| |
Palácio
Damasceno
É com grande
satisfação que me encontro hoje na Síria. Minha
satisfação é tanto maior porque sou o primeiro
presidente do Brasil a visitar esta terra dos antepassados de tantos
brasileiros. Nossas relações têm uma dimensão humana
única, que se expressa na comunidade de mais de 2 milhões
de descendentes de sírios que hoje vivem no Brasil. Síria e Brasil também são a encruzilhada de povos das mais diversas origens e crenças, que forjaram identidades multiculturais e tolerantes. No Brasil somos orgulhosos de nosso patrimônio cultural árabe, que é, hoje, parte de nossa identidade nacional. Acompanhamos com grande interesse e preocupação os acontecimentos no Oriente Médio. Desejamos ver prevalecerem a paz e o entendimento no lar de tantos de nossos parentes e antepassados. No Brasil, onde árabes e judeus convivem de forma harmônica e produtiva, estamos convencidos de que a paz é possível e urgente. Apoiamos, portanto, com confiança e expectativa, os esforços em curso para alcançar a reconciliação entre os povos do Oriente Médio. Confiamos que a Síria, pelo seu papel estratégico na região, contribuirá para as iniciativas que possam levar a este objetivo. Defendemos firmemente a criação de um Estado palestino. Estamos convencidos de que o caminho à frente é o do diálogo e da negociação e nunca o da violência e do terrorismo. A continuada ocupação de territórios palestinos, a manutenção e expansão de assentamentos são inaceitáveis. Confiamos que o Roteiro da Paz e a Iniciativa Árabe da Paz oferecem alternativas convergentes para o estabelecimento de um Estado palestino independente no mais breve prazo, ao mesmo tempo que atende às preocupações com a segurança de Israel. O direito de um povo exercer soberania sobre seu território é inalienável. Por isso, o Brasil está votando nas Nações Unidas em favor da resolução que exige a devolução à Síria das Colinas de Golã. Defendemos uma participação ativa das Nações Unidas na solução dos problemas da região e a efetiva aplicação de suas resoluções, enquanto expressão da vontade coletiva da comunidade internacional. Lamentamos a guerra do Iraque. Entendemos que soluções por via diplomática são sempre as mais positivas e duradouras. Queremos um maior envolvimento das Nações Unidas e dos Estados árabes no esforço de reconciliação e reconstrução daquele país. São esses os princípios e linhas de ação que nortearão a atuação do Brasil a partir do ano que vem, quando retorna ao Conselho de Segurança como membro não-permanente. Além disso, estaremos dispostos a emprestar nosso apoio a iniciativas que busquem a paz, a justiça e a reconciliação. Temos que lutar por uma ordem econômica e política no mundo que seja mais justa e mais democrática. Por isso, defendemos a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, que deve ser mais representativo das realidades do mundo de hoje, com países em desenvolvimento entre os seus membros permanentes. Somente assim terá a legitimidade indispensável para que suas ações sejam efetivamente respeitadas. Queremos fortalecer o multilateralismo e a prevalência do Direito Internacional. Estamos certos de que Brasil e Síria estarão juntos nessa empreitada. Senhor Presidente, Minha visita retraça a viagem que muitos sírios fizeram em direção ao Brasil, em busca de novas perspectivas de vida. Estou aqui para trazer a mensagem de que queremos que essa relação seja, cada vez mais, uma via de duas mãos ligando nossos países. Estou certo de que a generosa hospitalidade com que estou sendo recebido será a marca desse intercâmbio entre nossos países. É dentro desse espírito que proponho um brinde à felicidade do presidente Bashar Al-Assad, à prosperidade crescente do valoroso povo sírio e à determinação de seguir trabalhando para construir um futuro de paz duradoura e de desenvolvimento com justiça social para nossas nações. Muito obrigado. |