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Sede da FIBRA – Brasília-DF
Eu, na verdade,
não vou fazer um pronunciamento aqui, não vou fazer o
meu discurso. Vou dizer algumas palavras e vou chamar um companheiro
para falar no meu lugar. E explico o porquê. Eu quero dizer umas palavras e prestar uma homenagem a um companheiro. Durante toda a minha vida, nunca fui do tipo de ficar chorando as coisas que eu queria que acontecessem. E, ao invés de ficar lamentando, eu tentava fazer as coisas acontecerem. Às vezes você pode e às vezes você não pode. A verdade dura e verdadeira é que nós temos, no Brasil, juros altos. Mas a verdade dura e verdadeira é que, hoje, nós temos as taxas de juros Celic mais baixas dos últimos 10 anos. A verdade dura e verdadeira é que você nunca baixará a taxa de juros se o Governo não tiver força política para colocar seus títulos e impor um preço que possa atender às suas necessidades e atender até as necessidades do setor financeiro. Quando o Governo está fragilizado, não faz isso. É por isso que nós tivemos, há pouco tempo, a nossa dívida interna dolarizada, o que fez com que o país estivesse com uma vulnerabilidade como jamais esteve em toda a sua História. O que nós fizemos, no ano passado, não foi inventar nenhum plano. Não houve nem um “plano Lula”, nem um “plano Palocci”, nem um “plano Roberto Rodrigues”, nem um “plano Agnelo”. Ou seja, não inventei um plano. Resolvi fazer o que um Governo tem que fazer, que é conquistar a credibilidade entre os seus interlocutores, para que possa estabelecer novas regras de funcionamento da economia. Quem acompanha sabe que o que aconteceu neste país, no ano passado, foi um milagre. E vai continuar acontecendo. Porque nós vamos reduzir as taxas de juros aos níveis compatíveis com as nossas necessidades. Mas, ao mesmo tempo, é preciso que a gente tome muito cuidado para que nenhum empresário queira ganhar, num único mês, todo o seu capital investido, remarcando o preço na medida em que se apresenta uma simples melhora no comércio do nosso país. Responsabilidade vale para todo mundo: vale para o Governo, vale para o empresário da indústria, vale para o empresário do comércio, vale para o pequeno, para o médio e para o grande. Na hora em que todos nós formos responsáveis podem ficar certos que a economia brasileira irá deslanchar como nunca deslanchou na História deste país. Podem ter certeza disso. O que não pode é ficar com um pé no acelerador, olhando sempre se a inflação vai subir para utilizar juros como controlador da inflação. Ou reduzir a zero alíquotas de produtos importados, o que seria um prejuízo enorme à nossa economia, porque geraria desemprego. Então, a palavra-chave não é nem macroeconomia, nem Banco Central, nem Presidente da República, nem Ministro da Fazenda. A palavra-chave chama-se seriedade, lealdade e compromisso com este país, que está na hora de todo mundo assumir. Quando nós resolvemos fortalecer a questão das cooperativas, foi resultado de uma reunião minha na Febraban, lá em São Paulo. Algumas perguntas que me fizeram, e algumas perguntas que eu fiz, eu não encontrei respostas. Ninguém nunca conseguiu me explicar porque em um cartão de crédito se paga 12% de juros ao mês; ou porque um cheque especial, de um cliente que é especial, custa 10% ou 11% ao mês. Ninguém nunca conseguiu me explicar por que um financiamento para capital de giro custa 60%, 70%. Nunca conseguiram me explicar. Depois, alguém me deu uma explicação, que eu entendi razoável: era a questão da confiabilidade da pessoa que tomava o dinheiro emprestado, ou seja, se a pessoa pode ou não pagar. Se a pessoa tinha renda fixa, então, era um bom credor, podia tomar dinheiro emprestado. Mas, ao tomar, seria castigado e tinha que pagar por aqueles que, certamente, virariam inadimplentes. Então, é fantástico, porque é um país em que os honestos pagam pelos desonestos. Os que pagam se sacrificam pelos que não pagam. Com base nisso, resolvemos discutir a possibilidade de fazer com que dinheiro circulasse no Brasil sem precisar ficar essa briga, em que todo mundo xinga o sistema financeiro, o sistema financeiro continua sistema financeiro, o país precisa do sistema financeiro e eles continuam ganhando dinheiro. Então, ao invés de ficar brigando com o sistema financeiro, quais são as alternativas que poderemos criar? Vejam que a gente plantou uma árvore e estamos colhendo frutos agora. Nós lançamos as cooperativas em maio, quebramos algumas barreiras que existiam no Banco Central de não permitir a organização de determinado tipo de cooperativas. Aliás, já tinha até autorização do Congresso, mas tinha que ter uma regulamentação do Banco Central, que não permitia, partindo de pressupostos equivocados de que todo mundo é desonesto, até prova em contrário, quando o pressuposto deveria ser acreditar que todos são honestos até prova em contrário. Mas sempre se pensa pelo negativo. Resolvemos criar as cooperativas, a pedido de muita gente que já tinha experiência. E resolvemos fazer uma coisa que ainda não se apresentou com a força que eu desejo para o mercado: foi garantir, num acordo com o movimento sindical, a folha de pagamento como garantia para que o trabalhador tivesse acesso ao consumo, neste país. E o movimento sindical, livremente, fez acordos com os bancos. Tem sindicado que fez acordo a juros de 1,75% ao mês. É muito alto 1,75% ao mês. É muito alto se a gente olhar para a Europa, para os Estados Unidos. Mas, se a gente olhar para o que era, no Brasil, há seis meses atrás, o cartão de crédito ou o cheque especial, vamos perceber que houve um avanço excepcional. Temos sindicato que fez acordo a 2%. Temos sindicato que fez acordo a 2,5%. Ou seja, pela primeira vez, garantimos aos trabalhadores e aos banqueiros negociarem taxas de juros. Pasmem: 80% das pessoas que tomaram dinheiro no ano passado era para pagar dívida, para quitar a sua dívida e se transformar, quem sabe, num bom consumidor este ano. E vamos continuar fazendo isso. Se Deus quiser, agora, no final de fevereiro, se estiver preparado todo o sistema da Dataprev, vamos abrir financiamento para desconto em folha para 19 milhões de aposentados. Se é verdade que somos um país capitalista, temos que colocar dinheiro à disposição da sociedade brasileira e temos que fazer com que as pessoas tenham acesso, mesmo que seja a pequenos créditos. E fizemos, em apenas um ano, a liberação de créditos para pequenos, médios e micros jamais feitos na História deste país. E vamos continuar fazendo. Ao invés de ficar brigando com os banqueiros, vamos criando alternativas até eles perceberem que não estão sozinhos no mundo financeiro, que têm outras alternativas e que o juro vai baratear de verdade no nosso país. Eu queria dizer essas palavras porque ainda temos muitas coisas para fazer. E eu quero chamar uma pessoa que, dentre todos que estamos aqui, possivelmente seja a autoridade mais respeitada, não apenas no Brasil, mas no mundo das cooperativas, que é o nosso companheiro Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura. Ele irá falar sobre o significado da criação dessa cooperativa que vocês fizeram aqui. Possivelmente nem os cooperados têm dimensão do que vocês estão fazendo. Mas vocês estão dando um exemplo que, se ganhar corpo do jeito que imagino que poderá ganhar, irá contribuir para uma pequena revolução na política de crédito do nosso querido Brasil. Então, eu quero passar a palavra para o meu companheiro Roberto Rodrigues.
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