Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na inauguração da primeira etapa da obra de prolongamento da Avenida Radial Leste

São Paulo-SP

 


Meus amigos e minhas amigas da cidade de São Paulo,
Trabalhadores e trabalhadoras,
Empresários que participaram da construção dessa obra,
Povo de Itaquera,

Eu, se não tivesse outra razão para vir a Itaquera, teria que vir porque o meu time de futebol é aqui da região e eu ainda desci no campo de treinamento, mas todo mundo sabe qual é o meu time.

Segundo, quero dizer a vocês que tive a oportunidade de vir na zona leste no ano passado, em Guaianases, na inauguração do CEU Jambeiro. Depois da inauguração daquele CEU, nós já inauguramos mais 20, ou seja, num total de 21. Eu vou falar um pouco disso daqui a pouco, mas primeiro vou ler o meu pronunciamento oficial.

A nossa companheira Hermínia Maricato, eu não sei se vocês perceberam que tinha um mexe-mexe aqui no palanque, que a Marisa não parava perto da Hermínia Maricato, é porque as duas estão com a mesma roupa. Parece um casalzinho de periquito australiano, o que é importante é que as duas estão elegantes.

Eu quero cumprimentar a companheira Hermínia Maricato que é a ministra interina das Cidades.
Quero cumprimentar o nosso querido e bravo Aluízio Mercadante,
Saudar o nosso querido vice-prefeito Hélio Bicudo,
Saudar o companheiro Roberto Luiz Bortolotto, secretário municipal de Infra-estrutura,
Saudar os nossos queridos deputados federais Zarattini, Roberto Gouveia, José Eduardo Martins Cardoso, José Nestor, Jamil Murad e Luiz Eduardo Greenhalgh,
Quero cumprimentar os vereadores,
Cumprimentar os secretários municipais,
Cumprimentar os subprefeitos,
E cumprimentar o povo desta extraordinária região da cidade de São Paulo.

Eu vou dividir o meu pronunciamento em dois momentos. O momento que está escrito e o momento que não está escrito. Lamentando que a legislação não permite que a prefeita venha inaugurar, são normas legais que nós temos que respeitar, mas era como se a gente fizesse um prato, preparasse e colocasse a comida, assoprasse, esfriasse e na hora de comer tirassem o prato da gente.

Eu acho que, de qualquer forma, a lei está rígida, é importante porque evita abusos. Mas eu penso que é preciso ver o que é abuso com inauguração de uma coisa concreta. De qualquer forma, o que é importante é o seguinte: o que estamos vendo aqui é o exemplo de como investir com eficiência os recursos públicos. Afirmo isso por dois motivos: primeiro, a prefeitura acertou em escolher o trajeto para a extensão da Radial Leste utilizando o leito de uma ferrovia desativada. Isso tornou a obra mais rápida e mais barata. O segundo motivo, e creio que este é o mais importante, é que a extensão da Radial não é uma obra isolada. Ela faz parte de um conjunto amplo de medidas que está mudando, para melhor, a vida dos mais de 3 milhões e 300 mil habitantes da Zona Leste. Ao facilitarmos o trânsito entre esses dois bairros tão importantes, Itaquera e Guaianases, estamos criando condições econômicas para que mais empresas, mais escritórios e mais comércios se instalem aqui na região. A participação do governo federal no projeto – e é por isso que estou aqui – por meio do Ministério das Cidades, foi da ordem de 6 bilhões e 400 milhões de reais. Ao mesmo tempo, participamos com 27 milhões de reais na construção do trecho norte da Avenida Jacu-Pêssego que vai chegar até o Aeroporto de Guarulhos.

Com estas ligações viárias a região estará conectada de forma estratégica não só à Cumbica, mas também ao ABC e ao Porto de Santos – tornando-se, portanto, uma rota de grande desenvolvimento econômico para a nossa Capital.

Um outro projeto da prefeita Marta Suplicy, que nós fizemos questão de apoiar na Zona Leste, e essa é muito importante, é a Faculdade de Saúde Pública da Cidade Tiradentes. O governo federal investiu 10 milhões de reais pelo Ministério da Saúde neste centro de ensino técnico e superior, que vai permitir que os jovens da região possam aprender uma profissão sem ter que se deslocar para outro ponto da cidade, às vezes, tomando duas ou três conduções. Além disso, a Faculdade terá um sistema de ingresso que vai dar prioridade aos jovens oriundos de escolas públicas e também a quem já é funcionário da saúde pública e quer se especializar. Até a grade de horários está sendo construída no sentido de que os cursos noturnos possam favorecer quem trabalha durante o dia.

A prefeita Marta assinou esta semana um acordo com o governo da região francesa de Ile de France para viabilizar a construção de uma faculdade de administração de empresas aqui em Itaquera, ao lado da nova Radial. Ao todo, os franceses vão investir cerca de 2 milhões de reais no novo projeto. Com a infra-estrutura, com as opções de ensino profissionalizantes, com os investimentos que virão através das empresas, estamos criando todas as condições para que a Zona Leste possa aproveitar o seu grande potencial e gerar os empregos e a qualidade de vida que as mulheres, os homens e as crianças da Zona Leste tanto merecem pelo que representam.

Eu quero que vocês atentem para o número que eu vou dar aqui. Anotassem para ver a diferença. Não vou falar número de candidato, mas vou dizer o seguinte, sobretudo, os construtores de obras que estão aqui. Só o Ministério das Cidades, não estou falando do governo como um todo, estou falando do Ministério das Cidades, presta atenção nos números. Entre 1995 e 2002, estou falando de sete anos, no governo passado foi investido na capital paulista, 580 milhões de reais do Ministério das Cidades.

Pois bem, naquele tempo era Secretaria de Desenvolvimento Urbano, mas eu estou dizendo que entre 1995 e 2002, o mesmo Ministério que hoje está subordinado ao nosso companheiro Olívio Dutra, chamado Ministério das Cidades, investiu 580 milhões de reais.

O nosso governo, em apenas 18 meses, portanto, em apenas 1 ano e meio, já investiu 390 milhões de reais. Isso, porque nós tomamos a decisão de que investir em obras de saneamento básico é investir na melhoria da qualidade de vida das pessoas, é investir sobretudo na saúde. E nós, em apenas 1 ano e meio, colocamos mais dinheiro para saneamento básico do que os oito anos do governo passado. Mais ainda, somente de dezembro até agora, nós assinamos contratos que representam 14 vezes mais do que foi assinado de 1999 até 2002 e, isso, por quê? Quando se trata de fazer uma obra pública, a gente não tem que estar preocupado apenas em fazer a obra que apareça, uma ponte, uma estrada ou um túnel. Muitas vezes, colocar uma manilha embaixo da terra – que não aparece e que muitas vezes os políticos pensam que não dá voto – e por ela fazer passar o esgoto, tratá-lo e jogá-lo no rio como água limpa, possivelmente valha tanto quanto as pontes que a gente quiser fazer neste país, porque vai melhorar a qualidade de vida das nossas crianças. Vai acabar com o esgoto a céu aberto.

Eu tomei a decisão de não participar das campanhas municipais porque um presidente da República precisa ter mais cuidado. Agora, eu não poderia deixar de vir aqui na Zona Leste inaugurar uma obra dessa magnitude até porque eu, de vez em quando, vejo as propagandas na televisão. Eu acho que uma pessoa pode gostar de outra ou não gostar de outra, mas eu acho que não dá para a gente aceitar o preconceito que se joga contra a companheira Marta Suplicy.

Eu, que fui vítima de preconceito durante a minha vida inteira, que em nenhum momento abaixei a cabeça, fico horrorizado porque eu pensei que o preconceito era porque eu era metalúrgico, porque eu era nordestino, mas a Marta não é metalúrgica, não é nordestina. É paulista, é de família tradicional, é uma mulher inteligente, é uma mulher bonita. Eu não sei porque o preconceito contra a companheira Marta. Sobretudo, porque esta mulher, obviamente, que o preconceito não é contra a Marta, pessoalmente, pode ter outro tipo de coisas. Mas eu acho que tem uma coisa que incomoda os adversários, que é a competência administrativa mostrada pela companheira Marta Suplicy.

Eu acho que poucas vezes na história de São Paulo houve um prefeito ou uma prefeita que tivesse a grandeza e a coragem administrativa que a companheira Marta teve.

Primeiro, uma prefeita que é capaz de ter a melhor política de transferência de renda de todo o território nacional, uma prefeita que é capaz de ter a melhor política de uniforme para as escolas municipais, como tem a Marta, e aí eu quero fazer um parêntese, só não dá valor ao uniforme quem nunca teve problema de não ter roupa. Eu lembro que quando estava na escola, no quarto ano primário, na Vila Carioca, eu tinha apenas uma calça marrom, uma calça curta, e um cinto verde porque não tinha o pano da mesma cor para fazer o suspensório. Eu ia com aquela calça de segunda a sexta na escola, no sábado minha mãe lavava. Eu ficava de short e na segunda-feira colocava a calcinha marrom e ia a semana inteira. Eu já era conhecido como o menino da calça marrom.

E quando a gente consegue dar o uniforme para as crianças na escola, a gente consegue acabar com a discriminação, porque, quem pode vai bem vestido, quem não pode vai mal vestido e já é vítima de preconceito naquela escola. Uma prefeita que foi capaz de fazer isso, que foi capaz de olhar que as crianças que moram mais longe têm que ter direito a um transporte para ir para casa, para não terem que andar quilômetros – incomoda. Uma prefeita que foi capaz de criar um bilhete único, incomoda. Uma mulher que foi capaz de criar uma escola da qualidade do CEU, uma escola que pode ser comparada a qualquer escola de qualquer país desenvolvido do mundo.

Pela primeira vez, neste país, as crianças pobres têm o direito de ir numa escola que até então apenas os ricos poderiam freqüentar. E essa mulher teve a coragem, não de atender a classe média a qual ela pertence, de construir um CEU no Pacaembu ou no outro bairro de classe média alta. Ela sabe que nesses bairros já tem as escolas necessárias, e ela sabe que uma outra parte pode até pagar uma escola melhor, mas ela resolveu tomar a decisão que poucas pessoas têm coragem neste país, é de levar escola de qualidade nos bairros mais pobres dessa capital para que a criança pobre tenha uma sala para fazer teatro, para ver cinema, uma quadra para jogar, uma piscina para nadar, aprender computação, aprender música, ou seja, pela primeira vez neste país, se dá aos pobres uma perspectiva de que não é pelo fato deles serem pobres que eles têm que ser tratados como pessoas de terceira categoria.

Por tudo isso, essa mulher, ao invés de ser vítima de preconceito, ao invés de ser vítima da falta de respeito de alguns, essa mulher poderia ser considerada, sem sombra de dúvida, a melhor prefeita que a cidade de São Paulo já teve. A mais preocupada com a política social e a mais preocupada com os pobres desta cidade. Quem não acreditar é só visitar o CEU. Quem não acreditar, é só ir ver as criancinhas descer as favelas e entrar numa escola que antes elas só passavam longe ou, quem sabe, viram na televisão. Agora, as criancinhas podem ir lá e estudar com a dignidade que todo ser humano deve ter.

É por isso que nós temos a obrigação política de levantar a cabeça com muito orgulho e dizer aos companheiros e às companheiras de São Paulo inteira, que se as pessoas querem continuar tendo progresso nas políticas sociais não têm outro jeito, dia 3 de outubro é votar na Marta Suplicy para continuar administrando São Paulo.

Muito obrigado, gente.