
Histórias e Crônicas
sobre a Rádio Nacional do Rio
Em homenagem aos
20 anos da Emissora
Escritas em publicação de 1956
por Moacyr Aréas, Diretor Geral na época
Cada Diretor de Divisão, na Rádio
Nacional, tem o seu gabinete diretamente ligado
às sessões subordinadas. É
fácil imaginar que importante área
do edifício de ”A Noite”
um dos maiores prédios do Rio
de Janeiro é ocupada pelas oito
Divisões componentes da estrutura da
rádio nacional.
Essa grandeza pode ser maior avaliada, se lembrarmos
que, em 20 anos, a Rádio Nacional conseguiu
aumentar o seu patrimônio em cerca de
20 vezes, às custas dos seus próprios
recursos.

Paulo Gracindo
em animado programa de variedades.
Ivon Cury era um entre as centenas de cantores
e cantoras que faziam parte do cast da Nacional.
De dois simples e pequenos estúdios,
no 22º andar, em 1936, temos hoje seis
estúdios, sendo um especial para rádioteatro
(o maior e melhor dotado da Amé rica
do Sul, no gênero), um especial para rádiojornalismo(igualmente
único em todo Continente); um palcoestúdios
de dimensões imponentes;dois estúdios
para pequenos conjuntos e um grande estúdio
de 3,72 metros quadrados, com vigas sobre espirais
de aço e isoladores excepcionais e um
moderno auditório de 496 lugares!
É sempre motivo de saudades, hoje, revirar
os arquivos da rádio nacional e analisar,
com ternura e encantamento, seu crescimento
maravilhoso, o impulso que ela tomou, desde
seus primeiros dias, graças aos homens
que tão bem sou beram conduzila através
dos anos e tão bem assentaram os seus
alicerces.É como rever um álbum
antigo de fotografias de uma família
é como recordar ante passados.É
como ir ao baú das recordações
e relembrar, com os olhos umedeci dos de emoção,
pessoas e fatos que nos são gratos.
É este o caso, por exemplo, do grande
acontecimento ocorrido a 12 de setembro de 1936.
Era um sábado. A nova emissora, que,
havia alguns dias, vinha funcionando em experiências,
acabou de retransmitir a “Hora do Brasil”.
O último andar do edifício de
“A Noite” estava em festas. Noite
de gala. 21 horas. Ouviu-se, primeiramente,
a característica musical da estação
que ia nascer: “Luar do Sertão”,
de Catulo da Paixão Cearense e João
Pernambuco, em solo de vibrafone por Luciano
Perrone.Logo depois, a voz do locutor Celso
Guimarães:
Alô! Alô! Brasil! Aqui fala a Rádio
Nacional do Rio de Janeiro!
Em seguida, a grande Orquestra do Teatro Municipal
executou o Hino Nacional Brasileiro. Em nome
do Presidente da República, falou o presidente
do senado, Sr. Medeiros Neto, que proferiu as
seguintes palavras:
Tenho a honra de inaugurar a Sociedade Rádio
Nacional. Declaro inaugurada a Rádio
Nacional, PRE-8. Ouviram todos os brasileiros
que esta inauguração foi precedida
das notas do Hino Nacional, cujos compassos
iniciais marcam os primeiros passos gigantescos
desta nóvel sociedade e que constitui
grande elemento de defesa deste grande legado
de nossos antepassados que é o nosso
Brasil. Aqui se levanta mais uma voz pela paz
e pela defesa de todos quanto souberem, nesta
hora terrível para a humanidade, compreender
que ela é mais uma garantia de que na
nossa pátria, a liberdade terá
sempre um culto.A estação que
neste momento se inaugura nasce sob a proteção
de uma empresa que em todos os tempos tem sido
arauto das grandes aspirações
do povo a “A Noite”. Está
inaugurada a grande estação da
Sociedade Rádio Nacional.

Ivon Cury era
um entre as centenas de cantores e cantoras
que faziam parte do cast da Nacional.
Logo depois, a PRE-8 procedeu a sua primeira
irradiação externa, com seus microfones
instalados no Palácio de São Joaquim,
onde S. E., o Cardial D. Sebastião Leme,
abençoando a nova emissora, disse o seguinte:
Duas palavras de benção pela
inauguração da Sociedade Radio
Nacional, pois de benção está
sempre transbordando o coração
boníssimo do Cristo. Assim, abençoe
Deus esta poderosa rádio emissora, para
que no céu da pátria saia a espargir
sementes de paz, ordem, amor, fraternidade,
que, desabrochando em alegria cristã,
fecunde a vida e o trabalho de todos os lares
brasileiros.
Falaram, ainda, o sr. Nobre de Mello, embaixador
de Portugal, ministro Gustavo Capanema, embaixadores
da França e do Japão, vereador
Ernani Cardoso, Srs Lourival Fontes representante
do prefeito padre Olimpio de Melo, Nelson Dantas,
presidente da Confederação brasileira
de Radiofusão, Herbert Moses, presidebte
da associação brasileira de imprensa,
Castelar de Carvalho, em nome do vespertino
“A Noite”, e Cauby de Araújo,
primeiro presidente da Sociedade Rádio
NacionaL.
Ao ato de inauguração compareceram
ainda o ministro Agamenon Magalhães,
Sr. Tavares Bastos, Sr. F. ª Silva Reis,
representando o Sr. Antonio Carlos, presidente
da Câmara Federal, os Srs. Calmon de Brito,
Gilson Amado, Silvio Brito, Major Lessa Bastos
e Aurino de Moraes, representando, respectivamente,
os ministros da Justiça, Viação,
Fazenda, Guerra e Agricultura, os deputados
Morais Paiva e Barreto Pinto e o maestro Lorenzo
Fernandez.
Oduvaldo Cozzi, locutor, anunciou a primeira
parte do programa inaugural, com acompanhamentos
pela Orquestra do Teatro Municipal, sob a regência
do maestro Henrique Spedini e contando com a
participação de Bidu Sayão,
Maria de Sá Earp, Giuseppe Danise, Bruno
Landi e Aurélio Marcatu, além
dos pianistas Mario Azevedo e Dyla Josetti.
A segunda parte do programa foi realizada Pela
grande orquestra de concertos da Radio Nacional,
sob a regência do maestro Romeu Ghipsman,
tendo Radamés Gnattali ao piano. Participaram
da audição os novos contratados
da emissora, entre eles os sopranos Abigail
Parecis, Dolly Enor e Gilda Fernese we o tenor
PasqualeGambardella.
Celso Guimarães, a seguir, tornou ao
microfone, já então para apresentar
outros integrantes do elenco que se formava:
Osvaldo Diniz Magalhães, professor de
ginástica, a locutora Ismênia dos
Santos, que realizaria um programa feminino
e um programa infantil, Sônia Carvalho
(por coincidência , cunhada do locutor),
Marilia Batista e Aracy de Almeida, cantoras
de samba; Elisinha Coelho e Silvinha Melo, intérpretes
de música folclóricas; Amália
Diaz, cantora de tangos; Roxane, interprete
de canções francesas; Orlano e
silva e Nuno Roland, músicas brasileiras;
Bem whigt e Bob Lazy, de músicas americanas;
Mauro de Oliveira, de tangos; e o fadista Joaquim
Pimentel.
Revendo esses papéis antigos, voltando
aos dias que deixaram saudades, vamos encontrar,
por exemplo, a primeira transmissão esportiva
realizada pela Nacional. Foi no dia seguinte
ao de sua inauguração. Um domingo.Oduvaldo
Cozzi, o locutor. Jogo: Flamengo e Fluminense,
no campo deste último. E a emissora ainda
deu informes sobre o encontro do Vasco e São
Cristóvão, que se realizou na
mesma tarde, assim como de provas de atletismo
e motociclismo.
Na quarta-Feira, 16 de Setembro, Ismênia
dos Santos lançou seu primeiro programa
feminino “Hora das Damas”
que passou a ser transmitido as segundas, quartas
e sextasfeiras, as 18 horas. Mas já um
dia antes, na terça feira,15, seu
programa infantil “programa dos
Garotos” havia sido irradiado
e passou a ir ao ar as terças , quintas
e sábados no mesmo horário do
outro.
É curioso notar, também, que
o primeiro horário de funcionamento da
rádio Nacional obedeceu a seguinte programação:
6:15 início das transmissões
8:15 intervalo
11:00 volta da programação
13:00 intervalo
15:00 volta da programação
16:00 intervalo
18:00 volta da programação
2300 final
Ainda no dia de sua inauguração
isto é: no sábado, a tarde,
um avião decorado ( em forma de cometa)
sobrevoou todos os bairros da cidade, anunciando
a festa inaugural da emissora e atirando folhetos
de propaganda, alguns dos quais continuam frases
que davam direito a prêmios de 10, 50,
e 500 mil réis. O maior desses prêmios
coube ao sr, Arthur Carvalho Laguna, empregado
na lacticínios Vitória, na rua
Ibiapina,5, na penha, e residente da rua Urussaí,
168. No dia seguinte o sr. Laguna, em companhia
de seu amigo Jacy Coimbra, recebeu, ao microfone,
o premio que lhe coube, pois nosso companheiro
Genolino Amado lhe entregou a cédula
nº 037.468, no valor de 500$000.
A cantora argentina Tânia, cognominada
de “A Rainha do Tango”, que estreou
a 24 de setembro de 1936, foi a primeira atração
internacional contratada para atuar na Radio
Nacional.
No dia 21 de Setembro a Nacional não
irradiou. É que, então, festejou-se,
no Rio, o dia do Rádio, e todas as emissoras
cariocas silenciaram, e, a 20 do mesmo mês
ela realizou sua primeira transmissão
fora da cidade, numa reportagem de Oduvaldo
Cozzi sobre a “ corrida da Primavera”,
de Petrópolis promovida pelo vespertino
“A Noite”
Três meses depois de ser inaugurada,
começou a Nacional a apresentar programas
de radioteatro, constando os mesmos de peças
de um ato, traduzindo ( do castelhano) por Celso
Guimarães. O primeiro original escrito
especialmente para E-8 foi de autoria de Genolino
Amado e teve como intérpretes o próprio
Celso e Amélia de Oliveira. E, a 6 de
agosto de 37, a Nacional lançou seu “teatro
em casa”, com a comédia em dois
atos “oh, meu irmão, salve-me!”,
do espanhol Miguel Scuder, adaptada por Júlio
César e traduzida por Cimões coelho.
Foram seus intérpretes: Mesquitinha,
Paulo Ferraz, Manuel Pêra, Arnaldo Coutinho,
Violeta Ferraz, Maria Grillo (mãe de
Amélia de Oliveira), Olga Nobre e Enilia
Pêra. Foi no “Teatro em Casa”
que Ismênia dos Santos estreou como radioatriz,
assim como a atriz e corretora Zezé Fonseca
e a atriz Abigail Maia. Nele chagaram a trabalhar,
ainda, Isis de Oliveira, Brandão Filho,
Floriano Faissal, Altivo Diniz, Letícia
Flora e muitos outros.
O êxito obtido pelo radioteatro fez com
que, em 1939, a Nacional contratasse seu primeiro
escritor exclusivo, para o gênero:o paulista
Amaral Gurgel, que foi traduzido por Celso Guimarães,
também outro homem de teatro veio se
juntar ao grupo: Vitor Costa. E outros mais:
Saint Clair Lopes, Floriano Faissal, etc. E
finalmente, em 5 de junho de 1941, Vitor Costa
lançou a primeira história-seriada
do rádio brasileiro: “ Em Busca
da Felicidade”, romance do cubano Leandro
Blanco, adaptado por Gilberto Martins, na interpretação
de Zezé Fonseca, Iara Sales, Rodolfo
Maier, Isis de Oliveira, Floriano Faissal, Saint
Clair Lopes, Brandão filho e outros.
Vamos encontrar, ainda nessa reminiscência
que foi a perfumaria Lopes S. A. o primeiro
anunciante da rádio Nacional, e, em ondas
curtas, foi a firma Stuart & Cia. (Leite
de Colônia), que assinou contrato em janeiro
de 1943, para um programa de 25 minutos, aos
domingos, às 20 horas, horário
este que permanece, até hoje, sob o mesmo
patrocínio. Coube ao laboratório
Urodonal-Fandori a primazia de possuir um cantor
exclusivo: Orlando Silva, que cantava, as quintas
feiras, as 21 horas.
O primeiro programa de montagem foi o “curiosidades
musicais”, de Almirante, que estreou,
a 2 de abril de 1938, tendo como patrocinadores
os produtos eucanol. Este produto foi vendido
por intermédio de empresas de propaganda
Brasil, por 700$000 por audição.
E coube ainda a Almirante laçar o primeiro
programa de brincadeiras de auditório:
“ caixa de perguntas” patrocinado
por BY-SO-DO, vemdido a 400$000por semana e
que estreou a 5 de agosto de 1938. Finalmente,
foram os “instantâneos sonoros
brasileiros”, produzidos por José
Mauro e almirante, os primeiros programas com
montagem de grande orquestra diração
musical de Radamés Gnattali. Preço:
um conto de réis por audição.

A Rádio
Nacional foi a primeira emissora do Brasil a
organizar uma redação própria
para noticiários, com a rotina de um
grande jornal.
É curioso lembrar o que ocorreu em dezembro
de 1940. o faturamento da rádio não
havia alcançado ainda a cifra de 150
contos de réis e o Departamento Comercial
instituiu uma campanha para alcançar
o faturamento de 300 contos, criando um prêmio
de 5 contos para o corretor que maior verba
obtivesse. Venceram, respectivamente, o primeiro
e o segundo lugares, os Srs. Dário de
Almeida e Luís vassalo. E a Nacional
faturou nada menos que 307 contos de réis.
Seria um não mais acabar de histórias
curiosas se continuássemos a colher,
carinhosamente, tudo que há nos arquivos
da Rádio Nacional; tudo que fala de sua
realizações nesses 20 anos de
existência, todas as suas grandes iniciativas.
A Nacional cumpriu, até hoje, fielmente,
a previsão do senador Medeiros Neto,
em suas primeiras palavras ao microfone, quando
aquele legislador afirmou que ela seria uma
voz em defesa da liberdade. Eminentes campanhas
altruísticas tiveram o apoio da Rádio
Nacional. E sua obra é conhecida de todos.
Caberia aqui salientar, ainda,que foi a PRE-8,
num programa de almirante, que nacionalizou
a canção americana “Happy
Birthday to you” (“parabéns
pra você”) e que foi na programação
de seu quinto aniversário, a 14 de setembro
de 1941, que foi executada em primeira audição,
o famoso “concerto nº1, para pianos
e orquestras”, de Radamés Gnattali.
Finalmente nesse momento em que a maior emissora
da América Latina se prepara para a televisão,
é curioso transcrever o que publicava,
a 26 de setembro de 1936, em sua edição
das 15 horas, o vespertino “A Noite”:
“Revistas recentemente chegadas de Londres
noticiam as experiências feitas, com sucesso
aliás, na primeira emissora de televisão,
instalada nos domínios de John Bull.
Embora não perfeitas, são, contudo,
de molde a indicar um futuro próximo
brilhante para o sucedâneo do rádio.
As mesmas revistas prevêem que, em pouco
tempo, menos de um lustro, a televisão
será um realidade em todo o mundo e que,
onde se erguem, hoje, as torres das sociedades
de “ Broadcastiug”, serão
edificados estúdios próprios à
televisão à distância, de
figuras vivas e movimentos.
As nossas emissoras cariocas devem ir se preparando,
pois, para a televisão também....J.”
Mas vale a pena salientar que foi a Rádio
Nacional quem primeiro realizou experiência
de televisão na América do sul,
há quase dez anos, quando transmitiu,
diretamente de seus estúdios, o programa
“ Rua 42”, produzido por Marques
Nunes e animado por Manuel Barcelos.
No mundo do rádio teatro
Três meses após a sua inauguração,
isto é, em dezembro de 1936, a Radio
Nacional passou a intercalar pequenas cenas
de rádio-teatro entre números
musicais.
A 6 de agosto de 1937, inaugurava-se o “Teatro
em Casa” para a irradiação
de peças completas, semanalmente. A inauguração,
sob grande expectativa, realizou-se com a peça
de Miguel Escudeiro “Ó!
Meu Irmão, Salva-me”. Atores e
atrizes de teatro interpretaram os respectivos
papéis.
O rádio-teatro iniciava a sua marcha
de vitórias.
O dia 5 de junho de 1941 ficará na história
do rádio brasileiro como a data mais
importante da rádio-teatro.
Exatamente ás 10 e meia da manhã,
o locutor anunciou:
-Senhoras e senhoritas, o famoso creme dental
colgate apresenta... o primeiro capítulo
da empolgante novela de Leandro Blanco em adaptação
de Gilberto Martins E-M B-U-S-C-A D-A
F-E-L-I-C-I-D-A-D-E !!!
Um vento de emoção varreu o país
de norte a sul. Era a primeira autêntica
história seriada radiofônica, que
haveria de durar 2 anos menos um mês,
e que marcaria uma época, assinalando
novos rumos, abrindo outros horizontes, expandindo
negócios e as oportunidades artísticas.
Os patrocinadores de “ em busca da felicidade”,
subestimando o êxito da iniciativa, prometeram
fotografia dos artistas da novela e um álbum
com o resumo das mesmas aos ouvintes que enviassem
um rótulo”colgate”. No
primeiro mês chegaram 48.000 pedidos e
as perspectivas eram de aumento em progressão
geométrica. Cessou o oferecimento.
A primeira novela na Rádio Nacional
provocou uma tempestade emocional entre os ouvintes.
Pela primeira vez, na história do rádio
brasileiro, cantores e locutores eram sobrepujados
em popularidade pela comédia do rádio-teatro.
Os artistas que trabalhavam na novela ficaram,
algum tempo, praticamente impedidos de transitar
pelas ruas, tal reboliço que provocava
a sua aparição.
Um deles, cujo papel era de vilão, teve
de se refugiar numa casa comercial, em face
da revolta de um grupo que o reconheceu.
Outro, papel de médico, (lembram-se
do Dr. Mendonça?), recebeu uma senhora,
que veio à rádio, especialmente,
fazer-lhe uma consulta.

Reunião
do cast do Rádio Teatro. A primeira
novela do Rádio foi "Em busca
da Felicidade". Os atores não
podiam circular na rua, tamanha sua popularidade.
E até houve o grande português
da novela, Benjamim Prates de Oliveira, no papel,
que teve a visita de um homem que se apresentava
como seu primo em Portugal.
E depois de 1943, acabada “Em busca
da felicidade”, no mesmo autor, surgia
“O romance de Glória Marivel”.
E veio a invasão das novelas no período
noturno, com “Predestinadas” à
frente, seguindo-se-lhe “Maldição”,
“Renúncia” (com fantástica
repercussão), “fatalidade”
e muitas outras.
A novela tinha assegurado o seu triunfo. A
ela pertencem até hoje horários
dos melhores índices de audiência
da rádio nacional. Quinze anos depois
da primeira novela, ou seja, no momento em que
a Rádio Nacional comemora 20 anos de
existência, o rádio-teatro dispõe
de alta percentagem, cerca de 50% das transmissões
diárias, com exceção da
madrugada,incluindo 14 novelas por dia.
Mas nem só de novelas vive a Rádio-Teatro.
Aliás, sua atividade fora da novela é
mais extensa, no decorrer dos anos. As peças
completas e os programas mistos, sob sua responsabilidade,
apresentam um quadro também impressionante.
Este total compreende 11.270 horas de irradiação,
pouco menos que o total da novela, mas um número
de intervenções superior, pois
alguns programas são de menos de trinta
minutos.
Até dezembro de 1955, o Rádio-Teatro
Nacional irradiou 861 novelas, as mais ouvidas
do rádio brasileiro, segundo as mais
seguras pesquisas de audiência.
Esses números equivalem a mais de 11.756
horas de irradiação consecutiva.
Isto significa que, depois de “Em busca
da felicidade”, se o Rádio-Teatro
resolvesse transmitir todas as novelas já
irradiadas, noite e dia, incessantemente, gastaria
1 ano, quatro meses, quatro dias e vinte horas
e meia.
O papel utilizado nesses 23.513 capítulos
daria para erguer uma torre de 4 quilômetros
de altura. Neste mundo, registram-se cerca de
470 mil atuações de atores e atrizes,
número superior a da população
da maioria das capitais brasileiras.
Sonofonia
(o som ornamental)
O leitor, tão acostumado a ouvir as
novelas de Rádio-Teatro nem repara nos
efeitos musicais empregados.
Entretanto eles são fundamentais. Graças
a eles, os ouvintes são atingidos pela
intensidade ideal que o autor imagina.
A seção de sonofonia , que cuida
somente desses efeitos, vive na Rádio
Nacional a trabalhar com 4720 discos, cujas
músicas ou outros ruídos completam
o clima e a intenção das inflexões
dos intérpretes e da decoração
sonora da sonoplastia. Esta é a sonofonia,
uma arte eminentemente especializada, também,
e que é uma das garantias do êxito
do Rádio-Teatro da rádio Nacional.

A Rádio
Nacional foi a primeira emissora do Brasil a
organizar uma redação própria
para noticiários, com a rotina de um
grande jornal.
Tal como a ação do sonoplasta
que se manifesta num plano real, a do sonofonista
se desenvolve num plano psicológico,
procurando identificar com exemplos musicais
as emoções das cenas representadas.
Eis que este homem também é um
artista, suficientemente arguto para perceber
entrelinhas do script as inflexões que
o autor empregará durante o desempenho.
Como profissional, seu principal conhecimento,
como no caso da equipe de sonofonistas da Rádio
Nacional, será o da discografia especialmente
clássica, onde os motivos são
mais ricos e variados.
A sonofonia, através da música
primordialmente, estabelece os pontos finais,
as definições últimas de
uma idéia, as reticências. É
também um mundo mágico e maravilhoso.
IISonofonia ( o som ornamental)
A sonofonia da Rádio Nacional nasceu
junto com a primeira novela, ou seja, em junho
de 1941. Era um simples prolongamento da discoteca,
mas já com simulacro de organização;
A) seleção de música e
ruídos;
B) Execução no controle
Em 1943, a sonofonia conquistara independência
funcional, embora utilizando ainda o material
da discoteca. Em 1945 teve a sua primeira sala,
e material separado do da discoteca.
Hoje, é uma seção tremendamente
atuante no mundo do rádio-teatro, e seus
funcionários exercem o complicado e delicado
mister de ler todos os originais, marcar as
músicas e ruídos apropriados e
executar esses sons no controle.
A seção de sonofonia utiliza
para esse fim:
DISCOS DE 10 POLEGADAS
Gravações da casa . . . 1000
Comerciais . . . . . . . . . . .400
DISCOS DE 12 POLEGADAS
Gravações da casa . . . . 1700
Comerciais . . . . . . . . . . .750
DISCOS DE 16 POLEGADAS
Gravações da casa . . . . .870
Entre os grandes êxitos da sonofonia
da Rádio Nacional, destaca-se a montagem
espetacular de um ciclone na novela “
o direito de nascer”. Seguidamente, seus
funcionários movimentam-se para obter
novas peças próprias, com ruídos
de tráfegos, cantos de índios,
batuques, tempestades, etc.
Sonoplastia (ou a arte mágica dos
ruídos)
Já imaginaram ouvir a irradiação
de uma peça, sem um ruído sequer?Já
imaginaram ouvir uma violenta cena de luta,
sem passos confusos, socos, cadeiras jogadas
ao chão, louças quebradas, tiros?
Seria música sem instrumento ou discurso
sem palavras.
Neste exato momento entra em ação
o contra regra ou sonoplasta “vive”
e “sente” as situações
que o microfone está captando. Se o papel
é de um vilão brutal e arrogante,
o sonoplasta deverá produzir os seus
passos violentos. Seu personagem é a
mocinha, a idéia a ser transmitida será
de uma figura frágil, que anda com passos
leves e faz gestos delicados.
A Lavadeira
Na equipe da Rádio Nacional, uma longa
prática resultou numa seleção
dos melhores sonoplastas do Brasil.
Com bom ouvido e boa memória, acompanham
a distância os diálogos, realizando
simultaneamente a decoração dos
ruídos.
Às vezes, há um acúmulo
tão grande de situações
diferentes, que não lhe é possível
acompanhar o desenrolar pelo “scrit”.
Revela-se então, o profissional insubstituível
movimentando como um mago o mundo estranho dos
ruídos.
O Inquieto Mundo das Notícias
A Rádio Nacional foi a primeira emissora
do Brasil a organizar uma redação
própria para noticiários, com
a rotina de um grande jornal (impresso) diário.
De um simples núcleo de dois ou três
encarregados, armados de tesoura e cola, para
preparar o jornal falado com notícias
do vespertino “A Noite”, a Rádio
Nacional construiu uma divisão de rádio-jornalismo,
com mais de uma dezena de redatores, secretários
de redação, rádio
repórteres, informantes e outros
auxiliares, além de uma sessão
de divulgação e uma sessão
de esportes completa, e um boletim de notícias
em idioma estrangeiro, que cobre todo o continente.Com
esta organização, a Rádio
Nacional passou a ter voz atuante nos acontecimentos
nacionais e internacionais, sendo citada, no
país e no exterior, como fonte de notícias.
A Reportagem
A sessão de reportagens, com um chefe
e cinco rádio-reporteres (inclusive uma
mulher), não só dá Assistência
a secretaria de redação, como
funciona autonomamente para irradiar um programa
diário de entrevistas flagrantes, mesas
redondas ou reportagens de diversos tipos.
Esses rádio-repórteres estão
sempre a postos para irradiar, de qualquer ponto
da cidade, um acontecimento importante e inesperado.
A adoção de sistema linear na
redação de notícias vem
permitindo à Rádio Nacional um
rigoroso controle da produção
dos seus redatores. O secretário distribui
a matéria, e dia a dia, um auxiliar especial
controla a produção individual,
para mapas mensais. A Direção
divisão de rádio-jornalismo tem,
assim, a exata medida da capacidade de produção
de cada um, bem como fica apta a intervir na
melhor distribuição das matérias
por parte da secretaria de redação.
No ano de 1952, a oscilação indica
uma superprodução, que se deveu
à campanha nacionalista do petróleo,
a que durante seis meses a rádio nacional
se dedicou.
Esportes
A primeira vez que a rádio nacional
realizou uma inovação no mundo
dos esportes estabeleceu um novo vínculo
entre a crítica e a execução.
Lançou um concurso entre figuras de esporte
para revelar um novo “astro” da
locução esportiva. O técnico
Ademar Pimenta, que em 1938 dirigiu a seleção
nacional no campeonato do mundo, foi o vencedor
a Rádio Nacional inaugurava, assim, uma
nova oportunidade aos homens do esporte para
o seu ingresso “no outro lado”,
isto é, no setor da crítica e
da reportagem.
Em 1946, as transmissões de futebol
da Rádio Nacional realizaram uma verdadeira
revolução em matéria de
reportagem radiofônica. Era o sistema
duplo, dividindo a cancha em dois setores, cada
qual “ocupado” por um locutor
colocado de preferência na zona de ataque
de cada quadro. O sistema duplo foi inspirado
no moderno método de arbitragem em trio,
com os “bandeirinhas” colocados
em ângulos opostos.
Posteriormente, o sistema duplo, já
adotado por outras emissoras de todo o país,
foi aperfeiçoado com informantes de “goal”,
repórteres volantes colocados atrás
das metas.
As atenções da sessão
de esportes da Rádio Nacional distribuem-se
por todos os setores esportivos nacionais e
internacionais. Seus locutores e repórteres
já viajaram praticamente por todos os
países da América e Europa, a
serviço da informação esportiva.
E não só o futebol, mas o turfe,
o basquete, o automobilismo e toda a sorte de
atividades esportivas amadoras, estão
sob as vistas de uma equipe de mais de vinte
profissionais. Além das já famosas
Reportagens Esportivas Brahma, aos sábados
e domingos, a Rádio Nacional apresenta,
diariamente, sob o patrocínio de “The
Sidney Ross Co” o programa “No
Mundo da bola”, recordista em audiência
no seu horário.
O programa “Resenha Esportiva SuperBall”,
há 12 anos sob esse patrocínio
revolucionou os horários de audiência
esportiva dominical. Todas as resenhas de esportes
eram transmitidas entre 19 e 21 horas. A “
Resenha Esportiva Superball”, para apresentar
um noticiário mais completo de todo o
mundo, foi para o ar às 22:30 horas e
venceu.
Novamente, neste livro da Rádio Nacional,
surge a expressão “traço-de-união”
É o que temos sido com os colegas de
outros países do mundo, principalmente
no setor de esportes.
Os representantes das Emissoras Estrangeiras,
quando em viagem ao Brasil, encontram na Rádio
Nacional o ambiente de camaradagem e colaboração
para o melhor cumprimento de suas tarefas.
O Campeonato Mundial de Futebol, realizado
no Brasil em 1950, foi o ponto culminante desta
atividade internacional. A Rádio Nacional
deu assistência técnica a todas
as emissoras estrangeiras que a solicitaram;
organizou serviços especiais de informação
e entendimento; estabeleceu inter-relações
que resultaram em proveito geral.
Em idioma espanhol, diariamente a Rádio
Nacional transmitiu a marcha do Campeonato Mundial
a fim de colocar os ouvintes da América
Latina a par do maior acontecimento esportivo
até hoje realizado em nosso país.
Divulgação
A Seção de Divulgação,
de caráter eminentemente externo, estabelece
os vínculos de relações-públicas
com a imprensa de todo o país subordinada
ao diretor da divisão de Rádio-Jornalismo,
tem, entretanto uma área de grande influência
em todo o setor de “broadcasting”
e publicidade da emissora. Todos os lançamentos
de programas, os planejamentos de apoio publicitário,
a propaganda da rádio e seus artistas,
estão a seu cargo.
Setor Político
Uma importante parte de tarefa da redação
e da seção de reportagens está
inteiramente dedicada ao setor político.
Assim, os diversos secretários estão
entrosados com um repórter de plenário
na Câmara dos Deputados, um repórter
que realiza a cobertura dos trabalhos das comissões,
um informante no Senado Federal, um repórter
na Câmara dos Vereadores do Distrito Federal,
e dois elementos permanentemente encarregados
de coordenar todo o noticiário político
para o programa “Antena Política”.
Além disso, a Rádio Nacional
mantém no Palácio Do Catete dois
representantes jornalísticos e um operador
e completo equipamento de reportagem, para transmitir
diretamente da sede do Governo da República
a qualquer momento e, todos os dias, um boletim
intitulado “Aconteceu no Catete”.
Majestade a Notícia
A principal reportagem da redação
de jornais-falados da Radio Nacional é
sua Majestade, a notícia. Antigamente,
em todas as emissoras do Brasil noticioso não
era sequer redigido, pois jornais impressos
inteiros eram lidos ao microfone, com um primitivo
senso de ordem.
A Rádio Nacional implantou o sistema
do “Lea d” radiofônico,
que consiste no impacto inicial sintético
das principais informações que
um acontecimento possa conter.
Hoje, um redator da Rádio Nacional,
ao receber de um repórter uma informação,
pergunta-se a si próprio, antes de redigi-la,
qual o grau de interesse humano que poderá
extrair dos dados fornecidos, até onde
a notícia poderá interessar a
um maio numero de pessoas, etc.
Simultaneamente a Rádio Nacional criou
o sistema linear de paginação
dos seus jornais falados. Consiste este sistema
na numeração das linhas de cada
notícia, permitindo ao secretário
de redação paginar cada noticioso
com numero de linhas exato necessário
ao preenchimento de determinado espaço.
Embora não seja uma emissora especializada
em esportes, a Rádio Nacional vem mantendo,
a sua liderança de audiência nas
trans missões esportivas.
Uma demonstração do poderio de
penetração esportiva da Rádio
Nacional foram os dois concursos intitulados
“Melhoral dos Cracks”, que eletrizou
a nação inteira. Lançado
em 1948, com a eleição de tesourinha,
o atacante do Rio Grande do Sul, o concurso
assumiu proporções, vamos dizer
assombrosas, em 1950, quando Ademir, o extraordinário
jogador natural de Pernambuco, foi eleito com
5.304.935. Cada voto deveria ser acompanhado
de uma carteirinha de Melhoral. O total de votos
desse concurso atingiu a cifra espantosa (para
um concurso de rádio) de 19.105.865.
Cinema
O público do cinema tem no setor especializado
da Rádio Nacional uma inesgotável
fonte de orientação e notícias.
Viagens ao estrangeiro, incluindo Hollywood,
marcam vitoriosamente esse trabalho.
Este setor de cinema esta incondicionalmente
ao lado do cinema brasileiro, tendo ao seu favor
iniciativas de retumbantes sucessos como a “terceira
semana” levada a efeito em Vitória,
no Espírito Santo, e “ quinta
semana” em Caxambu. Furos autênticos
tem sido dados diretamente de locais como Buenos
Aires, Punta Del Este, e Hollywood. Já
falaram ao microfone da Rádio Nacional-Bob
Hope, Danny Kaye, Eleanor parker, Ilona Massei,
Carmem Miranda (em memorável reportagem),
Vic Damone, Jossé ferrer, Van Johnson,
Fred Mac Murray, Von Stronheim, Ann Miller,
Daniem Gelim, Jane Powell, Walter Pidgeon, Honda
Fleming, Jeannete McDonald, Gene Raimond, Janete
Gaynor, Error Flynn e muitos outros.
Todos os grandes artistas do cinema brasileiro
já estiveram ao nosso microfone. E noite
de gala no Municipal, foi entregue à
Rádio Nacional, pelos seus serviços
em favor do cinema brasileiro, um troféuo
famoso”Índio”. Na galeria
cruzeiro, em pleno coração do
Rio, os cariocas param todos os dias para orientar-se
através do “Placard de Cinema
da RN”.
Os efeitos da orquestra
A orquestra de hoje é um dos maiores
motivos de orgulho da Rádio Nacional.
Não somente pelo que ela representa de
grandiosidade e eficiência, mas pela vitória
sobre várias duras etapas conquistadas
desde os primitivos regionais, passando pela
All Stars, (lembra-se?), a carioca a Típica
Corrientes, à primeira orquestra brasileira
à orquestra de concertos PRE-8, ao quarteto
Borgerth, a orquestra da Rádio Nacional
conseguiu atingir a um máximo ideal de
preparação para o difícil
trabalho radiofônico.

Norma Benguel
e Paulo Gracindo concedendo a coroa de Rei do
Rádio para Orlando Dias.
Os grandes Programas
Depois que a Rádio Nacional abandonou
o terreno das improvisações, inaugurou
no Brasil a era dos programas de alta montagem.
Aos seus maestros e arranjadores foi designada
a missão cada vez mais difícil,
a de encontrar(ou compor) efeitos musicais que
realizassem “fundo sonoro” capaz
de enriquecer a impressão auditiva. Esta
é a música verdadeiramente radiofônica,
que nasce dos laboratórios da Divisão
Musical, e à qual daríamos o nome
de “música concreta”, pois
ela dá forma as abstrações
do microfone: É ela que colore as vozes
neutras e que interpreta a própria alma
recôndita das coisas, pois lhe dá
uma medida sonora e intencional.
O tesouro escondido
Nem Lafitte, Morgan ou os outros piratas que
assolaram os mares com as bujarronas de seus
barcos infladas ao sopro da aventura e da ambição
conseguiram amealhar dobrões de ouro
mais valiosos que o tesouro que este mapa nos
revela:
AMÉRICA DO SUL
BRASIL
RIO DE JANEIRO, DF
PRAÇA MAUÁ0
RÁDIO NACIONAL
20° ANDAR
SALAS N°s 2016, 2017, 2018
Eis o tesouro!
Milhões e milhões de notas, tilintantes
de harmonia, transformaram o Arquivo Musical
da Rádio Nacional na maior e mais rica
arca melodiosa da América Latina.
Os operários da canção
Assim como uma “Jeúne-fille”,
que se prepara para o “debut”
na sociedade, a música requer especialíssimos
cuidados, mesmo nascendo num berço de
ouro ou brotando de uma caixa de fósforos
boêmia. Para caminhar pela estrada do
sucesso, ela precisa de :
Figurinistas (copistas)
Uma “toillete” de “soirée”
(roupagem musical).
“Demoiselles d’honneur”
( coro).
Acompanhantes ( regional ou orquestra).
E a música passa longas horas no salão
de beleza musical antes de entrar no estúdio.
Realizando o extenuante serviço pelos
operários da canção, a
música brilhará nas paradas musicais
ou passará despercebida. Ninguém
sabe. A música tem o destino da criatura.E
a culpa não caberá a esses operários,
pois por melhor que seja um salão de
beleza ele não poderá criar jamais
uma Vênus.
Chuva de estrelas . . . E Astros
Em um momento emocionante o do encontro diário
com as “estrelas” e “astros”
Da Rádio Nacional. Nosso elenco mobiliza
as maiores camadas de público desde o
pós-guerra, quando rádio se transformou
na diversão popular por excelência,
a Rádio nacional destacou na sua programação
os grandes nomes que os fãs adoram e
procuram.Continuação do Livro
sobre a História da Rádio Nacional
do Rio
A Técnica
O conjunto de 59 homens que compõe a
Divisão Técnica da Rádio
Nacional tem mil olhos e mãos para movimentar
as seguintes tarefas, que são a própria
alma do “broadcasting”:
a) Operação de 5 controles, para
confeccionar o som, eletronicamente, na programação
de 24 horas diárias, distribuídas
por 6 estúdios.
b) Manutenção no ar, durante
19 horas e meia por dia, de 2 transmissores
de FM.
c) Manutenção no ar, durante
19 horas e meia por dia, de:
1 transmissor de ondas médias de 50
kWs.
2 transmissores de ondas curtas de 50 kWs.
2 transmissores de ondas curtas de 10 kWs.
d) Manutenção no ar, durante
4 horas e meia (de madrugada) de 1 transmissor
de ondas médias de 25 kWs.
e) Execução de todas as tarefas
de transmissões fora da sede.
f) Execução de todas as reportagens
e programas dentro e fora da sede.
g) Execução de programas transmitidos
das viaturas preparadas para tal fim.
A Vitrina dos Milagres
No grande auditório, em penumbra, há
momentos de “suspense”. O programa
está se desenrolando no maior estúdio
da América do Sul. Vai ser iniciada a
sua audição. Os homens que vão
dirigir o seu espetáculo estão
parados, como estátu-as, voltados para
uma janela de luz, ao alto à esquerda.
Aguardam um sinal. Silêncio. Setenta músicos
e professores, o maestro, os cantores, os contra-regras
e nós, também, prezado leitor,
que estamos sentados no auditório, vimo-nos
contagiados pela expectativa, e voltamos nossa
cabeça para o alto, para a vitrina iluminada.
A mão de um homem, naquela janela, desce,
e nossos ouvidos são fulminados pela
festa do som. Uma engrenagem de máquinas
e corações foi posta a funcionar.
Aquela é sem dúvida a vitrina
dos milagres.
Que é isto, a vitrina dos milagres?
É o controle-geral da Rádio Nacional.
Aqui se distila e beneficia o som dos maiores
programas orquestrais e mistos da programação.
Aqui esta vitrina dos milagres, onde se instala
as principais mesas e equipamento de controle
da Rádio, é o cérebro que
comanda os cinco sentidos mecânicos da
estação.
a) O CONTROLE DA RÁDIO-TEATRO, dependência
inédita pelas suas proporções
e especialização, no mundo inteiro;
b) O CONTROLE DOS ESTÚDIOS-GÊMEOS
NO 21º ANDAR;
c) O CONTROLE DO RÁDIO-JORNALISMO, um
dos mais modernos na sua especialização
e) A SAIDA DO SOM PARA OS TRANSMISSORES.
Os Trampolins do Som
Esta floresta de antenas, torres e postes constitui
os trampolins do som.
Aqui, a alegria, a notícia, a cultura,
batem nos trampolins e se elevam e se irradiam
por todo o globo.
De um simples transmissor de ondas médias,
de 25 kws., em Moça Bonita, há
20 anos atrás, surgiu esse parque de
Parada de Lucas. Os trampolins são agora
acionados por nove transmissores.
Nos transmissores, em Parada de Lucas, deparamos
com 5 sistemas de antenas direcionais RCA, por
ondas curtas, para 50 kws., a saber:
1 sistema para 25 metros dirigido para os EE.
UU.
1 sistema para 16 metros dirigido para os EE.
UU.
1 sistema para 25 metros dirigido para a Europa.
1 sistema de 16 metrosdirigido para a Europa.
1 sistema para 16 metros dirigido para a África
do Sul.
Cinco antenas “doublet” de três
elementos dobrados, para 50 kws., com linhas
de alimentação em 600 ohms, e
sistema de chave de reversão (único
no mundo, citado especialmente em “Rádio
Antena Engineering” por Laport) a saber:
1 antena para 6 147 kcs onda de 48,80
mts sustentados por duas torres metálicas.
1 antena para 9 720 kcs onda de 30,86
mts sustentados por duas torres metálicas.
1 antena para 11 720 kcs onda de 25,60
mts sustentados por dois postes de madeira.
1 antena para 15 295 kcs onda de 19,61
mts sustentada por dois postes de madeira.
1 antena para 17 850 kcs onda de 16,81
mts, sustentada por dois postes de madeira.
E ainda uma torre metálica irradiante
para ondas médias, 50 kws., com altura
de 162 metros e 25 centímetros, trabalhando
em 980 kc, onda de 306,1 metros.
Nos estúdios na praça Mauá,
no alto do edifício de “A Noite”,
há mais dois trampolins de som:
1 antena “Pylon” da RCA, para
transmissor FM de 5 kws. (a única existente
no Brasil).
1 antena “Terraplano” para o
transmissor FM de 250 watts.
O Calendário do Técnico
Por ser o mundo das máquinas, nem por
isso deixa de ser o mundo de emocão.
Esses homens, mais de meia centena, que movimentam
o coração eletrônico da
maior emissora da América do sul, têm
suas datas queridas.
Eis o seu calendário:
12 de setembro de 1936 1 transmissor
de ondas médias, de 25 kws., Philips.
1 equipamento de controle Philips, nos estúdios,
com o encargo de confeccionar programas sobre
2 estúdios e 1 auditório, no 22º
andar do edifício de “A Noite”,
Praça Mauá.
15 de novembro de 1942 Mudança
das instalações do transmissor
para Parada de Lucas, continuando a transmissão
em ondas médias, a cargo do transmissor
Philips inicial.
31 de dezembro de 1942 Inauguração
do novo transmissor RCA Victor de 50 kWs. De
ondas curtas; e dos 5 sistemas de antenas direcionais,
além das antenas onidirecionais de ondas
curtas.
Inauguração do novo equipamento
dos estúdios, constando de 2 controles
simples e um controle mestre, operando no 22º
e 21º andares, com a inauguração
do auditório, estúdio grande e
2 estúdios pequenos no 21º andar.
Transformação dos estúdios
do 22º andar em 1 estúdio grande
de Rádio-Teatro e 1 estúdio auxiliar,
comandado pelo novo controle.
Baixa do Controle Philips.
12 de setembro de 1948 Inauguração
do novo transmissor RCA Victor de 50kws, de
ondas médias, passando o velho transmissor
Philips a funcionar como socorro.
10 de dezembro de 1949 Inauguração
de dois transmissores FM, um de 250 watts e
outro de 3 kws, que também são
aproveitados para mandar o som para os transmissores,
cobrindo falhas das linhas telefônicas.
31 de dezembro de 1953 Inauguração
de um transmissor Telefunken, de 50 kws, de
ondas curtas, e dois geradores diesel de 160
KVA cada um.
13 de maio de 1955 Inauguração
de um novo controle no 20º andar com o
Estúdio da Rádio jornalismo.
12 de Setembro de 1956 Inauguração
de dois transmissores RCA, de oc, 10 kws.
E agora, a Técnica da Rádio Nacional,
foi chamada. Mobiliza seus homens e todas as
suas energias. Está no limiar de uma
nova expansão: é a TV Nacional,
que já está na mesa dos debates
internos, que já se desenha nos planos.
Uma nova personagem surge para fazer com que
esses trampolins aumentem de responsabilidade:
é a imagem, companheira do som, que com
este se entrelaçará muitas vezes,
partindo de outra matriz, no alto da Serra da
Carioca, onde já foram abertas as primeiras
clareiras na floresta. A Telefônica será
o denominador comum desses numeradores que se
somam, na equação do progresso:
Rádio mais TV!
No Mundo da Criação
Eis a idéia, força motriz dos
programas.Ela é a energia que fecunda
a nebulosa para a criação. Somam-se,
aqui, os valores intelectuais para movimentar
as turbinas do talento. É o Conselho
da Inteligência transformando esse rádio
numa trilha de cultura. É o lampejo do
bom humor, o relâmpago do drama, a brisa
da comédia, a tempestade da arte nova
de fazer ouvir. Eis o Mundo da Criação,
em permanente inquietude.
A Idéia
Desçamos do cósmico e do astral
para, em termos mais próximos, aprender
o verdadeiro sentido do mundo da criação.
A idéia é nossa matéria
prima. Esta é a nossa indústria,
onde trabalham dezoito artistas privilegiados.
São os escritores que manejam com os
teares da idéia. Montam a sua produção,
desenvolvem-na e a mercadoria, que é
o programa, está pronta para a venda.
A principal diferença, entre essa indústria
e uma outra qualquer, é a de que os recursos
da matéria prima não são
palpáveis. Há uma produção
em série, mas de conjuntos de idéias
diferentes. Cada produto tem a sua própria
personalidade. O ciclo vital de cada um obedece
a injunções diversas. Eis porque
é complexo o resultado dessa movimentação.
Há produtores vibrantes, e outros metódicos,
e outros pesquisadores, e outros imaginativos.
Essa gama de tendências é posta
a serviço de consumo semanal de um espetáculo.
Não há usina que iguale essa efervescência
de uma fábrica de arte.
A direção
Nessa agitação, há metas
a alcançar. Mas a principal será
a da coordenação para uma entregassem
ideal. E essa coordenação transcende
do trabalho bruto das máquinas de escrever
para o entrelaçamento de todos os recursos
à disposição dos teares:
o som musical, interpretado por instrumentos;
o som da palavra, interpretado por locutores,
rádio atores e rádio atrizes;
a preparação dos lugares para
a execução das idéias.
A tabela
Daí, dessa coordenação,
surge a tabela de serviço, completa mas,
de uma simplicidade meridiana. Reunidas todas
as responsabilidades, a casa inteira depende
desse mapa de obrigações para
se movimentar em todas as suas funções
de “broadcasting”.
Os locutores
Tudo pronto para a execução,
reúnem-se as vozes ideais que vão
anunciar o acontecimento. São os locutores,
que a experiência de seleção
agrupou num padrão de alta qualidade
e rendimento.
Mecanografia
Todos os setores artísticos atingidos
por determinado programa estão de posse
do “script” com as suas anotações
convencionais. Como foi feita essa distribuição?
Vamos às origens da produção.
A idéia tomou forma nos dedos ágeis
das datilógrafas e dali para as prensas
do dicto. Um organismo de circulação
fez distribuir rigorosamente os papéis.
A contra regra
Nos quatro pontos cardeais de um estúdio
há uma constante de expectativa: o tempo.
Sobre essa trilha impalpável rola o mundo
da criação. Cada etapa é
um programa. Há uma guilhotina que corta
inapelavelmente. É o cronômetro
do contra regra, que martela na cabeça
do diretor do programa a verdade irrecorrível
da existência de um segundo e suas frações.
A aferição
Depois de tudo, há que tomar o pulso
da criatura. Sua posição ditará
ou não rumos novos ao criador.
Eis o compartimento da estatística,
que é a célula nervosa da programação.
Aqui é aferido todo o trabalho da emissora.
Nas suas balanças, permanentemente, há
declínios e ascensões, que testes
diários, semanais, mensais e anuais,
registram para orientação do comando
da criação.
Os Produtores
A consagração do programa trouxe
a necessidade da idéia. E a necessidade
da idéia trouxe a consagração
do Produtor.
Desde aí a Rádio Nacional tem
sido a escola contínua, onde se formaram
e consagraram os melhores e mais aplaudidos
escritores radiofônicos do Brasil.
Tão dura e espinhosa é sua função
de agarrar a inspiração à
hora certa e escrever por necessidade como se
estivesse escrevendo por prazer, que só
uns raros seres humanos conseguem resistir a
prova de se propor a alimentar a voracidade
de uma programação.
O escritor do rádio é o poeta
recitado uma vez e esquecido, é o escultor
da areia, cujas obras primas o vento desfaz.
Escolher e desenvolver esses raros trabalhadores
tem sido uma preocupação perene
da Rádio Nacional. Hoje, é uma
glória saber que, em qualquer emissora
do Brasil, as portas se abrem largas e acolhedoras,
para o produtor que se apresente com esta recomendação:
Eu escrevi para a Rádio Nacional do
Rio de Janeiro.
Eis a História
Isto terá sido sempre assim?
Não. O super-programa, conjugando os
esforços de dezenas de atores, músicos
e cantores, num espetáculo grandioso,
é uma singularidade do Rádio brasileiro
e uma criação da Rádio
Nacional.
Lembremo-nos das etapas:
a) O Quarto de Hora;
b) O Cantor;
c) O Locutor;
d) A Crônica Sentimental;
e) A Anedota.
Era a fase rudemente individualista. Cada “cartaz”
um lobo solitário, cultivando seus números
e suas vaidades, para aquele alto mandatário
de gloriosa memória: o Diretor-Artístico,
o todo poderoso Diretor-Artístico, que,
como o seu título, não se usa
mais.
Nesse clima personalista, a Rádio Nacional
resolveu valorizar o Programa, com P maiúsculo,
lançando as famosas “Curiosidades
Musicais” de Almirante. Estava inaugurado
o rádio de grande montagem. Era a reunião
de músicos, atores, contra-regras, copistas,
cantores, todos trabalhando em função
de um horário e de um espírito
de equipe. Caíam os valores individuais
fictícios em favor da criação
coletiva.
Personagens do nosso Mundo
Uma biblioteca de centenas de volumes não
esgotaria o assunto Rádio Nacional.
Se o rádio é uma arte coletiva,
e se o seu êxito, atualmente, repousa
no trabalho de equipe, não há
como ignorar, entretanto a existência
de valores individuais, elos dessa corrente
fortíssima, que se distribuem em nossa
vida, ora isoladamente ora em conjunto pelos
mais diversos setores.
São figuras comuns na nossa paisagem,
indispensáveis mesmo; personagens do
nosso mundo que a todo o momento são
encontrados nas escadas, nos corredores, no
auditório, nos estúdios, nos gabinetes,
nas suas próprias mesas, nas nossas,
com uma função específica,
sua, própria; partes indivisíveis
desse todo.

Paul Gracindo
comemora aniversário rodeado de admiradores.
Ao seu lado, Marlene e Dalva de Oliverira.
Em setembro de 1956, o “cast”
artístico da Rádio Nacional apresenta
os seguintes nomes, nos diversos setores:
Atores
Abelardo Santos Gerdal dos Santos Saint Clair
Lopes
Afonso Stuart Hemilcio Froes Samir de Montmor
Alfredo viviani João Fernandes Tonio
Luna
Álvaro Aguiar João Zacarias Waldyr
Fiori
Antônio Laio José Américo
Walter Alves
Apolo Corrêa José Arimathéia
Walter D’avila
Armando Couto José Renato Walter Ferreira
Brandão Filho Mafra Filho Wolner Camargo
Bruno Neto Manuel Brandão
Cahuê Filho Mario Lago
Castro Gonzaga Mendes Netto
Castro Viana Milton Rangel
Celso Guimarães Mozart Regis
César Ladeira Navarro de Andrade
Cícero Acaiaba Oduvaldo Viana
Darci Pedrosa Orlando Mello
Dinarte Armando Oswaldo Alves
Domício Costa Oswaldo Elias
Domingos Martins Paulo Cesar
Dorival Silva Paulo Gracindo
Edair Bardaró Paulo Pereira
Edmundo Maia Roberto Faissal
Fernando Maia Rodney Gomes
Floriano Faissal Rodrigo Salles
Geraldo Avelar Roque da Cunha
Germano Dias Ruy Viana
Atrizes Infanto-Juvenis
Abigail Maia Juraciara Diacovo
Alda Verona Nelly do Amaral
Amélia Ferreira Luis Manoel
Amélia Oliveira Paulo Afonso
Auricea Araújo Roberto Gonzaga
Aurora Aboim
Célia Maria Especializados
Consuelo Leandro
Daysi Lucidi César de Alencar
Diamantina Bandeira Jararaca
Dulce Martins Paulo Roberto
Elza Gomes Ratinho
Gessy Fonseca Renato Murce
Graziela Ramalho Zé Praxedi
Haidê Fernandes
Henriqueta Brieba Cantores
Ilka Maria
Isis de Oliveira Albertinho Fortuna
Ismênia dos Santos Aluísio Pimentel
Ítala Ferreira Ataulfo Alves
Letícia Flora Bill Far
Ligia Sarmento Black-Out
Lizete Barros Bob Nelson
Lolita França Os Cariocas
Luddy Veloso Carlos Carrié
Maria Alice Cauby Peixoto
Nelma Costa Déo
Neusa Tavares Francisco Carlos
Neyde Murce Gilberto Milfont
Nilza Magrassi Hélio Paiva
Norma Geraldy Ivon Curi
Olga Louro Jimmy Lester
Olga Nobre Jorge Fernandes
Suzana Negri Jorge Veiga
Suzy Kirby Jorge Goulart
Teresa Nascimento Léo Belico
Tina Vita Lúcio Alves
Wahita Brasil Luis Bandeira
Yará Jordão Luis Vieira
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