s usuários da Internet que utilizam suas linhas telefônicas para
transmissão e recepção de informações, se defrontam diariamente com a lentidão de
troca de dados com o provedor, devido principalmente às limitações da rede telefônica.
Esta não foi projetada para transmissão de dados em alta velocidade como a Internet
exige e aceita uma taxa de transmissão de bits de no máximo 56kbps (quilobits por
segundo), que se consegue quando são utilizados os modems de 56k. Mesmo assim, nem sempre
se consegue esta velocidade. Tudo depende da qualidade da linha que está sendo utilizada,
do caminho percorrido pelo sinal da residência do usuário até o provedor e vice versa,
do tipo da central telefônica associada ao telefone do usuário (se analógica ou
digital), pois caso contrário se consegue no máximo 33,6kbps (que é a velocidade dos
modems de 33,6k).
Para complicar ainda mais a situação, a linha telefônica permanece
ocupada durante a utilização da Internet pelo usuário, impedindo que este possa receber
ou efetuar chamadas utilizando seu aparelho telefônico.
Diversas soluções foram propostas para contornar esses problemas,
como a troca da rede telefônica convencional (e de seus pares de fios trançados) por
sistemas de Tv a cabo (com seus cabos coaxiais), ou a instalação de uma rede de cabos de
fibra óptica interligando os usuários da Internet. Porém, estas soluções implicam em
custos elevados e em longo tempo de espera para implantação. Desta forma, seria mais
adequado tentar contornar os problemas apresentados pela rede telefônica convencional, de
forma a se aproveitar toda a infra-estrutura existente com um acréscimo mínimo nos
custos. Felizmente a solução já existe e se chama ADSL.
A ADSL é uma técnica de codificação de sinais (hoje um padrão
mundial) surgida nos anos 90, que possibilita a transmissão de dados em alta velocidade
pela linha telefônica convencional (o par de fios trançados que conecta o usuário à
central telefônica). Inicialmente, esta técnica foi utilizada para transmitir sinais de
vídeo em linhas telefônicas. Este tipo de transmissão era realizado da central
telefônica para o usuário de forma que a comunicação central/usuário mais se
assemelhava a uma comunicação de uma só via. Devido a isto, reservou-se um maior
número de canais ou faixas de freqüências para o sinal codificado transmitido da
central telefônica para o usuário, de forma a se conseguir uma velocidade de até 6
milhões de bits por segundo e consequentemente reservou-se um menor número de canais
para o sinal codificado transmitido em sentido contrário, chegando-se a uma velocidade de
até 0,6 milhões de bits por segundo. Devido a assimetria na transmissão/recepção dos
dados, esta técnica recebeu o nome de "linha de assinante digital
assimétrica", ou em inglês "Asymmetric Digital Subscriber line", ou ADSL.
Porém, existe uma limitação ao uso dessa técnica. Para se
transmitir sinais correspondentes a velocidade de até 1,5 Mbps (um milhão e meio de bits
por segundo ou cerca de 50 vezes a velocidades dos modems de 33,6kbps) é necessário que
a distância entre o usuário e a central telefônica seja no máximo 5 kms (em alguns
casos se consegue até 6 kms, dependendo da qualidade da linha). A razão é que um dos
fatores que limitam a faixa de freqüências e a intensidade do sinal transmitido, é a
atenuação introduzida pelo canal de comunicação (no caso a linha telefônica) naquele
sinal, à medida em que ele viaja pela linha. Os sinais de alta frequência são os mais
afetados. Portanto, uma forma de se obter maior capacidade de comunicação, é por meio
da redução do comprimento das linhas (no caso, redução da distância entre o assinante
e a central telefônica). É evidente que se o assinante estiver situado a uma distância
superior àquele valor (5 ou 6 kms), ele terá que se contentar com uma velocidade de
comunicação menor. O oposto também é verdade.
Com a tecnologia ADSL, os dados transmitidos ou recebidos pelo usuário
não interferem no canal de voz (aquele que utilizamos para falar com outras pessoas)
porque utilizam canais independentes, situados acima da faixa de freqüências de voz
(note que quando falamos em canais independentes, estamos nos referindo às faixas de
freqüência dos sinais correspondentes aos dados que trafegam pelo mesmo canal de
comunicação, ou seja a linha telefônica).
Na comunicação ADSL, as informações ou dados da Internet são
encaminhadas (pelo provedor) por cabos de fibra óptica até a central telefônica. Na
central, um equipamento chamado multiplexador combina os sinais da Internet com o sinal de
voz proveniente de uma chave comutadora regular de voz da central (a chave comutadora de
voz faz a conexão entre dois assinantes, habilitando a comunicação de voz entre eles).
Os sinais de voz e Internet combinados, são então enviados através da linha telefônica
até o usuário final (note que a tecnologia ADSL é muito mais rápida porque ela não
utiliza o equipamento de chaveamento regular de voz existente na central telefônica para
comunicação com a Internet). Um modem ADSL, na residência do usuário, transfere os
dados recebidos (Internet) ao seu computador e o sinal de voz ao aparelho telefônico, por
meio de um divisor de sinais ("splitter"), o qual faz a distribuição dos dois
tipos de sinal. Desta forma, o usuário fica conectado de maneira permanente à Internet
(24 horas) e ainda tem seu aparelho telefônico liberado para uso. As prestadoras de
serviço de telefonia costumam cobrar um valor fixo mensal por esta conexão permanente
independente do tempo de uso. Apenas com relação ao canal de voz, ou seja, com relação
às chamadas via aparelho telefônico é que são cobradas as tarifas telefônicas
normais. O usuário também tem que se associar a um provedor de comunicação com a
Internet (e pagar a sua mensalidade) que seja associado a uma prestadora de serviços de
telefonia que ofereça a comunicação ADSL e é claro, adquirir o modem ADSL (custo
aproximado de R$ 200,00 em março de 2000).
Já no ano de 1998 a tecnologia ADSL passou a ser utilizada em grande
escala em redes telefônicas dos Estados Unidos, e espera-se que ainda este ano (2000),
atinja um número de usuários superior àqueles que acessam a Internet via cabo.
No Brasil, mas particularmente no estado de São Paulo, a tecnologia
ADSL é oferecida aos usuários da Internet nas velocidades de 256 kbps, 512 kbps e 2Mbps
no sentido da central telefônica para o usuário ("downstream") e
respectivamente 128, 128 e 300 Kbps no sentido contrário ("upstream").
Quanto a comparação com os sistemas que utilizam as redes de TV a
cabo para comunicação com a Internet, a comunicação ADSL oferece algumas vantagens:
Na comunicação ADSL há maior privacidade, porque o sinal que trafega
na linha telefônica não é compartilhado com outros usuários como é o caso da TV a
cabo, uma vez que no caso da ADSL existe uma linha só do usuário para conexão com a
central telefônica (ao contrário do cabo comum da TV a cabo).
Os sistemas de TV a cabo implantados no Brasil até o presente momento
(ano 2000) são unidirecionais (embora isto esteja mudando), ou seja, os sinais de TV são
enviados da operadora para o assinante. Não existe comunicação do assinante para a
operadora. Caso estes sistemas sejam utilizados para comunicação com a Internet, o
tráfego de volta (do usuário para a operadora) precisa ser feito via rede telefônica o
que reduz drasticamente a velocidade de comunicação neste sentido.
Outro fator limitante é que, em nosso país, relativamente poucos
usuários estão conectados a sistemas de TV a cabo ao passo que as redes telefônicas se
espalham pelo país. Portanto, podemos prever para o século 21, uma grande utilização
das redes telefônicas convencionais em nosso país, para comunicação em alta velocidade
com a Internet.