| Meu querido companheiro Elói Pietá,
prefeito de Guarulhos, e sua esposa Janete Pietá,
Meu querido companheiro Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome,
Meu querido companheiro Humberto Costa, ministro da Saúde,
Meu querido companheiro Olívio Dutra, ministro das
Cidades,
Minha querida esposa Marisa,
Meu querido companheiro, senador Aloízio Mercadante,
Meus companheiros deputados federais Orlando Fantasini e
Roberto Gouveia,
Meus queridos e queridas companheiros e companheiras prefeitos
da região,
Prefeito de Arujá, engenheiro Genésio Severino
da Silva,
Prefeito de São Lourenço da Serra, José
Merli; de Santa Isabel, Hélio Buscarioli; de Taboão
da Serra, dr. Evilásio Farias; de Itapevi, dra. Maria
Ruth Banholzer; de Jandira, Miro Taxi, prefeito em exercício;
de Osasco, Emídio Pereira de Souza; Embu das Artes,
nosso querido companheiro Geraldinho; de Itaquaquecetuba,
Armando Tavares Filho; Diadema, meu companheiro José
di Filippe; de Ferraz de Vasconcelos, Jorge Abissamra;
Meu querido companheiro Jorge Mattoso, presidente da Caixa
Econômica Federal,
Meus queridos deputados estaduais,
Meus queridos secretários municipais,
Vereadores,
Meus amigos e minhas amigas,
No ano de 2000, o companheiro Elói era candidato
a prefeito desta cidade. E eu vim uma noite fazer um comício,
aqui, com o Elói. Nem ele era prefeito, nem eu era
Presidente da República. E nós fomos visitar
um bairro chamado Bairro dos Pimentas. E no Bairro dos Pimentas,
o companheiro Elói me contava do sofrimento das pessoas
e, sobretudo, me falava da necessidade de se construir um
hospital no Bairro dos Pimentas.
Depois, o Elói ganhou as eleições,
tomou posse. E todas as vezes que eu encontrei o Elói,
eu perguntava, cadê o hospital do Bairro dos Pimentas,
porque eu vi a promessa que ele fez e vi o carinho com que
o povo recebeu a idéia do hospital.
O Elói, nos dois primeiros anos de governo, não
pôde construir o hospital, até porque quem
tinha que financiar o hospital era o governo federal. Em
2002, nós ganhamos as eleições e começamos,
em 2003, a plantar o alicerce do cumprimento da promessa
mas, sobretudo, da concretização de um sonho
do povo de Guarulhos e do Bairro dos Pimentas, de construir
um hospital. E quero dizer para o companheiro Elói,
e dizer ao meu ministro Humberto Costa – porque daqui
nós vamos visitar o hospital, que já está
no quinto piso, e é um hospital para 100 leitos –
que, se Deus quiser, no começo do ano que vem, estaremos
de volta a Guarulhos para inaugurar o tão sonhado
hospital da cidade de Guarulhos e do povo do Bairro dos
Pimentas.
Mas também estou aqui com o ministro das Cidades,
o companheiro Olívio Dutra, com o companheiro Jorge
Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal, com
o nosso companheiro Jorge Hereda, do Ministério das
Cidades. E eu estou vendo aqui muita gente da Caixa Econômica
Federal porque também nós vamos lá
no Parque Jurema. Tem um programa do PAR, onde nós
vamos visitar 400 apartamentos que estão sendo construídos.
E esses 400 apartamentos são para as pessoas que
têm renda até 6 salários mínimos.
Mas também lá vai ser assinado um outro acordo:
a Caixa Econômica vai começar a construir,
através do Ministério das Cidades, 1.200 apartamentos
para as pessoas que ganham até 3 salários
mínimos.
E, possivelmente, eu quero dizer aos prefeitos da região.
E o prefeito que eu não citei, foi porque não
estava na minha agenda. Eu nem vi. Cadê o nosso companheiro
Caetano, de Suzano? O Marcelo Cândido, de Suzano.
Então levanta aí, porque não estava
na minha nominata, no começo.
Bem, então esta vinda hoje a Guarulhos é
uma vinda um pouco demorada porque já faz dois anos
que eu ganhei as eleições, mas eu também
precisaria aproveitar a oportunidade para vir fazer não
apenas uma coisa, mas vir fazer algumas coisas. Então,
hoje, além dessa extraordinária organização
da prefeitura com o Bolsa Família, nós vamos
visitar o hospital e vamos visitar o conjunto habitacional.
E quero dizer aos prefeitos aqui presentes que, certamente,
se os companheiros são novos e não apresentaram
ainda as demandas que precisam apresentar ao ministro da
Saúde, ao ministro das Cidades, ao ministro do Desenvolvimento
Social, a qualquer ministro, não se faça de
rogado, porque quando alguém vai a Brasília
para conversar, nós não perguntamos de que
partido a pessoa é, a que religião a pessoa
pertence e para que time de futebol a pessoa torce. Nós
só queremos saber se a pessoa está falando
em nome da cidade e se as reivindicações da
cidade são justas.
Por fim, eu queria dizer ao companheiro Elói e
dizer ao povo de Guarulhos que o Programa Fome Zero, no
qual está incluído o Bolsa Família,
é possivelmente o maior programa de transferência
de renda que se tenha notícia na América Latina.
Eu não vejo nisso uma vantagem muito grande, porque
ter um programa Fome Zero dentro de um país como
o Brasil, significa dizer que durante muitos e muitos anos
os governantes deste país esqueceram uma parcela
da população que, por conta do esquecimento,
foi ficando pobre, porque o meu sonho, como brasileiro,
o meu sonho como chefe de família, o meu sonho como
presidente da República, não é distribuir
cartão de programa de governo para ajudar as pessoas
mais pobres. O meu sonho é que um dia e, se Deus
quiser, isso vai acontecer logo, porque a economia começou
a crescer – só nos primeiros dois anos foram
mais de 2 milhões de empregos com carteira profissional
assinada – o meu desejo é que um dia todo mundo
tenha um trabalho e, por conta do seu trabalho, a pessoa
receba um salário e possa viver dignamente, sem precisar
receber cartão do governo.
Mas acontece que deixaram para nós, ao longo de
muitos e muitos anos, uma dívida social quase que
impagável, tão grande quanto a dívida
pública interna que nós herdamos, tão
grande como a dívida externa que nós herdamos.
E se nós assumimos o compromisso de honrar contratos
com relação às nossas dívidas,
não poderíamos deixar de assumir o compromisso
e honrar muito mais do que um contrato, honrar a nossa origem,
honrar o nosso compromisso de que combater a fome e a miséria
tem que ser prioridade do nosso governo, doa a quem doer.
Lógico que quando nós criamos um programa
como esse, pode ter equívocos, pode ter erros. Esse
Programa é para ajudar a parte mais pobre da população.
Na verdade, o que nós estamos dando é uma
isca para a pessoa colocar no anzol e pegar um grande peixe,
porque o desejo é que todo mundo, depois, saiba pescar.
O que nós estamos dando é a iniciação
para que uma senhora que tem dois ou três filhos e
é muito pobre, tenha a obrigação de
colocar os seus filhos na escola, tenha a obrigação
de levar os seus filhos para tomar vacina. Se for uma jovem
que esteja grávida e precise do Bolsa Família,
ela tem a obrigação de fazer todos os exames
que o pré-natal indica que devam ser feitos. O Programa,
além de dar o dinheiro, educa a pessoa, porque levar
o filho para a escola, fazer a vacinação na
molecada, na verdade, são benefícios a mais
que nós estamos incentivando essa pessoa a ter.
E aqui eu quero fazer justiça, meu companheiro
Patrus, meu companheiro Elói, e agradecer o comportamento
da imprensa brasileira. De vez em quando a imprensa brasileira
demonstra que há uma pessoa inscrita no Programa
que não deveria estar, uma pessoa que tem outra fonte
de recebimento, uma pessoa que é aposentada, uma
pessoa cujo marido trabalha ou que estava desempregado e
passou a trabalhar. Muitas vezes, a imprensa mostra isso
para a população e muitas vezes nós
ficamos zangados e chateados. Mas eu penso que a imprensa
está cumprindo o seu papel de informar a sociedade
e, ao mesmo tempo, alertar o governo de que nós precisamos
agir, como você tem agido, companheiro Patrus, com
o acordo que você fez com o Ministério Público
e com a Controladoria Geral da União para que a gente
exija maior seriedade no cadastramento das pessoas. Só
pode receber o Bolsa Família, quem realmente precisa
do Bolsa Família, quem não precisa tem que
dar o lugar para outra pessoa receber.
Portanto, nós queremos que a sociedade fique alerta,
porque se conhecer alguém que está recebendo
e não tem direito de receber, nós temos que
ser avisados, porque é preciso cortar o recebimento
dessa pessoa e dar para outra que não está
recebendo que, possivelmente, precise mais do que ela.
Esse não é um Programa para resolver o problema
salarial das pessoas, é um Programa para ajudar na
alimentação básica da sociedade brasileira
que não tem acesso às calorias e às
proteínas necessárias. E por isso nós
somos exigentes, por isso nós queremos que as crianças
estejam na escola, porque quando as crianças estiverem
na escola, certamente a gente terá a oportunidade
de acreditar que essa criança não vai cair
na marginalidade, de que essa criança não
vai, amanhã, cair no desvio, porque tem muita gente
que acha que nós gastamos muito dinheiro com o Bolsa
Família.
Primeiro, quero dizer para vocês que o valor do
Bolsa Família é muito barato. É, em
média, 80 reais por pessoa. Se eu pudesse, daria
mais. E quem sabe, um dia, daremos mais.
Quando for diminuindo o número de pessoas que recebem,
possivelmente a gente possa aumentar o dinheiro das pessoas
que estão recebendo. Mas pode ficar certo, meu companheiro
Patrus, pode ficar certo de que o que nós gastamos
com o Bolsa Família, o que nós gastamos com
os programas sociais brasileiros, tudo junto, é mais
barato do que o que Estado brasileiro gasta com um preso,
por mês, neste país. É mais barato do
que a gente gasta para cuidar de determinados tipos de bandido,
em que somos obrigados a colocar carro-forte para transportá-los,
com dez ou 12 policiais atrás, e helicóptero
para cima e para baixo. Se a gente for levar em conta o
salário de tudo que está envolvido, vai perceber
que daria para atender a dez ou 15 famílias por cada
preso que está nas delegacias de São Paulo,
do Rio de Janeiro, de Pernambuco, e assim por diante. Portanto,
investir em política social, hoje, é permitir
que a gente não tenha que construir cadeia amanhã;
investir na nossa criança, hoje, é permitir
que essa criança não se transforme num delinqüente
amanhã. E investir na criança significa investir
na família, significa saber como é que está
a família, como é que está o pai e
a mãe dentro de casa, porque se a estrutura da família
estiver boa, se o pai e a mãe tiverem uma boa formação,
eles podem ser pobres, mas se eles tiverem o mínimo
para comer, eles vão ser criados, os filhos vão
ser criados com muita decência e com muita dignidade.
E eu quero aproveitar e dar o meu exemplo. Eu sou filho
de uma mulher que criou oito filhos sozinha. Teve 12, mas
quatro morreram. Não foram poucas as vezes em que
a gente não tinha o que comer dentro de casa; morávamos
em oito, mais quatro primos dentro de um quarto e cozinha.
Não foram poucas as noites em que a gente não
teve o que comer, mas por conta da formação
moral da minha mãe, por conta da formação
religiosa da minha mãe e por conta dos compromissos
que ela tinha com seus filhos, ela criou os oito filhos,
todos aprenderam uma profissão, todos casaram e um
chegou até a presidente da República deste
país.
Eu estou dizendo, companheiro Patrus, porque é
muito importante a gente dar o Bolsa Família, é
muito importante a gente dar todos os programas sociais
que nós fazemos, mas é muito importante a
gente começar a olhar como é que estão
as famílias dentro de casa. Quando a gente vê
uma criança na rua, o Estado tem até política
para cuidar daquela criança de rua; quando a gente
vê um jovem delinqüente cometer um ato de delinqüência,
o Estado tem até como cuidar desse delinqüente,
mas o Estado não tem como cuidar da família,
ele não sabe como é que está a mãe
dentro de casa, ele não sabe como é que está
a relação entre a família dentro de
casa, porque muitas vezes os problemas que a gente vê
na rua, acontecem dentro da casa da gente, não acontecem
fora, eles acontecem na nossa casa, na nossa sala, na nossa
cozinha. E nós precisamos, então, ter uma
política para cuidar disso.
Cuidar da família brasileira, que é a estrutura
básica da formação da nossa sociedade,
é condição fundamental para que a gente
possa sonhar e ter uma sociedade mais harmoniosa, eticamente
mais bem formada e que as pessoas possam viver em paz e
em tranqüilidade.
Uma vez, o governador Mário Covas ainda era vivo,
e ele me disse que gastava 2 mil reais para cuidar de uma
criança na Febem, por mês. E eu fiquei imaginando:
como é possível recuperar uma criança
na Febem, sem recuperar antes o pai ou a mãe? Como
é possível colocar assistente social para
cuidar daquele jovem separado do pai, da mãe ou da
família? Quem sabe, ao invés de gastar 2 mil
reais com o jovem, fosse melhor gastar 300 reais com a família,
colocar assistente social e fazer com que a família
participasse ativamente da recuperação daquela
criança, porque tem palavras-chave que não
estão no manual da Polícia, tem palavras-chave
que não estão no manual daqueles que são
carcereiros da Febem, palavras chamadas “amor, paciência
e carinho”, já que pai e mãe são
insubstituíveis no tratamento da própria família.
Por isso, meus companheiros e companheiras, eu estou mais
um dia feliz na minha vida. Eu me levanto todo dia agradecendo
a Deus por ter vivido o dia anterior e sempre achando que
o novo dia vai ser melhor que o dia que passou
E eu estou convencido de que nós estamos vivendo
um momento bom no nosso país. É só
olhar as estatísticas da economia, é só
ver as estatísticas de emprego.
Ontem eu ouvi mais uma notícia boa, meu querido
senador Aloízio Mercadante, a arrecadação
do Fundo de Garantia, em 2004, foi recorde histórico
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Isso porque
demonstrou o crescimento do emprego.
Mas nós só temos dois anos de governo, ainda
temos mais dois e vamos fazer muito mais para que o povo
brasileiro, para que as mulheres e as crianças deste
país possam acordar todo dia sorrindo porque nenhuma
criança foi dormir com fome, porque nenhuma criança
acordou e não teve um copo de café com leite
e um pão com manteiga para comer. E se a gente realizar
isso pode dormir tranqüilo, porque o essencial está
garantido, o resto a gente vai à luta e consegue.
Meus parabéns, felicidades a vocês e que
Deus abençoe o povo de Guarulhos.
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