| Jornalista: Gostou do carro, Presidente?
Presidente: Olha, eu acredito que o carro, mais do que
um carro bonito, ele vai mostrar ao mundo a competência
da indústria brasileira e da engenharia brasileira.
É o primeiro carro de luxo produzido genuinamente
no Brasil, engenharia brasileira, tudo feito aqui. Apenas
o câmbio, porque nós não temos fábrica
de câmbio automático. Mas é um carro,
e vocês estão vendo que nenhum jornalista vai
poder colocar defeito nesse carro.
Depois, eu acho muito importante o Brasil se apresentar
para o mundo mostrando a sua competência na engenharia,
mostrando a competência da indústria automobilística.
E um carro desse porte, bicombustível, demonstra
que nós vamos poder colocar este carro não
apenas no mercado interno, que está tendo uma procura
extraordinária. Os diretores da GM me informaram
que já venderam quatro mil antes de chegar ao mercado,
antes do lançamento. Eu fico imaginando, não
só para o povo brasileiro, que quer ter mais segurança
de combustível, mas para toda a América do
Sul, para países em que o Brasil tem fronteira, a
gente pode fazer com que um carro desses seja vendido.
Portanto, eu quero dizer à General Motors que está
de parabéns. Acho que este carro foi pensado, sua
engenharia foi produzida toda em São Caetano, o carro
vai ser montado em São Caetano. Significa mais rentabilidade
para a empresa, mais geração de emprego, mais
renda e mais orgulho para todos nós, brasileiros.
Este carro deveria ter um lugarzinho, ali, com a bandeira
nacional, assim, porque ele é genuinamente brasileiro.
Jornalista: Agora, Presidente, sobre a reunião de
hoje. O senhor acha que os petistas que podem perder o mandato
são corruptos ou apenas erraram, mas não em
corrupção?
Presidente: Veja, eu não discuti isso. Fiz questão
de não discutir e não vou discutir agora.
Eu fiz uma reunião com a bancada do PT, dentro de
um esquema de reunir outras bancadas. Na próxima
terça-feira terei com outro partido político,
porque nós temos projetos muito importantes para
serem votados e o ano está terminando.
Nós temos o Estatuto da Micro e Pequena Empresa;
nós temos o Projeto de Lei da Pré-Empresa;
nós temos o Fundeb, e vamos colocar 4 bilhões
a mais de reais na educação brasileira, nos
próximos anos. E se não forem aprovados esses
projetos vai ser um retrocesso para a pequena e média
empresa que gera 65% dos empregos no Brasil; para a pré-empresa,
a gente quer legalizar a situação dos vendedores
ambulantes, das pessoas que vendem um cachorro-quente, nós
queremos legalizar a situação dessas pessoas.
Tem a reforma política, que é imprescindível
que seja votada.
Eu fiquei muito feliz ao saber que o Presidente da Câmara
convocou a sessão para segunda e para terça-feira,
numa demonstração de que agora nós
temos que aproveitar o bom momento deste país.
Veja, nós estamos num ciclo virtuoso, a economia
está crescendo, a exportação está
crescendo, a importação está crescendo,
o emprego está crescendo. Portanto, nós precisamos
votar tudo que significa modernizar o Brasil e preparar
o Brasil para ser um país altamente desenvolvido,
no século XXI.
Eu digo sempre o seguinte: a Europa aproveitou o século
XIX, os Estados Unidos aproveitaram o século XX.
Pelo amor de Deus, vamos aproveitar o século XXI
para transformar o Brasil numa grande Nação,
numa Nação verdadeiramente rica, próspera.
Nós temos competência para isso, nós
temos trabalhadores para isso, temos empresários
para isso, precisa apenas a gente ajustar.
Nós vamos entrar num ano de disputa política.
Vamos disputar a campanha, mas vamos fazer a campanha de
forma a não permitir que o Brasil sofra qualquer
embaraço durante o processo eleitoral. Aliás,
o processo eleitoral deve servir para politizar a sociedade,
não para que a gente fique fazendo coisas que atrapalhem
o crescimento do país.
Eu, todos vocês me conhecem, sabem que eu sou um otimista
inveterado. Eu acho que o Brasil está entrando numa
situação extremamente positiva. Vocês
estão vendo os preços das coisas, vocês
estão vendo o crescimento do emprego, vocês
estão vendo o crescimento da economia.
Quando a GM vem aqui apresentar um produto desses, fabricado
no Brasil, pensado por brasileiros, e ainda me informam
que vão contratar mais 50% de engenheiros, que é
para a engenharia brasileira ficar mais competitiva, nós
temos que acreditar. Se nós não pensarmos
no Brasil, não acreditarmos no Brasil, por que os
nossos competidores vão acreditar?
Então é isso. Eu quero dizer para vocês
que eu estou satisfeito. Estamos entrando no final de ano
com as coisas andando bem. Eu estou tranqüilo, estou
achando que o Brasil, finalmente encontrou o seu rumo.
Jornalista: O senhor acha que o pior da crise já
passou, Presidente?
Presidente: Não tem pior ou se já passou.
Veja, crise é crise. O que nós estamos dando
é uma lição também ao mundo.
Veja, qual governo, na história deste país
funcionou com três CPIs funcionando o dia inteiro?
E vocês estão percebendo que eu estou cumprindo
um ritual de um Presidente da República, tenho viajado,
tenho inaugurado obras. Tem gente que fica incomodado porque
eu viajo para inaugurar obras. Ora, meu Deus do céu!
Mas as pessoas pediram a vida inteira, agora que elas estão
ficando prontas...
Quando a gente planta um pé de jabuticaba e rega
todo dia, o que a gente espera? Quando der jabuticaba a
gente chupar. O que eu não posso é deixar
de tirar proveito das coisas que nós estamos inaugurando,
das coisas que nós fizemos.
O que eu posso dizer é o seguinte: não haverá
crise, nem no Brasil, nem no mundo, que vá me tirar
da rota de seriedade e de acreditar que o Brasil finalmente
resolveu se transformar numa Nação altamente
produtiva, altamente solidária e altamente competitiva.
Jornalista: Hoje há uma grande questão em
torno da mídia. Qual é a opinião do
senhor sobre essa possibilidade, aventada pela bancada do
PT, de uma possível renúncia? Isso não
seria ruim para o PT, haver a renúncia?
Presidente: Permita-se, com toda a gentileza do mundo,
não entrar nesse assunto. Este é um assunto
pertinente à bancada, pertinente à Câmara.
Quando eu tiver os problemas aqui dentro eu resolvo, lá
eles resolvem.
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