19 de janeiro de 2004

INSS identifica quadrilhas que roubaram
R$ 1 bilhão no Rio
Meta é investir na auditoria e corregedoria para identificar desvio de conduta
de funcionários e em sistemas informatizados blindados contra fraudes

 

Evelyn Trindade/ABr

Rio de Janeiro - O Superintendente do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) no Rio de Janeiro, André Ilha, afirmou que a Força - Tarefa formada pela Polícia federal, Ministério Público e auditores do INSS teve ótimos resultados ao longo de 2003. Segundo ele, o grupo descobriu quadrilhas que desviaram cerca de R$ 1 bilhão dos cofres do Instituto somente no Rio de Janeiro.

Na avaliação do Superintendente, o grupo está no caminho certo e sua ação pode ser considerada um sucesso, apesar de ainda não existir a especificação do montante recuperado. “São necessárias ações judiciais para recuperação desses ativos que foram incorporados de forma irregular ao patrimônio dos fraudadores, por isso ainda não temos dados do que foi recuperado. Mas nosso foco é no longo prazo, para fechar os ralos por onde escorre indevidamente o dinheiro da Previdência Social”, explicou.

Uma prova de que a recuperação do dinheiro desviado demanda tempo, é a atuação do grupo de trabalho, criado em 1992, para investigar as ações da quadrilha da advogada Georgina de Freitas. Segundo André Ilha, até hoje R$ 82 milhões retornaram para os cofres públicos. O valor representa cerca de 10% do montante roubado pelo grupo. Em 2003 foram leiloados 63 imóveis da advogada. Nesse ano, a expectativa do INSS é que 43 imóveis de Georgina e 22 de outros fraudadores sejam levados a leilão. Há ainda 150 imóveis seqüestrados, aguardando o final das ações.

Para que as atividades da Força Tarefa sejam intensificadas em 2004, André Ilha disse que é necessário avançar mais fortemente no processo de saneamento do Instituto. Para ele, reestruturar setores do INSS, como a Auditoria e a Corregedoria, que é o órgão encarregado de verificar eventuais desvios de conduta dos funcionários, e investir em sistemas informatizados blindados contra fraude, são medidas urgentes. "Nos últimos anos, nós sofremos com a carência de servidores, o sucateamento do parque tecnológico da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), e um sistema cheio de falhas de segurança. Além do esfacelamento de mecanismos internos de controle, sem eles a porta se abre para toda espécie de fraude”.

Outra questão que precisa ser revista, segundo ele, é a capacidade operacional da Polícia Federal. As equipes que atuam em conjunto com a Força Tarefa estão com falta de pessoal, o que está atrasando o processo de investigação de novos casos. "As restrições orçamentárias estão ocasionando uma grande carência de delegados, agentes e escrivões. Sem esse pessoal não é possível investigar, analisar e fazer a triagem dos grandes materiais que são riquíssimos, porque nos dizem a forma de atuação dos fraudadores”.

André Ilha não acredita que Rio de Janeiro seja o estado com maior número de fraudes, para ele vários casos de roubo no INSS vão surgir, assim que as outras 16 Forças Tarefa, criadas ano passado pelo Ministro da Previdência Ricardo Berzoini, avançarem. “ O Rio de Janeiro é onde se combate a fraude com mais intensidade e a mais tempo, daí os resultados aparecerem com mais evidência”.

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