| Leandro
Fortes/ABr
Punta
Arenas (Chile) - Na década de 1950, cientistas de todo
o mundo começaram a se preocupar com a utilização
do continente antártico como mais um palco da Guerra
Fria travada pelos Estados Unidos e pela extinta União
Soviética. Ambas nações se insinuavam
sobre a Antártica, a pretexto de realização
de pesquisas, mas faltava pouco para que a região acabasse
se tornando mais uma base de atividade militar do conflito
permanente entre Ocidente e Oriente. Em 1957, o Conselho Internacional
de União Científica decidiu capitanear uma reação
a essa possibilidade. Criou, então, o Ano Geofísico
Internacional, cuja principal conseqüência foi
a instalação do Comitê Especial para Pesquisas
Antárticas.
Participaram
desse primeiro grupo os países que já desenvolviam
pesquisas na Antártica: Argentina, Austrália,
Bélgica, Chile, Estados Unidos, França, Japão,
Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, África do
Sul e União Soviética. Foi estabelecido um regime
jurídico de cooperação internacional
no continente. Em 1º de dezembro de 1959, uma conferência
em Washington (EUA) referendou o Tratado da Antártica
(ou Tratado Antártico), em vigor desde 23 de junho
de 1961. O Brasil só iria se agregar ao grupo em 1982.
Mas sem pretensões territoriais. Atualmente, sete países
reivindicam, além de compartilhamento, posse territorial
sobre a Antártica. São eles: Argentina, Austrália,
Chile, França, Reino Unido, Nova Zelândia e Noruega.
O Tratado da
Antártica consolidou os princípios da liberdade
de pesquisa científica, da cooperação
internacional e, principalmente, da colonização
pacífica da região. Por causa da Guerra Fria,
foi expressamente proibida a utilização do continente
antártico para explosões nucleares ou como depósito
de resíduos radioativos. Além disso, todas as
áreas da Antártica, inclusive estações,
instalações, equipamentos, navios e aeronaves
podem ser inspecionadas, a qualquer momento, por quaisquer
países signatários do tratado.
|