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Evelyn Trindade/ABr
Rio
de Janeiro - O Superintendente do Instituto Nacional de
Seguro Social (INSS) no Rio de Janeiro, André Ilha,
afirmou que a Força - Tarefa formada pela Polícia
federal, Ministério Público e auditores do
INSS teve ótimos resultados ao longo de 2003. Segundo
ele, o grupo descobriu quadrilhas que desviaram cerca de
R$ 1 bilhão dos cofres do Instituto somente no Rio
de Janeiro.
Na
avaliação do Superintendente, o grupo está
no caminho certo e sua ação pode ser considerada
um sucesso, apesar de ainda não existir a especificação
do montante recuperado. “São necessárias
ações judiciais para recuperação
desses ativos que foram incorporados de forma irregular
ao patrimônio dos fraudadores, por isso ainda não
temos dados do que foi recuperado. Mas nosso foco é
no longo prazo, para fechar os ralos por onde escorre indevidamente
o dinheiro da Previdência Social”, explicou.
Uma
prova de que a recuperação do dinheiro desviado
demanda tempo, é a atuação do grupo
de trabalho, criado em 1992, para investigar as ações
da quadrilha da advogada Georgina de Freitas. Segundo André
Ilha, até hoje R$ 82 milhões retornaram para
os cofres públicos. O valor representa cerca de 10%
do montante roubado pelo grupo. Em 2003 foram leiloados
63 imóveis da advogada. Nesse ano, a expectativa
do INSS é que 43 imóveis de Georgina e 22
de outros fraudadores sejam levados a leilão. Há
ainda 150 imóveis seqüestrados, aguardando o
final das ações.
Para
que as atividades da Força Tarefa sejam intensificadas
em 2004, André Ilha disse que é necessário
avançar mais fortemente no processo de saneamento
do Instituto. Para ele, reestruturar setores do INSS, como
a Auditoria e a Corregedoria, que é o órgão
encarregado de verificar eventuais desvios de conduta dos
funcionários, e investir em sistemas informatizados
blindados contra fraude, são medidas urgentes. "Nos
últimos anos, nós sofremos com a carência
de servidores, o sucateamento do parque tecnológico
da Empresa de Tecnologia e Informações da
Previdência Social (Dataprev), e um sistema cheio
de falhas de segurança. Além do esfacelamento
de mecanismos internos de controle, sem eles a porta se
abre para toda espécie de fraude”.
Outra
questão que precisa ser revista, segundo ele, é
a capacidade operacional da Polícia Federal. As equipes
que atuam em conjunto com a Força Tarefa estão
com falta de pessoal, o que está atrasando o processo
de investigação de novos casos. "As restrições
orçamentárias estão ocasionando uma
grande carência de delegados, agentes e escrivões.
Sem esse pessoal não é possível investigar,
analisar e fazer a triagem dos grandes materiais que são
riquíssimos, porque nos dizem a forma de atuação
dos fraudadores”.
André
Ilha não acredita que Rio de Janeiro seja o estado
com maior número de fraudes, para ele vários
casos de roubo no INSS vão surgir, assim que as outras
16 Forças Tarefa, criadas ano passado pelo Ministro
da Previdência Ricardo Berzoini, avançarem.
“ O Rio de Janeiro é onde se combate a fraude
com mais intensidade e a mais tempo, daí os resultados
aparecerem com mais evidência”.
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