolução do Conselho
Federal de Medicina (CFM) que considerava essa técnica cirúrgica como experimental. A
justificativa para a decisão foi que o CFM é um órgão fiscalizador e que a
competência para definir os procedimentos cirúrgicos é do Ministério da Saúde.
Até então, a faloplastia só poderia ser realizada em caráter experimental, com
voluntários, gratuitamente e após a aprovação por um conselho de ética. O pedido para
que a resolução fosse anulada foi solicitado pela SGA que, além de questionar os
problemas relacionados ao mérito, também alega que a técnica é aplicada em vários
países. Já a SBU informa que a operação é condenada por grande parte das entidades
internacionais de urologia. A questão, acfreditam profissionais da saúde, ainda deve se
arrastar alguns anos pelos tribunais. (Hebert França) |