| Ministério das
Relações Exteriores divulga relacionamento Brasil-Espanha
As relações entre Brasil
e Espanha conhecem hoje o mais alto momento de aproximação e dinamismo de sua história.
Tradicionalmente vinculados por elementos históricos (União Ibérica, imigração
espanhola) e políticos (processos semelhantes de redemocratização), os dois países
passaram a beneficiar-se, na década de 90, de novos vínculos regionais (Mercosul-União
Européia) e, sobretudo, econômicos (a Espanha é hoje o maior investidor europeu no
País). Com base nesses fundamentos favoráveis, Brasil e Espanha vêm assegurando para
seu relacionamento uma densidade à altura de seus interesses mútuos.
No plano político, os
contatos de alto nível têm sido regulares e produtivos, refletindo a mudança de patamar
nas relações bilaterais. As visitas do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1998), do
Presidente José María Aznar (1997) e do Vice-Presidente Marco Maciel (1997 e 1999)-bem
como de expressivo número de ministros e outras altas autoridades - têm proporcionado
nível crescente de concertação, permitindo a identificação de amplas áreas de
entendimento e de novos campos para a cooperação. Na ocasião da comemoração dos 500
anos do Descobrimento, a visita do Rei Juan Carlos I teve por objetivo assinalar o
reconhecimento do Governo espanhol por esse novo patamar da parceria entre os dois
países.
A concessão do prêmio
Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional ao Presidente Fernando Henrique é
extremamente significativa dessa importância que a Espanha atribui ao Brasil. A
relevância dessa premiação pode ser medida pela qualidade dos demais homenageados deste
ano, como o Cardeal Montini, de Milão, o escritor Umberto Eco e os cientistas Robert
Gallo e Luc Montaignier, descobridores do vírus HIV.
Entre outras personalidades
anteriormente agraciadas com o prêmio de Cooperação Internacional encontram-se Mikhail
Gorbatchov, Yasser Arafat, Isaac Rabin, Oscar Arias, Belisario Betancur e Nelson Mandela.
A ida do
Presidente a Oviedo, em 27
de outubro próximo, permitirá que, na véspera, em Madri, possam ser mantidas
desejáveis conversações com o Presidente do Governo e com o Rei Juan Carlos, além de
um encontro de trabalho entre o Ministro de Estado e o novo chefe da diplomacia espanhola,
Josep Piqué i Camps.
A participação de
capitais espanhóis no processo de privatização dos setores de telecomunicações e de
energia do Brasil -aliada à atuação dos bancos Santander e BBVA no mercado financeiro
brasileiro- elevou a Espanha à posição de segundo maior investidor estrangeiro no País
após os Estados Unidos. A participação da Espanha nas privatizações brasileiras, até
maio de 2000, já era superior a US$ 9 bilhões (12% do total). Em 1995, os investimentos
espanhóis no Brasil limitavam-se a cerca de US$ 250 milhões (1).
Os números do comércio
bilateral têm acompanhado em menor escala o dinamismo dos investimentos e cresceram
(fluxo total) cerca de 150% entre 1993 e 1999. Esse aumento ocorreu muito mais em função
das exportações espanholas do que das brasileiras. Em 1997, pela primeira vez na
década, o comércio bilateral foi deficitário para o Brasil, tendência que se manteve
em 1998 e se estabilizou em 1999, ano em que exportações e importações praticamente
igualaram-se(2).
Durante a crise financeira
do início de 1999, a Espanha colaborou com o pacote de auxílio organizado pelo FMI e as
declarações sobre as perspectivas da economia brasileira -tanto pelo Governo (em
particular pelo Ministro da Economia e atual Vice-Presidente, Rodrigo de Rato) quanto pela
iniciativa privada- sempre foram positivas, indicando plena confiança na capacidade de
recuperação do País.
Todo esse quadro positivo
já mostra seus efeitos na mídia espanhola, que tem demonstrado crescente interesse por
temas brasileiros. No terreno da cooperação acadêmica, destaca-se a futura criação,
já aprovada, de um Centro de Estudos Brasileiros, iniciativa conjunta da Embaixada do
Brasil em Madri com a Universidade de Salamanca, que se propõe a suprir uma evidente
carência de informações mais profundas sobre a realidade brasileira. No campo
econômico e tecnológico, a parceria entre a Embraer e a Gamesa reflete, de forma
significativa, a alta qualidade das relações entre os dois países, indicando uma nova
dimensão para associações e joint ventures entre empresas brasileiras e espanholas.
A intensificação de suas
relações com o Brasil representa para a Espanha a consolidação de uma estratégia de
recuperação de sua presença na América Latina, e em especial no Cone Sul. Executada
com determinação a partir do ingresso do país na União Européia, a política
espanhola de irradiação latino-americana sustenta-se em uma estratégia de inversões
que, nesta década, transformou a Espanha em um dos maiores investidores europeus na
região. Com o crescente peso de seus investimentos e uma efetiva atuação diplomática,
a Espanha credencia-se como ator de primeira grandeza no cenário latino-americano e
encontra no Brasil um de seus mais importantes parceiros.
(1)
Fonte: Banco Central do
Brasil
Diretoria de Assuntos
Internacionais
Departamento de Capitais
Estrangeiros - Firce
Investimentos Diretos
Distribuição por País de
Origem dos Recursos
US$ milhões
31/12/1995* 1996 1997
1998 1999**
Países Estoque % Fluxo %
Fluxo % Fluxo %
Fluxo %
Estados Unidos 10852,20
25,52 1975,40 25,77
4382,30 28,62 4692,47 20,16
8087,61 29,34
Alemanha 5828,00 13,70
212,00 2,77 195,90 1,28
412,79 1,77 480,83 1,74
Suíça 2815,30 6,62 108,80
1,42 81,20 0,53
217,05 0,93 404,54 1,47
Japão 2658,50 6,25 192,20
2,51 342,10 2,23
277,77 1,19 274,27 1,00
França 2031,50 4,78 970,00
12,65 1235,20 8,07
1805,39 7,76 1982,13 7,19
Canadá 1819,00 4,28 118,50
1,55 66,20 0,43
278,63 1,20 445,37 1,62
Reino Unido 1792,60 4,21
91,50 1,19 182,50 1,19
127,90 0,55 1268,83 4,60
Ilhas Virgens 1735,60 4,08
361,40 4,71 162,40 1,06
157,07 0,67 191,79 0,70
Países Baixos 1534,50 3,61
526,80 6,87 1487,90 9,72
3364,99 14,46 2042,47 7,41
Itália 1258,60 2,96 12,30
0,16 57,40 0,37
646,60 2,78 408,51 1,48
Ilhas Cayman 891,70 2,10
655,70 8,55 3382,90 22,09
1807,14 7,77 2114,54 7,67
Uruguai 874,10 2,06 81,20
1,06 56,10 0,37
80,60 0,35 40,97 0,15
Bermudas 853,10 2,01 33,80
0,44 241,10 1,57
53,57 0,23 242,57 0,88
Panamá 677,40 1,59 674,80
8,80 904,00 5,90
152,73 0,66 89,74 0,33
Suécia 567,20 1,33 126,00
1,64 268,60 1,75
239,22 1,03 315,29 1,14
Bélgica 558,20 1,31 111,50
1,45 135,60 0,89
950,41 4,08 62,15 0,23
Ilhas Bahamas 509,70 1,20
74,30 0,97 300,10 1,96
143,84 0,62 148,60 0,54
Luxemburgo 408,00 0,96
290,70 3,79 57,70 0,38
114,54 0,49 289,66 1,05
Argentina 393,60 0,93 30,10
0,39 186,90 1,22
113,32 0,49 87,79 0,32
Espanha 251,00 0,59 586,60
7,65 545,80 3,56
5120,23 22,00 5702,20 20,69
Portugal 106,60 0,25 202,70
2,64 681,00 4,45
1755,12 7,54 2409,40 8,74
Coréia do Sul 3,80 0,01
63,30 0,83 91,30 0,60
54,00 0,23 47,07 0,17
Demais 4109,70 9,66 165,80
2,16 266,90 1,74
705,40 3,03 428,06 1,55
Total 42530,00 100,00
7665,40 100,00 15311,10 100,00
23270,77 100,00 27564,39
100,00
Ingressos abaixo de US$ 10
milhões por empresa receptora/ano
1.978,6 2.567,9 3.075,2
3.649,6
Total Geral dos ingressos
9.644,0 17.879,0
26.346,0 31.214,0
* Dados do Censo de
Capitais Estrangeiros, realizado em 1996.
** Inclui conversões para
investimentos diretos
Obs.: 1. No período de
1996 a 1999, consideram-se os ingressos de
investimentos acima de US$
10 milhões
por empresa receptora/ano.
2. Dados preliminares.
3. Conversões em dólares
às paridades históricas. >
(2) dados Espanha |